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Sacre Investimentos
Economia
10/07/2026
4 min

Empresários de Brasil e EUA propõem acordo em duas etapas para evitar tarifaço

Empresários de Brasil e EUA propõem acordo em duas etapas para evitar tarifaço

Entidades empresariais do Brasil e dos Estados Unidos apresentaram nesta quinta-feira, 9, uma proposta conjunta para tentar evitar a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos.

A iniciativa ocorre poucos dias antes da conclusão da investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), prevista para próxima quinta-feira, 15.

Em carta enviada aos governos dos dois países, a Amcham Brasil, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a U.S. Chamber of Commerce defendem que as negociações avancem em duas etapas, priorizando um acordo de curto prazo antes do prazo da USTR.

O documento foi encaminhado aos ministros Marcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e Mauro Vieira, das Relações Exteriores, além do representante comercial americano Jamieson Greer e do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Segundo as entidades, a retomada das negociações entre os governos representa uma oportunidade para fortalecer uma das principais relações econômicas das Américas.

A carta afirma que Brasil e Estados Unidos compartilham uma parceria baseada em comércio, investimentos, tecnologia e inovação e defende que as conversas produzam "resultados práticos e relevantes" capazes de ampliar a previsibilidade e reforçar a confiança empresarial.

Prioridade é evitar novas tarifas

Como primeira medida, as entidades propõem que os governos cheguem rapidamente a entendimentos capazes de solucionar a investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana e evitar a aplicação das tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.

Para isso, o documento sugere que a negociação inicial contemple a ampliação do acesso a mercados para insumos industriais, bens de capital e produtos ligados à segurança energética, centros de dados e infraestrutura de inteligência artificial.

A carta também propõe aprofundar a cooperação regulatória nos setores automotivo, farmacêutico, de saúde animal e de dispositivos médicos, acelerar a análise de pedidos de patentes no Brasil, fortalecer o combate à pirataria e à falsificação, ampliar a cooperação em minerais críticos e implementar integralmente o Protocolo Anticorrupção do ATEC.

Outro ponto defendido é a prorrogação da moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC), que impede a cobrança de tarifas sobre transmissões eletrônicas.

Agenda de longo prazo

Em uma segunda etapa, as entidades sugerem ampliar a agenda bilateral para temas considerados estratégicos, como economia digital, comércio eletrônico, inovação, facilitação do comércio, segurança energética, resiliência das cadeias produtivas, descarbonização industrial, transportes, agricultura, produtos farmacêuticos e equipamentos médicos.

Segundo o documento, uma estratégia estruturada em duas fases representa o caminho mais pragmático para fortalecer a cooperação econômica entre os dois países. As entidades afirmam que avançar primeiro nas questões comerciais mais urgentes permitirá criar bases para uma parceria de longo prazo.

"O avanço desses temas por meio da negociação, em vez da imposição de tarifas, tende a produzir resultados mais duradouros e evitar efeitos indesejados para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países", afirma a carta.

A mobilização ocorre poucos dias antes do prazo final da investigação do USTR. O órgão já sinalizou a possibilidade de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros e deve divulgar sua decisão até 15 de julho.

Apesar da iniciativa empresarial, o cenário continua incerto. Em declarações feitas nesta semana, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que ainda existe uma "grande distância" entre as posições dos dois países e indicou que a decisão final sobre o Brasil será anunciada em breve.

Paralelamente, empresas como Coca-Cola, Nestlé, Tesla, Siemens, Faber-Castell, eBay, WEG e Bauducco também encaminharam manifestações ao governo americano pedindo isenções ou a não aplicação das tarifas, de acordo com a Folha de São Paulo. As companhias usaram o argumento de que a medida poderá elevar custos, interromper cadeias de suprimentos e afetar consumidores e fabricantes nos próprios Estados Unidos.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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