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InvestMercadosBDR
02/06/2026
3 min

Empresa indiana desafia Uber com motos, tuk-tuks e corridas de menos de 1 dólar

Empresa indiana desafia Uber com motos, tuk-tuks e corridas de menos de 1 dólar

A Índia se tornou um dos locais mais acirrados para as empresas de transporte por aplicativo. Em um mercado com mais de 1,4 bilhão de habitantes e ainda pouco explorado, uma startup local vem ganhando espaço e pressionando a Uber em uma região considerada decisiva para o futuro do setor.

A Rapido foi criada em 2015, mas, sem a presença global de rivais como a Uber, a companhia está construindo uma operação de grande escala e apostando em uma estratégia voltada às particularidades do mercado indiano, como viagens mais baratas, veículos de menor custo e um modelo próprio de relacionamento com motoristas.

O CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, reconheceu o crescimento da competidora: "A Ola costumava ser nossa principal concorrente. Agora vejo que a concorrência mais acirrada na Índia é a Rapido", falou no podcast de Nikhil Kamath em 2025, em informações divulgada pelo Business Insider.

A mudança reflete a velocidade da expansão da startup. Atualmente, a plataforma reúne mais de 70 milhões de usuários ativos por mês e quase três milhões de motoristas cadastrados. O número supera com folga a base de cerca de 1,4 milhão de condutores informada pela Uber no país em meados de 2025.

O que a Rapido enxergou que as rivais ignoraram

Enquanto as plataformas globais chegaram à Índia reproduzindo modelos focados em carros, a Rapido concentrou seus esforços nos meios de transporte mais utilizados pela população. O resultado foi uma operação baseada principalmente em motocicletas e riquixás motorizados.

"Sabíamos que a Índia é um mercado sensível a preços e que a acessibilidade precisa ser a chave para o compartilhamento de viagens, em vez de priorizar o segmento premium", pontuou o CEO e cofundador da Rapido, Aravind Sanka, em entrevista ao Business Insider.

A estratégia não apenas ampliou o alcance do serviço como também permitiu atender trajetos curtos e regiões urbanas congestionadas, onde carros enfrentam maiores dificuldades. Hoje, motos e triciclos respondem por, aproximadamente, 70% das corridas realizadas pela plataforma.

Uma viagem média nesse segmento custa entre US$ 0,60 e US$ 0,70, conforme estimativa do CEO.

Estrutura enxuta para operar em larga escala

Os preços baixos obrigaram, ainda, a empresa a buscar eficiência operacional desde o início. A Rapido afirma ter cerca de 800 funcionários, uma estrutura bastante reduzida quando comparada aos cerca de 34 mil empregados da Uber ao redor do mundo.

Além disso, em vez de cobrar uma porcentagem de cada corrida, a startup adota um sistema de taxa fixa diária para os motoristas que utilizam a plataforma. O formato tornou a atividade mais previsível para os condutores e ajudou a acelerar o crescimento da base de parceiros.

Mercado ainda tem espaço para novos vencedores

Apesar da expansão acelerada, a Rapido ainda não atingiu o lucro. Os sinais financeiros, porém, indicam melhora. Dados divulgados pelo The Economic Times mostram que a receita operacional da empresa cresceu 44% no ano fiscal encerrado em 2025, enquanto o prejuízo líquido recuou 30%.

Para Sanka, o potencial de crescimento do setor continua muito maior do que a competição atual sugere. O executivo estima que menos de 5% dos indianos utilizem aplicativos de transporte regularmente. Esse cenário explica por que a empresa não considera fusões ou aquisições (M&A) como prioridade no momento.

"Quando a penetração é baixa e está crescendo rapidamente, isso significa que as posições podem mudar a qualquer momento. Não faz sentido pensar em qualquer tipo de consolidação", detalhou o executivo.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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