Empresa investirá quase R$ 500 milhões para reformar rodoviárias de SP; veja o que muda
Projeto da concessionária Socicam prevê novas áreas comerciais, integração com metrô, melhorias viárias e obras escalonadas até 2029

A Rodoviária Tietê, em São Paulo, prepara uma transformação que pretende mudar a relação do terminal com passageiros, empresas e a própria cidade. O projeto de modernização dos terminais Tietê e Jabaquara tem investimento estimado em R$ 498,8 milhões, segundo enquadramento aprovado pelo Ministério das Cidades, e prevê melhorias estruturais, integração com o metrô, ampliação de serviços e reorganização da circulação de veículos e pessoas.
A Socicam, concessionária responsável pelos terminais, ainda não divulga o orçamento final da revitalização. Segundo a empresa, os projetos executivos e o planejamento orçamentário dos terminais Tietê, Barra Funda e Jabaquara ainda estão em fase de validação.
Parte da estrutura financeira do projeto, porém, já foi montada. A Socicam concluiu uma emissão de R$ 317,5 milhões em debêntures simples no mercado de capitais, operação destinada à modernização dos terminais Tietê e Jabaquara.
As debêntures funcionam como uma forma de financiamento em que investidores emprestam recursos à empresa e recebem uma remuneração pelo capital aplicado.
A operação foi enquadrada como projeto prioritário pelo Ministério das Cidades, permitindo o uso de mecanismos de financiamento de infraestrutura. De acordo com o projeto, a previsão é captar até R$ 460 milhões por meio de debêntures incentivadas, que possuem benefícios fiscais para investidores.
“O aporte financeiro apoiará a transformação dos três terminais em Hubs Integrados de Mobilidade, com foco na excelência operacional, expansão de serviços, conveniências e integração com múltiplos modais de transporte”, afirma Rodrigo Fernandes, diretor da Divisão Terminais Rodoviários e Urbanos da Socicam.
Como a Socicam pretende reformar o maior terminal rodoviário da América Latina
Inaugurado nos anos 1980, o Terminal Tietê se consolidou como uma das principais portas de entrada e saída da capital paulista. O equipamento é considerado pela Socicam o maior terminal rodoviário da América Latina em movimentação e reúne uma operação que vai além do embarque e desembarque: há lojas, restaurantes, serviços e sete salas VIP operadas pela concessionária.
O desafio agora é atualizar uma infraestrutura criada para uma realidade de mobilidade diferente. Entre os problemas que a revitalização pretende enfrentar estão os conflitos de circulação no entorno, a dificuldade de acesso para veículos de aplicativo, gargalos no embarque e desembarque e a conexão entre diferentes meios de transporte.
Segundo a Socicam, as obras serão executadas de forma escalonada para manter o terminal funcionando. A fase de projetos e mobilização de fornecedores segue até dezembro de 2026, enquanto as intervenções físicas estão previstas para começar em janeiro de 2027 e terminar em dezembro de 2029.
Mais conforto para passageiros: revitalização inclui novos espaços internos, acessibilidade ampliada e atualização da experiência de circulação (Socicam/Divulgação)
O que muda no terminal após a reforma
O projeto prevê uma série de intervenções físicas e operacionais. Entre elas estão novos sanitários, reforma dos espaços existentes, melhorias de acessibilidade, ampliação da área de embarque, implantação de catracas eletrônicas para controle de acesso e modernização dos sistemas operacionais.
Também estão previstas alterações no sistema viário do entorno, com reorganização dos fluxos de entrada e saída, construção de novas vias de acesso e novas passarelas para melhorar a circulação de passageiros.
A integração com o metrô será ampliada, assim como a comunicação visual e o Centro de Controle Operacional do terminal. O projeto também contempla modernização do estacionamento, instalação de carregadores para veículos elétricos e iniciativas relacionadas à sustentabilidade.
Por que a Socicam quer transformar uma rodoviária em um centro de serviços
A reforma faz parte de um movimento mais amplo do setor de infraestrutura: transformar terminais de transporte em equipamentos urbanos com múltiplas funções.
Novos projetos pelo país têm buscado combinar mobilidade, comércio e serviços. Um exemplo é a Nova Rodoviária da Bahia, que incorporou conexão com metrô, áreas comerciais, estacionamento e serviços ao passageiro.
No Tietê, a Socicam afirma que a modernização permitirá ampliar áreas comerciais locáveis, diversificar serviços e atrair novos negócios para o espaço.
“A modernização também cria oportunidades para valorizar as áreas comerciais, ampliar o mix de serviços e atrair novos negócios que atendam às necessidades dos passageiros e também da população”, diz a empresa.
Um terminal conectado: obras devem reorganizar fluxos de veículos, ampliar integração com o metrô e melhorar embarques e desembarques (Socicam/Divulgação)
Como a reforma pode abrir novas oportunidades de receita
Além da melhoria operacional, a estratégia tem um componente comercial.
A Socicam avalia ampliar formatos de ocupação, serviços e conveniências dentro do terminal, acompanhando uma mudança no comportamento dos usuários.
A empresa afirma que terminais já funcionam como espaços de convivência, não apenas como locais de passagem. O objetivo da revitalização é transformar esse fluxo de pessoas em novas oportunidades de negócios, mantendo o transporte como atividade principal.
