Empresários brasileiros vão à África de olho em quase 800 oportunidades de exportação
Missão liderada pela Apex passa por África do Sul, Zâmbia, Moçambique e Etiópia; ApexBrasil mapeou 784 oportunidades em três dos quatro mercados visitados

*De Joanesburgo, África do Sul
Com 5.309 oportunidades de exportação mapeadas pela ApexBrasil, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, no continente africano, uma comitiva brasileira inicia nesta semana uma missão por quatro países em busca de novos negócios e de maior presença das empresas brasileiras na região.
O roteiro passa por África do Sul, Zâmbia, Moçambique e Etiópia até 2 de setembro, com rodadas entre empresários, encontros institucionais e visitas técnicas.
A missão reúne representantes de ao menos 29 empresas e entidades empresariais brasileiras, além de órgãos do governo e instituições de fomento.
Só em três dos destinos para os quais o material da missão apresenta dados — África do Sul, Moçambique e Etiópia — são 784 oportunidades para produtos brasileiros. A África do Sul concentra 581, seguida por Moçambique, com 144, e Etiópia, com 59.
A missão, organizada pela ApexBrasil e pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), faz parte do movimento de retomada das relações diplomáticas e comerciais do Brasil com o continente africano desde 2023. A estratégia busca transformar a aproximação política em negócios e diversificar uma pauta comercial ainda concentrada em alguns produtos.
A busca por novos mercados também acontece em meio ao tarifaço do governo Donald Trump. O governo brasileiro busca ampliar as opções de exportação para driblar o impacto das tarifas de 25% e 12,5% aplicadas em julho.
Essa será a segunda missão da agência no continente nesse ano. Em janeiro, um grupo com 40 empresários brasileiros foi a Benim, Quênia, Ruanda e Etiópia.
Entre os setores considerados estratégicos estão máquinas, equipamentos, produtos químicos, saúde, tecnologia agrícola, energia, logística, infraestrutura e manufatura. O tamanho do mercado também está no radar: a África reúne cerca de 1,5 bilhão de habitantes, população que pode chegar a 2,5 bilhões até 2050.
Hoje, um dos principais parceiros comerciais dos países africanos é a China. Neste ano, o governo Xi Jinping zerou tarifas de produtos africanos para buscar novos acordos comerciais entre os países.
África do Sul concentra 581 oportunidades
A primeira parada da comitiva será Joanesburgo, nos dias 26 e 27 de agosto. A África do Sul tem 64,7 milhões de habitantes, PIB de US$ 427,4 bilhões e funciona como uma das principais portas de entrada para os mercados da África Austral.
A ApexBrasil identifica 581 oportunidades de exportação para empresas brasileiras na África do Sul, o maior número entre os três destinos da missão para os quais o documento apresenta esse levantamento.A corrente de comércio entre Brasil e África do Sul chegou a US$ 2,3 bilhões em 2025. As exportações brasileiras têm entre os principais produtos carnes de aves, com 16,8% do total, veículos rodoviários, com 12,5%, zinco, com 9,7%, papel e cartão, com 4,1%, e açúcares, com 3,7%.
A agenda começa com rodadas de negócios B2B, sigla em inglês para encontros comerciais entre empresas. Na sequência, o Encontro Empresarial Brasil-África do Sul terá discussões sobre comércio entre Mercosul e SACU, a União Aduaneira da África Austral, além de integração produtiva, indústria da saúde, inovação e manufatura avançada.
No dia 27, estão previstas visitas técnicas a indústrias e centros locais antes da partida da delegação para Lusaca.
Zâmbia busca cooperação em agro e infraestrutura
A segunda etapa ocorre em Lusaca, capital da Zâmbia, em 28 de agosto. O comércio bilateral ainda tem dimensão reduzida.
Brasil e Zâmbia movimentaram US$ 7,5 milhões em 2025, valor equivalente a menos de 1% da corrente comercial registrada entre Brasil e África do Sul no mesmo período.As exportações brasileiras para a Zâmbia foram lideradas por máquinas não elétricas, com 29,8%, seguidas por móveis, com 23,3%, e carnes de aves, com 22,3%. O país também abriu recentemente seu mercado para o café verde brasileiro.
Entre os interesses da Zâmbia está a cooperação brasileira para a industrialização das cadeias de milho, trigo, mandioca e soja. O país também busca atrair empresas brasileiras para o Corredor Econômico de Lobito, eixo de infraestrutura e logística voltado a ampliar a conexão da região com a costa atlântica.
O Encontro Empresarial Brasil-Zâmbia terá como temas saúde, indústria, inovação e tecnologia agrícola. A programação também prevê rodadas de negócios entre empresas dos dois países.
Moçambique tem 144 oportunidades mapeadas
A missão segue para Moçambique, onde a programação ocorre entre 31 de agosto e 1º de setembro. A visita coincide com a 61ª FACIM, Feira Internacional de Maputo, na qual o Brasil terá destaque como País de Honra.
A ApexBrasil identifica 144 oportunidades de exportação no mercado moçambicano. O foco inclui setores associados ao atual ciclo de investimentos em infraestrutura, logística e energia, com destaque para a expansão da indústria de GNL, sigla em inglês para gás natural liquefeito.
A pauta brasileira destinada a Moçambique, no entanto, ainda apresenta forte participação de alimentos. Carnes de aves representam 39,7% das exportações, enquanto matérias vegetais em bruto respondem por 17,2%.
A aposta da missão é ampliar a relação comercial para áreas como tecnologia agrícola, agroindustrialização, energia, logística e desenvolvimento industrial.O Encontro Empresarial Brasil-Moçambique será realizado dentro da FACIM, em Marracuene. A programação também inclui rodadas B2B e visitas técnicas.
Etiópia recebe escritório da ApexBrasil
A última parada ocorre em Adis Abeba, em 2 de setembro. Com população de cerca de 135 milhões de habitantes, a Etiópia também tem relevância institucional por sediar a União Africana.
A ApexBrasil mapeia 59 oportunidades de exportação para empresas brasileiras no país. Entre os segmentos identificados estão materiais de construção e produtos químicos, além de iniciativas relacionadas ao etanol de cana-de-açúcar.
A pauta atual de exportações brasileiras para a Etiópia é altamente concentrada: óleos combustíveis representam 97,4% do total. Em 2025, o Brasil exportou US$ 31,1 milhões para a Etiópia.
A Etiópia importou um total de US$ 8,9 bilhões em 2024, o que demonstra que a participação brasileira no mercado ainda é pequena, indicando amplo espaço para crescimento.
O país tem previsão de crescimento de 8,3% ao ano entre 2026 e 2030, impulsionado por investimentos e reformas internas.
O principal marco institucional da passagem pela capital etíope será a inauguração de um escritório internacional da ApexBrasil. A unidade terá como objetivo conectar inteligência comercial e apoiar empresas brasileiras interessadas em acessar o mercado local e outros países da África Oriental.
*O jornalista viajou a convite da Apex Brasil.
