Empresas brasileiras estão mais expostas ao exterior: entenda o impacto nas ações

As empresas latino-americanas seguem fortemente ancoradas em seus países de origem, mas começam a ampliar sua presença internacional, especialmente nos Estados Unidos e no Canadá. Um levantamento do Morgan Stanley analisou 180 companhias da região, representando cerca de 93% do índice MSCI Latin America, detalhando a origem das receitas, custos e tipos de demanda dessas corporações.
Segundo o relatório, aproximadamente 63% das receitas das empresas latino-americanas são geradas dentro de seus próprios países e cerca de 77% permanecem na América Latina. O restante do faturamento vem principalmente dos EUA e Canadá (11%), seguido por China e Europa desenvolvida (4% a 5% cada).
Empresas com maior exposição aos mercados desenvolvidos superaram o índice MSCI Latam em 962% desde 2010, enquanto a exposição à China apresentou ganho de 84%, abaixo do desempenho médio dos mercados emergentes.
O relatório mostra ainda que o comportamento das receitas varia de acordo com o setor. Materiais e tecnologia da informação são os mais internacionalizados, com 56% e 44% de faturamento vindo do exterior, respectivamente, enquanto saúde, utilidades públicas e imobiliário concentram quase 100% das receitas na região. A demanda é majoritariamente privada: consumidores finais respondem por 56% do faturamento, empresas por 43% e governos apenas 1%.
Exposição por país e por mercado
No Brasil, responsável por 42% das receitas totais da América Latina, 69% do faturamento das empresas é doméstico. Materiais e commodities são os setores mais globalizados, enquanto comunicação, saúde e imóveis permanecem essencialmente locais.
Entre as companhias mais expostas a EUA e Canadá estão Embraer (58%), Gerdau (55%) e JBS (54%), enquanto CSN Mineração (88%), SLC (67%) e Petro Rio (49%) lideram a exposição à China. Empresas como Arcos Dorados (60%), SmartFit (48%) e Nexa (41%) concentram receitas no restante da América Latina.
No México, 57% das receitas são internas e 43% vêm do exterior, com destaque para EUA, Canadá e outros países latino-americanos. Cemex de Chihuahua (73%) e Ind. Peñoles (61%) lideram a receita norte-americana, enquanto Coca-Cola Femsa (28%), Ternium (25%) e América Móvil (20%) têm forte faturamento no Brasil.
O relatório também mostra empresas norte-americanas com receita significativa na região. Mosaic (42%) e Brookfield Infrastructure (37%) destacam-se pelo faturamento no Brasil, enquanto Canadian Pacific Kansas City (15%) e Union Pacific (12%) estão entre as que dependem do México.
Custos e tendências de internacionalização
Enquanto as receitas ganham internacionalização, os custos permanecem majoritariamente locais: metade das empresas realiza todos os gastos em seus países de origem, e 72% concentram mais de 76% dos custos internamente, refletindo a dificuldade de transferir operações produtivas para fora da região.
Empresas menores (small caps) dependem mais do mercado interno — no Brasil, essas companhias geram cerca de 79% da receita localmente —, enquanto mega caps buscam maior internacionalização. Outra tendência observada em 2026 é que empresas de valor (value) passaram a ter mais exposição ao resto do mundo (26%) do que as de crescimento (growth, 20%), puxadas principalmente pelo mercado norte-americano.
O Morgan Stanley também disponibiliza listas de empresas para investidores que buscam exposição geográfica específica. Entre as mais voltadas para EUA e Canadá estão Embraer, Ind. Peñoles e Cemex de Chihuahua. As maiores receitas vindas da China incluem CSN Mineração, Vale e CAP, enquanto empresas estrangeiras com alta dependência do Brasil incluem Mosaic e Brookfield Infrastructure.
