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19/08/2026
6 min

Em recuperação no Brasil, Havanna tem prejuízo na Argentina e aposta no Messi para voltar a crescer

A fabricante de alfajores fechou o segundo trimestre com perda de 747 milhões de pesos depois de um ano de lucro

Em recuperação no Brasil, Havanna tem prejuízo na Argentina e aposta no Messi para voltar a crescer

Dona de uma das marcas de alfajores mais conhecidas do mundo, a Havanna fechou o segundo trimestre do ano no prejuízo na Argentina.

A holding da companhia perdeu 819 milhões de pesos argentinos entre abril e junho de 2026. No mesmo período do ano passado, havia lucrado 849 milhões de pesos. As vendas também recuaram: caíram 9,7%, de 35,7 bilhões para 32,3 bilhões de pesos.

Os números aparecem num momento em que a marca enfrenta pressão também no Brasil.

A operação brasileira da Havanna está incluída em uma recuperação extrajudicial que reúne seis empresas do grupo de seu controlador e negocia 127 milhões de reais em dívidas. A empresa afirma que o problema vem de obrigações assumidas por outras companhias do grupo e que seu negócio no país continua crescendo.

"Em um contexto de menor atividade e margens mais ajustadas", a Havanna manteve resultado operacional positivo de 1,47 bilhão de pesos no segundo trimestre, afirma a companhia no balanço. Um ano antes, eram 3,41 bilhões de pesos.

Para voltar a ganhar ritmo, a empresa colocou Lionel Messi no centro de uma nova frente de produtos. Em junho, assinou um acordo de colaboração com o jogador e começou a desenvolver uma linha de alfajores que pretende levar da Argentina para outros mercados.

O que aconteceu com as vendas da Havanna

O prejuízo ficou concentrado no segundo trimestre. No acumulado dos seis primeiros meses de 2026, a Havanna Holding ainda teve lucro de 7,75 bilhões de pesos argentinos. O número, porém, ficou 15% abaixo dos 9,1 bilhões de pesos registrados no mesmo período do ano passado.

A receita do semestre também caiu. Passou de 90,2 bilhões para 87,2 bilhões de pesos, uma retração de 3,4%.

O balanço é apresentado em pesos corrigidos pela inflação até junho de 2026. Isso permite comparar os períodos sem que a alta dos preços na Argentina distorça sozinha a evolução das vendas.

O movimento fica mais claro quando se olha para o volume.

A Havanna vendeu 2,53 milhões de quilos de alfajores, biscoitos e Havannets no primeiro semestre. Um ano antes, eram 2,40 milhões de quilos. É um crescimento de 5,2% na quantidade vendida, mesmo com queda da receita.

A explicação está, em parte, na política de preços. A companhia diz que evitou repassar integralmente a inflação para os consumidores. O objetivo, segundo o balanço, foi preservar o acesso aos produtos e sustentar as vendas em um momento de consumo mais pressionado.

A estratégia ajudou a vender mais produto, mas colocou pressão sobre as margens.

No segundo trimestre, o lucro bruto caiu 11,8%. Já o lucro operacional recuou 57%, de 3,41 bilhões para 1,47 bilhão de pesos.

As despesas financeiras também pesaram. Os resultados financeiros e o efeito da inflação sobre a posição monetária da empresa ficaram negativos em 2,1 bilhões de pesos no trimestre.

Esse valor foi suficiente para transformar o lucro operacional em prejuízo no fim da linha.

Qual é o cenário da Argentina

O balanço da Havanna aparece em um momento peculiar da economia argentina.

A inflação caiu de forma forte desde o começo do governo Javier Milei. O país terminou 2023 com inflação de 211,4%. O índice caiu para 117,8% em 2024 e para 31,5% em 2025.

A velocidade da melhora, porém, perdeu força em 2026.

Nos seis primeiros meses do ano, a inflação acumulada chegou a 13,5%, segundo os próprios dados citados pela Havanna em seu balanço.

Para uma marca como a Havanna, isso aparece de forma concreta no caixa do consumidor. Com menos espaço no orçamento, o cliente passa a olhar mais preço, promoção e tamanho da compra. Para a empresa, subir a tabela demais significa correr o risco de vender menos.

A Havanna decidiu segurar parte dos reajustes. O resultado está no balanço: mais quilos vendidos, mas menos receita em termos reais.

Onde entra Lionel Messi

É nesse cenário que aparece Lionel Messi.

A Havanna assinou em junho um acordo de colaboração com o jogador.

O plano não se limita a uma campanha publicitária. A empresa quer construir uma plataforma de produtos baseada principalmente em alfajores e usar a imagem do jogador para abrir espaço em novos canais e países.

O primeiro lançamento foi um pouch, embalagem flexível em formato de pacote, com mini alfajores de chocolate. A embalagem foi inspirada na trajetória de Messi e destaca alguns dos recordes alcançados pelo jogador ao longo da carreira. O produto já começou a ser vendido no Chile e no Paraguai.

Agora, a Havanna pretende levar os primeiros produtos desenvolvidos com Messi também para os Estados Unidos e para a Europa. A companhia cita a parceria entre as prioridades comerciais para os próximos meses.

Na Espanha, por exemplo, a empresa negocia uma participação na Semana Argentina do Carrefour. Se o projeto avançar, existe a possibilidade de ampliar posteriormente a venda dos produtos Havanna para uma rede de 180 lojas da varejista no país.

A expansão internacional virou outra peça dessa estratégia. Nos Estados Unidos, a Havanna já vende produtos em redes como Costco, Publix e The Fresh Market. No último trimestre, também acrescentou a Wild Fork à lista de clientes.

No México, a companhia diz que aumentou as exportações para a Costco. Na Espanha, prepara o início das operações comerciais de sua primeira fábrica na Europa. A unidade entrou na etapa final de implantação no segundo trimestre, com testes e produção dos primeiros lotes. A fábrica deve abastecer o mercado europeu e apoiar a expansão para outras regiões.

E o Brasil?

No Brasil, a situação tem outra origem.

A operação local da Havanna está incluída em uma recuperação extrajudicial apresentada por um grupo de seis empresas controladas pelo empresário Marcos Rothenberg. As dívidas em negociação somam 127 milhões de reais.

A Havanna afirma que não enfrenta uma crise operacional ou financeira própria. Segundo a companhia, a operação entrou na recuperação por ser solidária em obrigações de outras empresas do grupo.

O plano apresentado prevê deságio de 95% para parte dos credores. Na prática, eles receberiam 5% do valor devido. Ao mesmo tempo, a empresa diz que continua expandindo sua presença no Brasil.

Segundo a operação brasileira, mais de 30 novos pontos foram abertos no primeiro semestre de 2026. O plano é superar 700 pontos de venda até 2030.

A holding argentina também continua olhando para o país como mercado de expansão. No segundo trimestre, informou ter levado seus produtos para as 60 lojas do Sam's Club no Brasil. Os problemas dos dois lados da fronteira, portanto, têm naturezas diferentes.

No Brasil, a Havanna tenta separar sua operação das dívidas acumuladas por outras empresas do grupo controlador. Na Argentina, o desafio aparece dentro do próprio balanço: as vendas caíram, a margem encolheu e o segundo trimestre terminou no vermelho.

A aposta agora é que novos mercados, novos canais e um dos argentinos mais conhecidos do planeta ajudem a mudar esses números.

AutorDaniel Giussani
FonteExame
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