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InvestMercados
01/07/2026
4 min

Emprego nos EUA e PMIs industriais globais: o que move os mercados

Emprego nos EUA e PMIs industriais globais: o que move os mercados

Os investidores iniciam julho com uma agenda carregada de indicadores econômicos que podem ditar o rumo dos mercados ao longo do dia.

Depois de um encerramento de semestre marcado por realização de lucros na bolsa brasileira, ajustes de carteira e fortalecimento do dólar, as atenções desta quarta-feira, 1º, se voltam principalmente para os dados de atividade industrial e do mercado de trabalho nos Estados Unidos, além de indicadores da Europa e do Brasil.

O que acompanhar

O principal destaque da agenda será a divulgação, às 9h15 (horário de Brasília), do relatório ADP, que mede a criação de vagas no setor privado americano. O mercado espera a abertura de 118 mil postos de trabalho em junho, após a criação de 122 mil vagas em maio. O indicador costuma servir como um termômetro para o payroll, principal relatório de emprego dos Estados Unidos, e pode influenciar as expectativas para os próximos passos da política monetária do Federal Reserve.

Ainda nos Estados Unidos, os investidores acompanharão uma sequência de indicadores sobre a indústria. Às 10h45 será divulgado o PMI Industrial da S&P Global, cuja projeção é de alta para 55,7 pontos, acima dos 55,1 registrados anteriormente.

Pouco depois, às 11h, o ISM divulgará seu PMI Industrial, com expectativa de leve recuo para 53,8 pontos, ante 54 pontos na leitura anterior, mantendo, ainda assim, o setor em território de expansão.

Também entram no radar, às 11h30, os dados semanais de estoques de petróleo bruto nos Estados Unidos. A expectativa é de redução de 4,8 milhões de barris, após queda de 6,088 milhões na divulgação anterior, indicador que costuma influenciar os preços internacionais da commodity e, consequentemente, ações ligadas ao setor de petróleo.

Na Europa, o dia começa com a divulgação do PMI Industrial da zona do euro, às 5h, seguido pela prévia da inflação ao consumidor (CPI) de junho, às 6h. A expectativa é de desaceleração da inflação anual de 3,2% para 3,0%, enquanto o núcleo do índice deve passar de 2,6% para 2,5%.

Ao longo da manhã, o mercado também acompanhará discursos da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, às 10h e às 11h30, em busca de sinais sobre os próximos movimentos da política monetária da região.

Agenda no Brasil

No Brasil, a agenda traz dados de crédito e atividade. Às 8h30, o Banco Central divulga as estatísticas de empréstimos bancários referentes a maio, após alta de 0,3% registrada em abril.

Às 10h, será conhecido o PMI Industrial brasileiro, que em maio ficou em 49,1 pontos, indicando contração da atividade manufatureira. Já às 14h30, o BC publica o fluxo cambial semanal, depois de o país registrar ingresso líquido de US$ 4,066 bilhões na última leitura.

No cenário político, investidores também acompanham a divulgação da nova pesquisa AtlasIntel sobre a eleição presidencial, além do debate no plenário do Senado sobre o fim da escala de trabalho 6x1.

Na Câmara dos Deputados, a Comissão de Desenvolvimento Econômico realiza audiência pública para discutir o marco regulatório das stablecoins, com participação de representantes do Banco Central. Também termina nesta quarta-feira o prazo para que setores brasileiros enviem comentários sobre a proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar tarifa de 25% sobre exportações brasileiras.

O mercado chega à nova sessão após um fechamento de semestre marcado por cautela. Na terça, 30, o Ibovespa caiu 0,68%, aos 172.024,12 pontos, pressionado por ajustes típicos de fim de semestre e por um fluxo mais fraco de capital estrangeiro. Junho terminou como o quarto mês consecutivo de queda para o índice, com recuo de 1,01%. Ainda assim, no acumulado dos seis primeiros meses de 2026, a bolsa brasileira registra valorização de 6,76%.

Odólar, por sua vez, recuou 0,23% no último pregão, encerrando cotado a R$ 5,1630. Apesar da queda diária, a moeda americana acumulou alta de 2,39% em junho, registrando o segundo mês seguido de valorização frente ao real. No acumulado do primeiro semestre, entretanto, o dólar ainda apresenta desvalorização de 5,94% em relação à moeda brasileira.

Na avaliação do mercado, julho marca uma mudança de foco para os investidores. Depois de um primeiro semestre influenciado pelo conflito no Oriente Médio, pelos preços do petróleo e pelo fluxo estrangeiro, a tendência é que os mercados passem a reagir principalmente aos rumos da política monetária nos Estados Unidos e no Brasil, além do avanço da agenda política doméstica e do calendário eleitoral.

AutorClara Assunção
FonteExame
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