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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
26/10/2026
6 min

Empresa brasileira de R$ 2,6 bilhões leva operação de emergências aeroportuárias para a Europa

Com atuação em 54 aeroportos e 46 rodovias, grupo investe na expansão internacional e no mercado brasileiro para alcançar R$ 8 bilhões em contratos até 2030

Empresa brasileira de R$ 2,6 bilhões leva operação de emergências aeroportuárias para a Europa

Aeroportos e rodovias dependem de equipes preparadas para responder a acidentes, emergências médicas e incêndios. Ao mesmo tempo, concessionárias precisam controlar custos e cumprir exigências regulatórias que variam de acordo com o país. O Grupo Med+, empresa brasileira de terceirização de serviços especializados, construiu sua operação nesse segmento e hoje atende 54 aeroportos e 46 rodovias concessionadas no Brasil.

A empresa tem quase 25 mil quilômetros de estradas sob sua responsabilidade e estima que sua atuação alcance cerca de 56 milhões de pessoas que circulam diariamente pelos eixos logísticos atendidos.

Depois de ampliar sua presença no mercado brasileiro, a companhia prepara sua entrada em aeroportos europeus. A estratégia começa por Portugal, onde a empresa já estruturou uma filial, e inclui negociações na Espanha, além da análise de oportunidades na Itália e no Reino Unido. O movimento aproveita a relação com concessionárias internacionais que já contratam o Grupo Med+ no Brasil.

A meta é chegar a pelo menos sete aeroportos europeus ainda em 2026 e elevar o faturamento contratado do grupo para R$ 2,6 bilhões em 2026. Até 2030, a metá é alcançar R$ 8 bilhões. Para isso, o Grupo Med+ também quer ampliar sua atuação no Brasil, entrando em novos serviços aeroportuários e aproveitando futuras concessões rodoviárias.

Como o Grupo Med+ saiu de uma consultoria para atender aeroportos e rodovias

A história do Grupo Med+ começou longe dos aeroportos. Aos 19 anos, Victor Reis trabalhava como técnico em segurança do trabalho.

A decisão de abrir a própria empresa veio, em 2008, depois de uma demissão por justa causa. Em seu primeiro emprego, Reis se envolveu em um acidente de trabalho que resultou no atropelamento de um motociclista. O episódio dificultou sua recolocação profissional na região de Brasília e o levou a abrir uma consultoria de segurança e medicina do trabalho.

A empresa cresceu atendendo clientes públicos e privados. Com o tempo, passou a fornecer profissionais especializados, como médicos e enfermeiros do trabalho, para outras instituições.

A mudança de direção ocorreu durante a crise econômica de 2014. Segundo Reis, os aeroportos foram pressionados pela redução de recursos e precisaram rever despesas operacionais. Como a empresa já prestava serviços de medicina do trabalho ao Aeroporto de Brasília, recebeu um convite para apresentar uma proposta também para a operação de emergências médicas. A empresa desenvolveu um projeto que permitia reduzir em 70% o valor da fatura do aeroporto. Seis meses depois, já atendia outros seis aeroportos.

A partir daí, a operação ganhou escala. Em 2022, o Grupo Med+ registrou seu maior crescimento anual, de 150%. Desde então, a companhia passou a atuar também no combate a incêndios em aeródromos e ampliou sua presença em rodovias concessionadas. A área original de segurança e medicina do trabalho continua no portfólio, mas representa hoje cerca de 1% do faturamento, de acordo com o executivo.

Por que o Grupo Med+ quer expandir para a Europa

A entrada na Europa é uma tentativa de aproveitar as relações comerciais construídas no Brasil. Portugal é o primeiro passo da operação internacional. A filial já está estruturada do ponto de vista administrativo e técnico, e a empresa concluiu as etapas necessárias para atender às exigências locais. A companhia está próxima de assinar contratos para assumir aeroportos no país, mas o executivo não revelou os nomes das unidades.

“A nossa porta de entrada para Europa é a através dos nossos próprios clientes que admiram o nosso trabalho no Brasil”, diz Reis.

A expansão, porém, exige mais do que conquistar clientes. Serviços de emergência envolvem equipamentos, protocolos, treinamento de equipes e cumprimento de normas técnicas. Reis afirma que a preparação da operação portuguesa levou entre seis e dez meses, período dedicado à estruturação dos processos e dos recursos necessários.

“O que nos deixa mais confortáveis é que o ambiente regulatório da gestão técnica, administrativa e até jurídica aeroportuária segue normas nacionais e padrões internacionais. Os aeroportos seguem as regulamentações de seus países, alinhadas a diretrizes de uma instituição internacional, a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI)”, afirma.

O executivo também avalia oportunidades na Itália e no Reino Unido. Os Emirados Árabes Unidos aparecem como uma possibilidade para uma etapa posterior, com conversas que podem avançar em 2027.

A estratégia operacional prevê manter em Brasília o centro de controle administrativo e operacional, mesmo com a expansão para outros países. A ideia é centralizar o acompanhamento das atividades e padronizar a gestão das equipes.

“Essa é a nossa grande estratégia: manter o centro de controle operacional e administrativo em Brasília nos permite oferecer um atendimento padronizado”, diz Reis.

Para a empresa, isso pode ampliar a escala sem exigir a reprodução integral de sua estrutura administrativa em cada país.

Como o Grupo Med+ quer crescer no Brasil

No Brasil, o próximo passo é ampliar a presença dentro dos aeroportos. A companhia começou a operar nos canais de inspeção de segurança, onde passageiros e bagagens passam por procedimentos de verificação antes do embarque. O primeiro contrato citado é o do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins.

A empresa pretende diferenciar o serviço pela experiência oferecida aos passageiros. A proposta é tornar o contato com os profissionais de inspeção menos impessoal, com atendimento mais cordial e elementos da cultura regional.

Reis cita como exemplo a possibilidade de incorporar expressões locais e características regionais aos uniformes e à comunicação com os passageiros. A intenção é reduzir parte do estresse associado à passagem pelos controles de segurança.

As estradas concessionadas são outro eixo da expansão. O Grupo Med+ atende atualmente 46 rodovias e tem quase 25 mil quilômetros sob sua responsabilidade. A empresa quer participar das próximas concessões rodoviárias previstas no país. Cerca de 15 processos de concessão que ainda devem ocorrer no Brasil como uma oportunidade para ampliar a carteira de contratos.

A companhia pretende incorporar inteligência artificial às operações de emergência. A proposta inclui o uso de câmeras e análise preditiva, ou seja, ferramentas que identificam padrões para ajudar a antecipar ocorrências e orientar o atendimento. Também está na estrutura ambulâncias com conectividade 5G, que permite transmitir dados em alta velocidade.

A disputa por novas concessões também exige capacidade de mobilizar profissionais, equipamentos e estrutura de atendimento em diferentes regiões. Como os contratos dependem das regras de cada concessionária e dos requisitos previstos nos editais, a expansão não depende apenas da demanda por serviços de emergência.

AutorBianca Camatta
FonteExame
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