Em US$ 61 mil, bitcoin testa uma das regiões mais importantes do ciclo

Nesta quarta-feira, 24, o bitcoin é negociado na casa dos US$ 61 mil, acumulando queda de mais de 50% desde a sua máxima histórica de US$ 126 mil em outubro de 2025. Enquanto o mercado de ações de tecnologia e o cenário macroeconômico exercem impacto também nas cotações de ativos digitais, a maior criptomoeda do mundo testa uma das regiões mais importantes do ciclo, segundo um vice-presidente de negócios cripto do Mercado Bitcoin.
No momento, o bitcoin é cotado a US$ 61.077, com queda de 2,8% nas últimas 24 horas, segundo dados do CoinMarketCap. Nos últimos trinta dias, a criptomoeda teve queda de mais de 21%.
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"O bitcoin continua lutando para se manter acima da média móvel simples de 200 semanas, atualmente situada próxima dos US$ 62,4 mil, praticamente o mesmo patamar em que o ativo negocia neste momento", disse Fabrício Tota, vice-presidente de negócios cripto do Mercado Bitcoin.
"Apesar da pressão, vale destacar que essa região tem um histórico importante. Ela ajudou a marcar os fundos dos ciclos de baixa de 2015 e 2018 e, mesmo em 2022, quando foi rompida temporariamente, o mercado já se encontrava muito próximo do fundo definitivo daquele ciclo", acrescentou.
A principal pressão do mercado cripto
Fabrício Tota afirmou ainda que a principal pressão atuando no momento vem de fora do mercado cripto, mencionando a queda do índice Nasdaq e a correção das empresas de inteligência artificial (IA) e semicondutores.
"Por isso, mais do que olhar apenas para o bitcoin, será fundamental acompanhar o comportamento das ações de tecnologia nos próximos dias. Uma recuperação desse grupo tende a facilitar a defesa da região dos US$ 62 mil. Já uma nova rodada de vendas pode aumentar significativamente a probabilidade de revisitar os US$ 60 mil", disse.
Um dos maiores desafios para os mercados
Fabrício Tota apontou que um dos principais desafios para os mercados é a mudança de expectativa em relação aos juros norte-americanos após o primeira reunião do Comitê Federal do Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) presidido por Kevin Warsh.
"Desde a reunião, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas globais, avançou mais de 2%, um movimento bastante expressivo para esse indicador em um período tão curto. Essa valorização do dólar reflete justamente um mercado mais convencido de que os juros permanecerão elevados por mais tempo", disse.
Mercado volta a apostar em juros mais altos
O vice-presidente de negócios cripto do Mercado Bitcoin trouxe dados de que investidores já atribuem aproximadamente 90% de probabilidade para uma alta de 25 pontos-base até setembro. Além disso, ele apontou que a expectativa de uma segunda elevação de juros, possivelmente a partir de março de 2027, voltou a ganhar força.
"Essa dinâmica ajuda a explicar não apenas a pressão sobre o bitcoin, mas também a correção observada em ações, ouro, prata e outros ativos sensíveis à liquidez global. A lógica é simples: juros mais altos tornam aplicações de renda fixa mais atrativas, drenam liquidez dos mercados e aumentam o custo do crédito para empresas e consumidores", concluiu.
