Entenda por que o Japão quer reforçar forças armadas 'com urgência'
Documento detalha que a China tem intensificado suas atividades na região ao redor do território japonês, listando uma série de incidentes em 2025

O governo do Japão voltou a alertar para os riscos de segurança na Ásia-Pacífico. No prefácio do novo Livro Branco da Defesa, o ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, afirmou ser preciso reforçar e transformar as capacidades militares do país com um "senso de urgência e de crise mais forte do que nunca".
A declaração acompanha a publicação do relatório anual do governo, que destaca não apenas o aumento das capacidades militares de Pequim e Pyongyang, mas também a intensificação da cooperação militar entre China e Rússia, e entre Rússia e Coreia do Norte.
O documento detalha que a China tem intensificado suas atividades na região ao redor do território japonês, listando uma série de incidentes ocorridos em 2025.
Em resposta, o porta-voz do Ministério da Defesa da China, Chen Xi, criticou o relatório japonês, afirmando que o documento está "repleto de narrativas falsas" e serve como "uma desculpa para relaxar as próprias restrições militares" de Tóquio.
Movimentação estratégica
O movimento de Tóquio acontece em um momento de expansão de seus gastos militares e de fortalecimento de alianças na região. O Japão já implantou lançadores de mísseis em ilhas periféricas, adotou medidas para adquirir capacidade de "contra-ataque" e flexibilizou normas para a exportação de armamentos. Em abril, o país decidiu suspender a proibição autoimposta para a venda de armas ao exterior.
Apesar das medidas, o próprio Livro Branco faz um alerta para gargalos internos. A base de produção da indústria de defesa do país enfrenta problemas que podem comprometer futuras aquisições e o ritmo de inovação tecnológica.
No âmbito diplomático e de inteligência, o Japão tem intensificado parcerias de segurança com Filipinas, Austrália e Coreia do Sul.
Koizumi destacou ainda ter debatido com o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, a manutenção do caráter "inabalável" da aliança entre Tóquio e Washington.
* Com AFP
