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NegóciosMPOL
17/08/2026
8 min

Em um mercado saturado de IA genérica, a Mindsight aposta que o próximo passo do RH é outro

A nova plataforma AI Native da Mindsight aprende com o contexto de cada empresa, recomenda e executa processos inteiros, mantendo o humano no controle de cada decisão.

Em um mercado saturado de IA genérica, a Mindsight aposta que o próximo passo do RH é outro

Nos últimos dois anos, quase todo produto de tecnologia para RH passou a anunciar alguma camada de IA. Para Thaylan Toth, fundador e CEO da Mindsight, isso tornou quase impossível distinguir grandes inovações de meras funcionalidades genéricas incluídas em sistemas antigos.

Foi essa leitura que levou a Mindsight, empresa brasileira de tecnologia para a área de recursos humanos usada por mais de 600 companhias no país, entre elas Ambev, Azul, Cacau Show e Clickbus, a reconstruir sua plataforma do zero. A nova versão acaba de ser lançada.

Ser um parceiro que ajuda o RH a ser mais estratégico continua sendo a proposta. O que muda, segundo a companhia, é a maneira como a inteligência artificial atua no sistema. Agora, a IA está na arquitetura, operando tudo de ponta a ponta (um mecanismo que o mercado chama de AI-native).

Na prática, o profissional de RH descreve, em texto ou em áudio, o problema que precisa resolver. O sistema parte do que tem de informações sobre a empresa, monta o processo, recomenda boas práticas com base em metodologias da psicologia organizacional e, principalmente, executa as funções.

A diferença está no contexto. Descrever um problema em texto já faz parte da rotina de quem usa ferramentas de inteligência artificial. Mas existe uma diferença importante entre pedir uma resposta a uma IA genérica e fazer esse pedido dentro da plataforma da Mindsight.

Por exemplo: se um profissional de RH pedir a uma IA genérica para criar uma pesquisa de clima para o time comercial, ela poderá elaborar um questionário com base em informações gerais disponíveis na internet. Já na Mindsight, além das boas práticas de psicologia organizacional, a ferramenta considera a realidade daquela empresa: sua cultura e valores, seu histórico de pesquisas anteriores, estrutura de equipes e até desafios documentados que a empresa já reconhece.

Ou seja, a IA não parte apenas de um conhecimento genérico sobre RH. Ela usa os dados e o contexto da própria empresa para construir o processo.

Isso vale para toda a jornada do colaborador: recrutamento e seleção, gestão de desempenho, engajamento e retenção. Processos que hoje consomem horas passam a ser montados em minutos e de maneira extremamente personalizada.

A bagagem de conhecimento por trás

A aposta tem a ver com a origem da companhia. Fundada em 2015, a Mindsight nasceu da psicologia organizacional aplicada e construiu sua reputação no mercado de testes para mapeamento comportamental pela profundidade e solidez de suas soluções, antes de expandir a atuação para todo o ciclo de gestão de talentos.

A trajetória do fundador ajuda a explicar o caminho. Ex-executivo de RH na Stone Pagamentos, Toth é mestre em Psicologia Organizacional pela Columbia University e mestre em Ciência de Dados e Inteligência Artificial por Harvard, combinação incomum em um mercado no qual quem entende de gente raramente entende de dados, e vice-versa. Foi esse rigor científico que manteve a empresa fora de duas ondas do setor de avaliação comportamental, a dos assessments gamificados e a da análise de perfil por redes sociais, por falta de evidência científica. "Teste psicométrico é uma coisa técnica. Não é algo que um startupeiro do Vale do Silício resolve num fim de semana", diz.

Com a inteligência artificial, a conclusão foi oposta. Depois da última edição da SIOP, maior conferência de psicologia organizacional do mundo, em abril deste ano, a leitura da companhia foi de que a tecnologia havia amadurecido o suficiente para operar sem perda de validade. Foi o que motivou a decisão de reconstruir a plataforma do zero.

Como empresas médias ganham com um RH estratégico

Por trás do lançamento, a companhia sustenta a tese de que o RH sempre quis fazer um trabalho estratégico, mas raramente teve meios para isso, especialmente nas empresas pequenas e médias, onde a área opera com equipe enxuta.

Faltava tempo, porque o dia é consumido pela operação e o trabalho de maior impacto fica para “quando der”. Faltava método, porque uma pesquisa de clima que serve para decidir algo não é um formulário qualquer. E faltava contexto de negócio, porque cruzar dados de gente com a realidade da empresa exige juntar informação espalhada em cinco sistemas. São recursos que a empresa grande consegue comprar, mas as menores, não.

Ao montar o processo e recomendar o caminho, a IA devolve à área o tempo, o método e o contexto que sempre faltaram para operar em alto nível. Toth cita alguns exemplos do que isso destrava: agir no momento em que a questão aparece, chegar à diretoria com planos de ação em andamento em vez de problemas em aberto, antecipar riscos de saída antes que virem pedido de demissão e conectar critérios que hoje vivem isolados, como contratação e desempenho.

"O que mais escuto nossos clientes celebrarem é quando finalmente conseguem entregar algo que nunca tinham conseguido antes: aplicar pesquisas de forma mais frequente, o programa de desenvolvimento que não saía do papel", conta. "Processos mais rápidos têm valor, mas o que muda o jogo para o RH é olhar as pessoas como um todo e conectar essas informações para resolver problemas reais do negócio”.

A mudança não fica restrita ao RH. As lideranças da empresa também contam com uma interface dedicada, onde encontram reunido em um só lugar tudo o que precisa ser feito em relação ao time: avaliações ou pesquisas que precisam responder, os pontos de atenção sinalizados na equipe, os planos de desenvolvimento em andamento e as ações que dependem da sua aprovação. É o que permite ao líder entender o clima da própria equipe, preparar uma conversa de desempenho ou acompanhar a evolução de alguém sem depender da agenda do RH.

O que muda na prática com a nova arquitetura

O ganho de tempo aparece em números. Uma pesquisa de clima que levava até 120 minutos fica pronta em cerca de cinco; uma avaliação de desempenho, que normalmente exige rodadas de calibração entre gestores e comitês, tem o tempo de montagem reduzido em até 97%; e relatórios que dependiam de consolidar dados de várias origens saem em menos de cinco minutos.

Toth reforça, porém, que a métrica não é o ponto principal do relançamento. "O que estamos tentando fazer não é apenas automatizar tarefas", afirma. "É mudar o patamar do que a profissão consegue entregar. Pensa que agora você vai ter uma área de gente muito boa, sem depender de uma estrutura que hoje só a empresa grande consegue montar. Imagine que cada pessoa do seu RH tem uma equipe robusta ao lado dela, trabalhando o tempo inteiro. Onde ela está? Ela está no sistema", explica o executivo.

Na leitura dele, encurtar o tempo de montagem de um processo, diz, é a parte fácil. O mais difícil, e o que a empresa afirma ter perseguido nos últimos anos, é dar à área ferramentas para atuar como a diretoria espera: com dados, método e visão de negócio.

O RH brasileiro ainda está atrás no uso de IA

A urgência da Mindsight em lançar essa nova versão tem respaldo em um levantamento próprio, feito com mais de 70 profissionais e líderes de RH no Brasil: enquanto 37% das empresas já têm alguma iniciativa de IA em execução, apenas 18% dos times de RH chegaram a esse estágio.

O que trava esses profissionais, mostra a pesquisa, não é resistência à tecnologia. É a insegurança sobre o caminho: 53% dizem temer não estar escolhendo a ferramenta certa, 58% afirmam que o que mais ajudaria, antes de qualquer decisão, é ver casos reais de empresas que já passaram por isso, e 40,5% temem errar na governança, tratamento de dados e LGPD.

Esse último ponto, segundo a Mindsight, foi tratado na arquitetura da nova solução, garantindo privacidade e rastreabilidade: nenhuma informação sensível fica retida pela IA nem alimenta modelo de terceiros, e o dado da empresa continua sendo da empresa. O sistema lê e interpreta o que precisa para trabalhar, mas não altera, move ou exclui nada sem uma ação do usuário.

A dor mais citada por esse grupo, porém, ainda é a mais elementar: automação de tarefas administrativas repetitivas. Tomado isoladamente, esse dado poderia sugerir que a expectativa do RH brasileiro com inteligência artificial é só alívio operacional.

Para a Mindsight, não é bem assim: resolver o que consome tempo hoje é o que abre espaço para o trabalho que, segundo Toth, só um ser humano sabe fazer.

Como conhecer a nova plataforma

A nova versão já está disponível e os interessados podem agendar uma demonstração pelo site da Mindsight, em que um especialista apresenta a plataforma aplicada ao contexto da própria empresa.

O levantamento completo com o panorama do uso de IA no RH brasileiro está disponível neste link.

AutorExame Brand Solutions
FonteExame
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