Emprego nos EUA, juros na Inglaterra e pesquisas eleitorais: o que move os mercados
Depois das decisões de juros no Brasil e nos EUA, emprego americano e inflação no exterior entram no radar dos investidores

A agenda econômica desta quinta-feira, 17, vem na esteira das decisões de juros dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos.
Depois de oFederal Reserve (Fed) elevar os juros americanos em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, e de o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a Selic na mesma magnitude, para 13,75%, os investidores passam a acompanhar os indicadores que ajudam a calibrar as expectativas para os próximos passos da política monetária.
O que acompanhar
Na Europa, o destaque da manhã fica com os dados finais de inflação de agosto. Às 6h, o Eurostat divulga o índice de preços ao consumidor (CPI) da zona do euro e seu núcleo, que exclui itens mais voláteis.
Em julho, a inflação havia avançado 0,2% na comparação mensal e 2,9% em 12 meses, enquanto o núcleo acumulava alta de 2,5% em um ano. Os números entram no radar dos investidores após a trajetória recente de juros do Banco Central Europeu.
Às 8h, o Banco da Inglaterra (BoE) anuncia sua decisão de política monetária. Em julho, a autoridade havia mantido a taxa de juros em 3,75% ao ano. A decisão desta quinta-feira será acompanhada pelo mercado em busca de sinais sobre o ritmo da política monetária britânica e os próximos passos do banco central.
Nos Estados Unidos, os primeiros indicadores relevantes saem às 9h30. O Census Bureau divulga as permissões para construção de agosto, dado que ajuda a medir o ritmo da atividade no setor imobiliário. Em julho, o indicador havia avançado 4,3% na comparação mensal.
No mesmo horário, o Departamento do Trabalho americano apresenta os pedidos iniciais de seguro-desemprego referentes à semana encerrada em 11 de setembro. Na semana anterior, foram registrados 206 mil pedidos. O mercado acompanha o dado especialmente após a decisão do Fed, que justificou a alta dos juros também pela avaliação de que a economia americana continua crescendo em ritmo sólido e de que o mercado de trabalho permanece equilibrado.
Mais tarde, às 11h, saem as vendas de moradias pendentes de agosto, outro indicador importante para medir a atividade do setor imobiliário americano. Em julho, o índice havia recuado 2,3% na comparação mensal e 2,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Os indicadores americanos ganham importância nesta quinta-feira justamente porque o Fed acabou de elevar os juros pela primeira vez desde 2023. A decisão já era esperada pelo mercado, mas a atenção agora se volta para a trajetória à frente e para os dados que podem influenciar as próximas decisões da autoridade monetária.
No Brasil, o Copom também encerrou sua reunião na quarta-feira com um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 13,75% ao ano. Foi a quinta redução dos juros brasileiros neste ano. Apesar do corte, o Banco Central manteve uma comunicação cautelosa, destacando as incertezas do ambiente externo, a volatilidade nos preços de ativos e commodities e a necessidade de acompanhar a evolução da atividade doméstica.
No mercado doméstico, às 11h30, o Tesouro Nacional realiza leilão de NTN-F e LTN. O resultado será acompanhado pelos investidores de renda fixa e pode ajudar a indicar como o mercado está precificando o cenário de juros e risco doméstico.
Nos Estados Unidos, às 14h, o Tesouro realiza leilão de TIPS de dez anos, títulos protegidos contra a inflação. A operação também entra no radar dos mercados de juros, especialmente após a decisão do Fed.
O petróleo também permanece entre os fatores externos acompanhados pelos investidores brasileiros. A commodity recuou na quarta-feira após dois dias de alta, em meio à notícia de que a Arábia Saudita interceptou ataques de drones lançados pelos houthis e realizou ofensivas contra alvos no Iêmen. Apesar da queda, o petróleo continua acima dos US$ 100.
No pregão de quarta-feira, o Ibovespa caiu 0,51%, aos 185.547 pontos, enquanto o dólar recuou 0,06%, a R$ 5,151. Vale e Petrobras pesaram sobre o índice, com quedas superiores a 2% e 3%, respectivamente.Na noite desta quinta, às 20h30, o Japão divulga o CPI de agosto. Em julho, a inflação havia avançado 0,4% na comparação mensal e 2% em 12 meses. O dado será acompanhado pelos investidores em meio às discussões sobre a trajetória dos juros japoneses e seus impactos sobre os mercados globais.
Novas pesquisas eleitorais
Além da agenda econômica, o mercado brasileiro também acompanha a agenda política.
Estão previstas para esta quinta-feira as divulgações de pesquisas Gerp, Datafolha, PoderData, AtlasIntel e Futura sobre a eleição presidencial. Também estão previstas pesquisas AtlasIntel para os governos e o Senado em Pernambuco e no Ceará.