Envelhecimento dos pais começa a mudar decisões dos filhos únicos na China
Geração de filhos únicos da China entrou em uma fase em que o apoio familiar começa a mudar de direção

RESUMO +
Mais de 80% dos filhos únicos adultos da China já gastam com os pais ou oferecem apoio financeiro, embora muitos ainda recebam ajuda para moradia, despesas e cuidado dos próprios filhos. O levantamento da seguradora China Life Insurance e do instituto Zhihu Research Institute ouviu 878 pessoas. O envelhecimento dos pais também afeta decisões sobre moradia, poupança e escolha de parceiros.
A geração de filhos únicos da China entrou em uma fase em que o apoio familiar começa a mudar de direção. Muitos adultos ainda recebem ajuda dos pais para moradia, despesas do cotidiano e criação dos próprios filhos, mas mais de 80% já gastam com eles ou oferecem algum tipo de apoio financeiro. O envelhecimento dos pais também começa a influenciar decisões sobre onde morar, quanto poupar e até a escolha de um parceiro.
A questão envolve mais de 200 milhões de pessoas, aproximadamente um em cada sete chineses, segundo os dados apresentados no levantamento. A pesquisa, realizada pela China Life Insurance em parceria com o Zhihu Research Institute, ouviu 878 participantes. Entre os filhos únicos, apenas 20,4% disseram praticamente nunca ter recebido ajuda financeira dos pais depois de chegar à vida adulta.
Pais ainda sustentam parte da vida adulta
Moradia, gastos cotidianos e grandes despesas domésticas estão entre as principais áreas em que essa ajuda continua. Entre os entrevistados casados e com filhos, mais de 70% disseram depender dos pais também para cuidar das crianças.
Mesmo com essa participação, o fluxo financeiro começa a se inverter. Mais de 80% dos filhos únicos afirmaram gastar dinheiro com os pais ou oferecer algum apoio. Quando eles adoecem, 47,7% assumem tarefas como marcar consultas, acompanhar atendimentos, buscar medicamentos e ler exames, enquanto 30% disseram tirar licença especificamente para cuidar deles.
A mudança, porém, ainda é desigual. Para 40,7% dos filhos únicos, os pais continuam oferecendo mais apoio do que recebem. Apenas 6,1% consideram que contribuem mais para os pais. Além disso, 43,5% ainda não começaram a assumir despesas elevadas ou de longo prazo, embora esse tipo de gasto esteja nos planos de cerca de 80% dos entrevistados.
Cuidado já influencia moradia e casamento
A preocupação com o envelhecimento também aparece fora do orçamento. Entre os filhos únicos, 33,7% disseram preferir morar com os pais para facilitar os cuidados na velhice, percentual cerca de dez pontos acima do registrado entre pessoas com irmãos. Outros 23,7% afirmaram considerar, ao escolher um parceiro, se essa pessoa estaria disposta a ajudar nos cuidados com os pais.
Apesar disso, o planejamento financeiro ainda é limitado. Quase 40% dos jovens disseram não ter alterado hábitos de consumo ou poupança pensando na aposentadoria dos pais, e menos de 10% reservam mensalmente dinheiro específico para emergências médicas ou despesas futuras deles.
A própria conversa sobre envelhecimento ainda é pouco frequente. Entre os filhos únicos, 41,6% disseram praticamente nunca ter discutido aposentadoria com os pais. Quando perguntados sobre o que consideram necessário para essa fase da vida, 79,6% citaram seguro-saúde, 70,2% apontaram uma poupança suficiente e mais da metade mencionou cuidados de longo prazo e ajuda no dia a dia.
Fonte: 36kr
