Entenda o acordo sobre o Estreito de Ormuz discutido por Irã, Omã e EUA
Donald Trump afirma que negociações avançam, mas divergências ainda cercam a reabertura da principal rota do petróleo mundial

O Parlamento do Irã discute os termos de um acordo com Omã sobre a administração do Estreito de Ormuz, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as negociações "estão avançando".
Segundo a agência iraniana Fars, parlamentares defendem que o texto inclua a proibição da passagem de navios dos Estados Unidos e de Israel pelo estreito, além de mecanismos de compensação financeira por parte de países considerados hostis.
O acordo é visto como um passo importante para a retomada da navegação normal na principal rota marítima de exportação de petróleo do mundo, afetada desde o início da guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos.
O que prevê a proposta?
De acordo com a imprensa iraniana, o texto em discussão estabelece que o Irã ficará responsável pelo controle da entrada das embarcações no Estreito de Ormuz, enquanto a saída seria supervisionada em conjunto com Omã.
O projeto também prevê a adoção de um corredor central para o tráfego marítimo e o encerramento gradual das rotas alternativas atualmente utilizadas.
Entre as propostas debatidas pelos parlamentares estão:
- proibição da passagem de navios dos Estados Unidos e de Israel;
- compensações financeiras de países considerados hostis;
- restrições a cargas ligadas a Israel;
- criação de taxas relacionadas a seguros e custos ambientais.
Ainda não está claro se o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, já aprovou a proposta, condição considerada essencial para sua implementação.
O que dizem Estados Unidos e Irã?
Trump afirmou que as negociações seguem em andamento, mas evitou confirmar um acordo. O presidente americano também voltou a defender a reabertura total do Estreito de Ormuz e afirmou que a navegação deve ocorrer sem pedágios, autorizações ou cobranças.
Já Teerã sustenta que a retomada plena do tráfego depende do fim do bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos, medida sobre a qual Washington ainda não sinalizou qualquer mudança.
O principal negociador iraniano com os EUA, Mohammad Bagher Ghalibaf, ironizou as sucessivas ameaças feitas pela Casa Branca, classificando a postura americana como uma "diplomacia teatral em repetição".
Por que o Estreito de Ormuz é importante?
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico e é uma das rotas mais estratégicas do comércio mundial de petróleo.
Desde a escalada do conflito no Oriente Médio, o tráfego de navios permanece reduzido, com parte das cargas sendo transportada em operações especiais sob escolta militar e embarcações navegando com os sistemas de localização desligados.
Apesar da expectativa em torno de um acordo, ainda existem dúvidas sobre sua implementação. Mediadores árabes manifestaram preocupação com a capacidade dos negociadores iranianos de garantir que eventuais compromissos sejam cumpridos diante da pressão de alas mais conservadoras do regime.
Enquanto isso, os preços do petróleoseguem reagindo às negociações. O barril do Brent permaneceu próximo de US$ 82 após subir cerca de 4% na sessão anterior.
