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NegóciosMPOL
20/10/2026
5 min

Em qual dos quatro perfis financeiros da Serasa você está? A resposta não depende só do salário

Pesquisa com 1.008 profissionais mostra que a fatia que poupa vai de 13% a 85%, conforme o perfil

Em qual dos quatro perfis financeiros da Serasa você está? A resposta não depende só do salário

Os trabalhadores brasileiros se dividem em quatro perfis financeiros, e a distância entre eles vai muito além do contracheque. É o que mostra o estudo Bem-Estar Financeiro dos Trabalhadores 2026, da Serasa Experian, que ouviu 1.008 profissionais entre 12 e 30 de junho, com margem de erro de 3,1 pontos percentuais, segundo a divulgação da pesquisa.

Os grupos foram batizados de “Consolidados”, que somam 34% dos trabalhadores, “Organizando o futuro” (33%), “Apertados” (20%) e “Vivem o agora” (13%), de acordo com a cobertura do Campo Grande News. 

A diferença mais visível está na capacidade de guardar dinheiro: a fatia de quem poupa regularmente vai de 13% entre os “Apertados” a 85% entre os “Consolidados”.

Veja, a seguir, os quatro perfis financeiros.

Fluxo de caixa, reservas e custo do crédito também definem a saúde financeira das empresas, e estão no centro do MBA Executivo em Finanças da Saint Paul. A estrutura do programa está nesta página

1. Apertados: sem margem para imprevistos

Um em cada cinco trabalhadores está no grupo de maior pressão financeira. Os “Apertados” têm idade média de 41 anos, e 70% deles são mulheres. Só 13% conseguem poupar com regularidade, e apenas 12% terminam o mês com dinheiro sobrando.

A autoavaliação reflete o aperto. Nenhum participante do grupo deu nota 9 ou 10 ao próprio controle financeiro, e 72% se deram nota 6 ou menos. A média ficou em 5,53, a mais baixa entre os perfis, segundo o estudo. 

Mais da metade, 55%, teve o nome negativado nos últimos 12 meses. Sem reserva, o crédito vira a saída nas emergências.

2. Vivem o agora: o paradoxo da autoconfiança

É o menor e mais jovem dos grupos, com idade média de 36 anos e leve predominância masculina, de 52%. Os “Vivem o agora” se dão nota 7,23 na organização financeira, quase a mesma dos que planejam o futuro com disciplina.

Os números contradizem a percepção. O grupo tem o maior índice de negativação da pesquisa: 66% tiveram o nome incluído em cadastros de inadimplentes nos últimos 12 meses, e 55% estão com contas em atraso hoje. Só 31% poupam regularmente.

3. Organizando o futuro: a mesma renda, outro resultado

Os “Organizando o futuro” representam um terço dos trabalhadores, têm idade média de 39 anos e são, em sua maioria, mulheres (61%). Mais da metade, 55%, consegue poupar, e a inadimplência fica em 18%, uma distância de 37 pontos percentuais em relação aos “Vivem o agora”.

O dado mais revelador do estudo está na comparação deste grupo com os “Apertados”. Os dois têm perfil de renda parecido: 47% dos “Organizando o futuro” e 43% dos “Apertados” ganham entre dois e quatro salários mínimos. Mesmo assim, 47% dos primeiros chegam ao fim do mês com dinheiro sobrando, quase quatro vezes a proporção do grupo mais pressionado.

O hábito de parcelar também é parecido. Para 88% dos “Organizando o futuro” e 91% dos “Apertados”, parcelar é a única forma de comprar certos produtos. O que muda é o planejamento que vem antes da compra.

4. Consolidados: quem tem a opção de guardar

O maior grupo da pesquisa reúne profissionais em fase mais estável da carreira, com idade média de 43 anos e 56% de mulheres. 

Entre os “Consolidados”, 85% poupam regularmente, o endividamento é baixo e só 6% tiveram o nome negativado no último ano. A nota que dão à própria organização financeira é a mais alta: 8,45.

Gestão de liquidez, risco de crédito e finanças corporativas fazem parte da grade do MBA Executivo em Finanças da Saint Paul. O programa completo está aqui

O crédito separa os perfis

A forma de usar o crédito ajuda a explicar a distância entre os grupos. Segundo a Serasa, os “Apertados” tendem a recorrer a empréstimos em situações de emergência, enquanto os “Consolidados” comparam opções antes de contratar.

Quem tem reserva consegue escolher o dinheiro mais barato. Quem não tem aceita o que estiver disponível.

A IA chegou a todos os perfis, com usos diferentes

A inteligência artificial já faz parte da vida financeira dos trabalhadores. Seis em cada dez usaram ferramentas de IA para tirar dúvidas sobre dinheiro, e 74% confiariam nelas para apoiar decisões financeiras. O uso é maior entre os “Vivem o agora”, com 73%, e menor entre os “Apertados”, com 50%.

O objetivo muda conforme o perfil. Entre os “Apertados”, 44% usam a IA para renegociar ou organizar dívidas, contra 12% dos “Consolidados”. Estes recorrem à tecnologia principalmente para aprender sobre investimentos, caso de 66% do grupo, contra 48% dos “Apertados”.

Os perfis financeiros dos trabalhadores brasileiros vão além do salário

O estudo foi produzido pela área da Serasa que atende departamentos de recursos humanos, e a empresa usa os perfis para orientar ações de bem-estar financeiro dentro das companhias. 

O retrato conversa com outros indicadores nacionais. No Índice de Saúde Financeira do Brasileiro, calculado pela Febraban em cooperação com o Banco Central, 67,2% da população se diz insegura sobre o futuro financeiro, e só 32,4% conseguiriam arcar com uma despesa inesperada de valor alto.

A lição da pesquisa vale também para as empresas. Faturamento, assim como salário, não garante caixa. Prazos, reservas e o custo do dinheiro usado definem quem atravessa um imprevisto e quem depende de crédito caro para seguir operando. 

Dar nota 7 a si mesmo é fácil. O extrato bancário costuma ser um avaliador mais rigoroso.

Para líderes que tomam decisões financeiras e conduzem equipes, o MBA Executivo em Finanças da Saint Paul reúne programa, corpo docente e processo de admissão nesta página

AutorGabriella Uota
FonteExame
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