Empresas processam ‘um PIB do Brasil por trimestre’ com nova tendência financeira

As stablecoins, criptomoedas que acompanham determinado ativo, se tornaram uma verdadeira tendência financeira mundial nos últimos anos. Estreitando os laços entre o mercado tradicional e a inovação do blockchain, este tipo de criptoativo ganhou destaque pelas facilidades que pode proporcionar na liquidação de transações.
Pagamentos internacionais, instantâneos e sem Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) agora são possíveis com as stablecoins, que entraram não apenas em grandes instituições financeiras como também nos cartões de débito internacionais, por exemplo.
O que são stablecoins?
Stablecoins são criptomoedas emitidas por empresas privadas que acompanham o valor de determinado ativo, geralmente moedas fiduciárias como o dólar ou o real. O lastro é garantido através da compra da própria moeda ou de Títulos do Tesouro Nacional na proporção de 1:1 da emissão.
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No cenário atual deste mercado, as stablecoins de dólar já possuem representantes bem consolidados, como USDC e USDT. As duas, emitidas por Circle e Tether, respectivamente, possuem valor de mercado em US$ 75,9 e US$ 187,8 bilhões, segundo dados do CoinMarketCap.
No Brasil, já surgem opções lastreadas em real, como BRLA e BRL1, que buscam atender o caso de uso de liquidações nativas em blockchain, por exemplo, e promover o acesso internacional à moeda brasileira.
Nova tendência já processa trilhões em transações
Apesar de relativamente novas, as stablecoins já são utilizadas em plataformas de infraestrutura blockchain para movimentar trilhões de reais.
Dados da Fireblocks, empresa responsável por 15% das transações em blockchain no mundo, mostram que são transacionados por clientes da plataforma mais de dois terços do volume total em stablecoins. O montante seria de aproximadamente US$ 600 bilhões, ou R$ 3 trilhões no primeiro trimestre de 2026. No mesmo período, o PIB brasileiro foi de R$ 3,2 trilhões.
Jorge Borges, head Latam da Fireblocks, destacou durante o painel “Pix, Cripto ou Cartão: Quem vai mandar no seu dinheiro?” do Token Nation 2026, sobre a importância de medidas de segurança avançadas para a nova era do dinheiro digital.
“Dinheiro não é mais uma representação na tela. Cada vez mais formas de dinheiro nascem onchain. Os riscos e as fraudes se tornam mais avançadas, com estados-nação tentando invadir e com possibilidade de sequestrar milhões em valor. Por trás nas nossas equipes pensamos em como mitigar esses riscos”, disse ele no painel, que contou com a participação de Pedro Nascimento, do Banco Central, Antônia Souza, da Visa e moderação da jornalista Mariana Maria Silva, da EXAME.
O executivo ainda mencionou uma mudança no comportamento transacional dos usuários de criptoativos. Segundo ele, antes o uso era de 20% em stablecoins e 80% em criptoativos comuns. O uso trivial das stablecoins era a troca por outros criptoativos, agora, ele pontua uma preferência pelas stablecoins.
