Embraer entrega um avião por dia útil no 3º tri e bate recorde para o período
Jatos executivos respondem por 41 das 66 entregas, e aviação comercial cresce 10% puxada pelo E175

A Embraer (EMBJ3) entregou 66 aeronaves no terceiro trimestre de 2026, o melhor resultado para o período em sua história. O volume é 6% maior que o do mesmo trimestre de 2025 e 2% superior ao do segundo trimestre deste ano. No acumulado de nove meses, a fabricante soma 175 entregas, alta de 14% sobre as 153 de igual período do ano passado.
Entregas mais distribuídas ao longo do ano
Em 2025, ano de receita recorde para a companhia, a Embraer entregou 30, 61, 62 e 91 aviões em cada trimestre. O último deles concentrou 37% das 244 entregas do ano. Em 2026, a sequência até aqui é de 44, 65 e 66 aeronaves. No primeiro semestre, foram 109 entregas, 20% a mais que as 91 de um ano antes.
A companhia atribui o desempenho ao seu programa de nivelamento da produção, que, segundo o comunicado, vem reduzindo gradualmente nos últimos dois anos a concentração das entregas no segundo semestre.

Na aviação comercial, o E175 responde pelo avanço
A unidade de Aviação Comercial entregou 22 jatos no trimestre, 10% a mais que os 20 do terceiro trimestre de 2025 e do segundo trimestre de 2026. Foram 11 unidades do E175 e 11 da família E2, sendo 4 E190-E2 e 7 E195-E2.
No acumulado do ano, as entregas comerciais somam 52 aeronaves, contra 46 em 2025. O crescimento veio do E175, que passou de 20 para 27 unidades. A família E2 somou 25 entregas, uma a menos que no mesmo período do ano anterior. Dentro dela, o E190-E2 subiu de 3 para 9 unidades e o E195-E2 caiu de 23 para 16.
Na carteira de pedidos, a proporção é outra. Os E2 representavam 61% da carteira comercial no fim do primeiro trimestre, segundo relatório da companhia, e o programa ultrapassou a marca de 500 pedidos firmes em junho. Em julho, no Farnborough Airshow, a Embraer anunciou 28 novos pedidos firmes de jatos E2, que devem ser incorporados à carteira do terceiro trimestre, parte deles sujeita a condições contratuais.
A Aviação Comercial é a unidade de menor margem da Embraer. No segundo trimestre, a margem EBIT ajustada do segmento foi de 2,9%, ante 4,2% um ano antes, queda que a empresa atribuiu principalmente ao mix de clientes, com contratos antigos.
Executiva estável no trimestre, com jatos médios em alta no ano
A Aviação Executiva entregou 41 jatos no terceiro trimestre, o mesmo número de um ano antes. No acumulado, são 115 aeronaves, 13% acima das 102 de 2025.
Os jatos médios cresceram mais que os pequenos. A linha Praetor somou 53 entregas em nove meses, alta de 20%, com o Praetor 500 passando de 22 para 27 unidades e o Praetor 600 de 22 para 26. Entre os jatos pequenos, a alta foi de 7%, para 62 unidades, com o Phenom 300 subindo de 49 para 55 e o Phenom 100 recuando de 9 para 7.
No balanço do segundo trimestre, a Embraer atribuiu a alta de 19% na receita da unidade ao maior volume de entregas e a um mix favorável de produtos. A carteira da Aviação Executiva era de US$ 7,8 bilhões em junho, 5% acima de um ano antes.
Defesa entrega pouco, enquanto a carteira cresce
Em Defesa & Segurança, foram 3 aeronaves no trimestre, um cargueiro militar KC-390 Millennium e dois A-29 Super Tucano, contra uma entrega um ano antes. No ano, são 8 aviões, ante 5.
A carteira do segmento chegou a US$ 6,1 bilhões em junho, alta de 42% em um ano, puxada pela encomenda de C-390 feita pelos Emirados Árabes Unidos. Como a receita do KC-390 é reconhecida conforme o estágio de produção, pelo método de porcentagem de conclusão, o faturamento da unidade não acompanha apenas as entregas. No segundo trimestre, a receita de Defesa cresceu 22% sem nenhum avião entregue.
O que falta para cumprir a meta do ano
A Embraer manteve a projeção de entregar entre 80 e 85 jatos comerciais e entre 160 e 170 executivos em 2026, crescimento de 6% no ponto médio das duas faixas. Para chegar lá, precisa entregar no quarto trimestre entre 28 e 33 aeronaves comerciais e entre 45 e 55 executivas. No quarto trimestre de 2025, foram 32 e 53, respectivamente.
Em agosto, com o balanço do segundo trimestre, a empresa elevou as projeções financeiras do ano. A margem EBIT ajustada esperada passou para a faixa de 10,0% a 10,6%, ante 8,7% a 9,3%, e a geração de caixa livre ajustada para US$ 400 milhões ou mais, ante US$ 200 milhões. Segundo a companhia, a revisão inclui um crédito tributário extraordinário de US$ 68 milhões e a isenção de tarifas de importação dos Estados Unidos no segundo semestre.
O comunicado desta sexta-feira não traz a carteira de pedidos do terceiro trimestre. No fim de junho, ela somava US$ 34,5 bilhões, o sétimo recorde trimestral consecutivo.
A EMBJ3 acumula alta de 9,5% em 2026 até o fechamento de 1º de outubro, a R$ 97,03, enquanto o Ibovespa avançou 16,2% no mesmo período. O papel chegou a cair 22,5% no ano em maio, quando fechou a R$ 68,64, e desde então subiu 41%.

