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Future of MoneyCPTO
17/08/2026
4 min

Empresa de magnata chinês das criptomoedas está tomando caminho da FTX, diz site

Migração de fundos entre empresas irmãs e falta de transparência começam a preocupar os investidores

Empresa de magnata chinês das criptomoedas está tomando caminho da FTX, diz site

O site de notícias blockchain Protos disse que a empresa HTX, do bilionário magnata das criptomoedas, Justin Sun, está seguindo os passos da derrocada de uma corretora cripto dos Estados Unidos que tinha um nome bem parecido: a FTX.

Segundo o Protos, a HTX transferiu US$ 1,3 bilhão de suas reservas para uma nova categoria chamada “ThirdParty” (terceiros, na tradução literal) em seu mais recente relatório de prova de reservas, publicado em 1º de junho. A categoria seria destinada a ativos mantidos por custodiantes terceiros, mas a HTX não informou publicamente quem são esses custodiantes.

A mudança atingiu ativos importantes da corretora, como bitcoin e ether, e as stablecoins USDC, Usual Stablecoin e USDT. No caso do ETH, por exemplo, 76.515 unidades, ou 70% do total informado pela HTX, haviam sido transferidas para um custodiante não identificado. Já no USDC, mais de 99% dos US$ 238,9 milhões informados nas reservas haviam sido transferidos para a categoria ThirdParty. No USDT, a parcela transferida era de aproximadamente US$ 819 milhões.

O Protos também identificou movimentações de ativos da HTX para endereços associados à Poloniex, outra corretora pertencente a Justin Sun. Em um dos casos analisados, 71.853,22 stETH, avaliados em cerca de US$ 135 milhões na época, foram transferidos de um endereço que constava no relatório de reservas da HTX para outros endereços e, posteriormente, para carteiras identificadas como Poloniex 7, Poloniex 10 e Poloniex 9 pela Etherscan.

O último desses endereços havia sido anteriormente identificado na Etherscan como “Justin Sun 4” antes de passar a ser listado como uma carteira da Poloniex. Para o Protos, o caminho das transações indica que uma grande quantidade de recursos saiu da HTX para um endereço da Poloniex, onde foi misturada às reservas da corretora.

Casos se repetem

A publicação encontrou outros casos semelhantes. Cerca de US$ 200 milhões em sUSDS, por exemplo, saíram de uma carteira utilizada pela HTX e posteriormente passaram por endereços identificados como Poloniex 7, Poloniex 10 e Poloniex 9. O Protos também identificou movimentações de WBTC da HTX para um desses endereços da Poloniex, onde os tokens permaneciam armazenados no momento da publicação.

Essas movimentações são relevantes porque, segundo o Protos, mais da metade do bitcoin mantido pela HTX em alguns momentos estava em forma tokenizada e parecia estar sob custódia da Poloniex. A publicação afirma que a corretora não informou os endereços onde esse bitcoin estaria mantido.

O Protos diz que as transações entre as duas empresas, que envolvem centenas de milhões de dólares, levantam questões sobre os controles internos e a gestão das duas corretoras pertencentes a Sun. A publicação também afirma que questionou a HTX sobre as transferências, mas não recebeu resposta antes da publicação.

A situação ocorre ainda em meio a sanções contra a HTX impostas pela União Europeia e pelo Reino Unido. Segundo o Protos, a corretora também passou a movimentar suas carteiras com maior frequência, o que, de acordo com a empresa de inteligência blockchain TRM Labs, dificulta a identificação de seus ativos.

Com a criação da categoria ThirdParty e a identificação de reservas da HTX em endereços associados à Poloniex, o Protos questiona como os ativos das duas corretoras estão sendo administrados e se as reservas de uma estão sendo misturadas às da outra.

Relembre a FTX

Em 2022, a FTX, que era uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo, quebrou devido à má gestão praticada por seu fundador Sam Bankman-Fried.

Investigações demonstraram que bilhões de dólares de fundos dos clientes da FTX foram enviados para o fundo de investimento de Fried, a Alameda Research. Esses valores passaram a ser utilizados para cobrir prejuízos e financiar apostas de risco da empresa-irmã, ao mesmo tempo em que sustentavam uma vida de luxo por parte do empresário e seu círculo de amigos mais próximos.

AutorRicardo Bomfim
FonteExame
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