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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
05/11/2026
4 min

Empresária cresce 150% em setor industrial dominado por homens

À frente da Eletromecânica ABC, Karen Carvalho ampliou a atuação para outros estados ao combinar gestão financeira e conhecimento técnico para conquistar espaço em um mercado majoritariamente masculino

Empresária cresce 150% em setor industrial dominado por homens

Em um setor industrial predominantemente masculino, Karen Carvalho transformou sua experiência em gestão financeira em ações concretas para o crescimento da Eletromecânica ABC. Fundada em 2020 com o marido em Ribeirão Pires, no Grande ABC, a empresa, especializada em manutenção e automação industrial, registrou aumento significativo de faturamento em dois anos. Passou de 400.000 reais para 1 milhão de reais no final do ano passado. Para 2026, a expectativa é de um faturamento de 1,2 milhão de reais.

A empresa presta serviços de manutenção eletromecânica, automação industrial e instalações elétricas. Também realiza montagem de painéis, intervenções em máquinas e adequações de equipamentos e ambientes produtivos. São atividades que exigem conhecimento técnico especializado e acompanhamento próximo da execução.

A trajetória do negócio combina experiências complementares. O marido de Karen, que começou a carreira na indústria aos 18 anos e chegou à diretoria de uma empresa do setor, lidera os projetos técnicos da Eletromecânica ABC. Já Karen, formada em Administração de Empresas, com cerca de duas décadas de experiência em controladoria, gestão administrativa e consultoria tributária, conduz compras, faturamento, relacionamento comercial e rotinas financeiras. "Essa divisão ajudou a empresa a avançar sem perder de vista os desafios de cada contrato", diz a empresária.

Os números refletem uma operação em expansão, que atende grandes indústrias e vem conquistando projetos fora de São Paulo. Entre os clientes está a Colgate-Palmolive, além de empresas do setor de fabricação de cabos. A Eletromecânica ABC também atende demandas no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, no Espírito Santo e em estados da região Sul. Boa parte das novas oportunidades chega por indicação. "Os profissionais que conhecem o trabalho passam a recomendá-la ao assumir posições em outras indústrias", diz.

A expansão trouxe novas decisões para o casal, como trabalhar com uma rede de aproximadamente 20 prestadores de serviço, incluindo quatro engenheiros. Parte da equipe atende demandas recorrentes; já outros profissionais são chamados conforme a necessidade de cada projeto.

A estrutura flexível permite responder a diferentes contratos, mas também exige avaliar até onde a operação consegue crescer mantendo o acompanhamento técnico e os padrões de execução. Em serviços industriais de alta complexidade e risco, aceitar um projeto depende da capacidade de executá-lo com segurança e qualidade. Por isso, a empreendedora afirma que a empresa analisa as oportunidades antes de assumir novos compromissos.

O crescimento também aumenta a pressão sobre o caixa. Os pagamentos de grandes clientes podem ter prazos prolongados, enquanto a compra de materiais e a contratação de profissionais precisam ser financiadas durante a execução. Em alguns projetos, equipamentos e componentes exigem desembolsos expressivos antes do recebimento pelo serviço.

Para fortalecer o capital de giro e se preparar para novas demandas, inclusive um projeto de maior porte que estava em negociação, Karen buscou o apoio financeiro e de orientação do Fundo Estímulo. A empreendedora também se interessou pelas oportunidades de capacitação empresarial da iniciativa, especialmente em tecnologia e gestão.

A tecnologia já faz parte dos planos da empresa. Diante da dificuldade de encontrar um sistema de gestão adequado às necessidades da operação e ao orçamento disponível, Karen desenvolveu, com auxílio de inteligência artificial, uma ferramenta integrada de gestão empresarial. O sistema está em fase de testes na Eletromecânica ABC. "Assim que estiver 100%, avaliaremos também oferecer a solução por meio de outra empresa, voltada à consultoria tributária", diz a empresária.

Abrir espaço para mulheres na indústria

O avanço da empresa acontece em um ambiente em que Karen ainda enfrenta questionamentos. Como responsável legal e uma das principais gestoras da Eletromecânica ABC, ela relata situações em que seu conhecimento é colocado em dúvida ou sua participação é associada apenas ao fato de ser esposa do responsável técnico.

A baixa presença feminina também aparece na composição da equipe. Entre os cerca de 20 profissionais que trabalham com a empresa, apenas duas são mulheres: Karen e sua irmã, que atua na área administrativa. Nenhum dos quatro engenheiros que colaboram com a operação é mulher. Mesmo nesse cenário, Karen segue à frente das decisões administrativas e do desenvolvimento do negócio, com o objetivo de ampliar a presença feminina no setor.

O próximo passo da Eletromecânica ABC é consolidar sua presença no mercado industrial, ampliar a carteira de clientes e fortalecer a estrutura para assumir novos contratos. O desafio é sustentar o crescimento com organização financeira, investimento em tecnologia e proximidade com a operação, fatores que ajudaram a empresa a conquistar a confiança dos clientes.

Este conteúdo foi produzido pelo Fundo de Impacto Estímulo - que apoia pequenos empreendedores brasileiros com crédito facilitado, capacitação e conexões - em parceria com a EXAME. Para saber mais sobre o Estímulo visite o site do projeto. Leia aqui todas as reportagens já publicadas.

AutorEstímulo
FonteExame
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