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Sacre Investimentos
InvestMercados
29/06/2026
3 min

Endividamento para investir em ações bate US$ 1,4 tri com rali da IA

Endividamento para investir em ações bate US$ 1,4 tri com rali da IA

O mercado de ações está vivendo um momento de euforia, e os investidores parecem estar dispostos a arriscar até o que não têm. Movidos pelo rali da inteligência artificial (IA), muitos estão pegando empréstimos para tentar multiplicar seus lucros.

O endividamento direto, conhecido como "dívida de margem", ou seja, o dinheiro que o investidor pega emprestado da corretora para comprar mais ações, atingiu o recorde de US$ 1,4 trilhão em maio, 54% a mais que em igual período de 2025.

Já entre março e junho deste ano, o valor investido nos ETFs alavancados, isto é, fundos que acompanham índices e multiplicam o desempenho, saltou ainda para US$ 220 bilhões, segundo o Wall Street Journal.

Se uma ação tiver subido 300%, por exemplo, um ETF alavancado pode ter alcançado ganhos de 700%. Só que uma queda de apenas 30% na ação pode significar uma perda de 90% para o investidor alavancado.

Investidor acumula riscos em cima de riscos

O estrategista-chefe da Nationwide, Mark Hackett, vê que os investidores estão acumulando riscos em cima de riscos ao usar dinheiro emprestado para comprar produtos que já são, por si só, muito arriscados.

Ele acredita que está se criando um problema que muitos ainda não conseguiram enxergar. "Você tem pessoas com mentalidade de loteria usando margem para comprar opções em ETFs alavancados. São três ou quatro camadas."

"Temo que estejamos criando uma alavancagem não intencional que não é totalmente compreendida", acrescenta Hackett.

O risco de um efeito cascata incontrolável

Quando esses fundos alavancados crescem demais, eles começam a influenciar o preço das próprias ações. E, para manter suas posições, esses fundos compraram cerca de US$ 300 bilhões em derivativos desde o final de março.

O estrategista do Barclays, Alexander Altmann, classifica esse volume como algo assustador. Em nota divulgada pelo WSJ, ele destacou que esse endividamento é o maior fator de risco atual.

"Essa é uma cifra um tanto assustadora para se lidar caso seja necessário desfazer o negócio em um curto período de tempo", alertou.

Se as ações começarem a cair, esses fundos são forçados a vender seus ativos de forma rápida para cobrir as perdas e pagar os empréstimos, o que joga os preços ainda mais para baixo.

"Estou genuinamente preocupado com o grande volume de recursos sendo direcionado para o segmento de produtos alavancados baseados em ações individuais", complementa o veterano do setor e diretor de pesquisa do ETF.com, Dave Nadig.

"Sempre que existem compradores e vendedores cujas ações são conhecidas de antemão e ocorrem independentemente do preço, surge um problema", pontua Nadig.

O sinal de alerta e a reação das corretoras

O mercado da Coreia do Sul, por exemplo, dominado por investidores individuais que voltam-se a apostas arriscadas, sofreu quedas bruscas que forçaram a interrupção das negociações (circuit breakers) recentemente.

O principal regulador financeiro do país, Lee Chan-jin, admitiu o arrependimento por não ter sido mais rígido com esses produtos. "Estes são produtos de alto risco e parece que cerca de 92% dos detentores são investidores individuais".

Atenta aos riscos, algumas corretoras se movimentam para evitar os riscos. A Charles Schwab é uma das que aumentou as exigências de garantias para empréstimos e avisou que será mais rigorosa ao cobrar investidores que estourarem seus limites.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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