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Sacre Investimentos
Economia
07/07/2026
4 min

Escassez de profissionais atinge recorde e acirra disputa por talentos no mercado brasileiro

Escassez de profissionais atinge recorde e acirra disputa por talentos no mercado brasileiro

A escassez de talentos segue engessando o mercado corporativo brasileiro, com 80% das empresas sem conseguir preencher postos de trabalho em 2026.

De acordo com nova pesquisa do ManpowerGroup, o país se mantém no topo dos mercados globais com maior dificuldade de recrutamento. Esse gargalo de qualificação gera impactos diretos na produtividade das companhias, elevando os custos de retenção e acirrando a disputa por profissionais estratégicos.

O levantamento indica que o problema deixou de ser conjuntural e passou a fazer parte da dinâmica do mercado de trabalho.

Embora o índice tenha recuado um ponto percentual em relação a 2025, quando atingiu 81%, ele permanece praticamente estável desde 2022. Em 2019, antes desse salto, o percentual era de 52%, evidenciando uma mudança significativa no cenário de contratação.

Escassez de talentos se arrasta desde 2022

Os dados mostram que a dificuldade de contratação segue afetando empresas de diferentes portes e segmentos da economia.

Depois da forte alta registrada entre 2019 e 2022, o percentual de empregadores que relatam escassez de profissionais se manteve próximo de 80%, sem retornar aos níveis observados antes da pandemia.

A pesquisa foi realizada entre 1º e 31 de outubro de 2025 e divulgada em julho de 2026. Ao todo, o ManpowerGroup ouviu 39.063 empregadores em 41 países, incluindo empresas brasileiras, para avaliar os desafios enfrentados na contratação de trabalhadores.

Grandes empresas lideram a dificuldade para preencher vagas Por que as grandes empresas são as que mais sofrem?

As organizações de maior porte são as que mais relatam dificuldades para contratar. Segundo o levantamento, 90% das empresas com 1.000 a 4.999 funcionários afirmam encontrar obstáculos para preencher vagas com profissionais que possuam as competências exigidas.

A pesquisa também aponta diferenças entre os setores econômicos. A maior escassez aparece nas empresas de serviços profissionais, científicos e técnicos, onde 85% dos empregadores relatam dificuldades para contratar.

Em seguida vêm as empresas do setor de informação, com 83%. Para o estudo, a falta de profissionais qualificados pode limitar a expansão dos negócios, reduzir a produtividade e dificultar novos investimentos em áreas consideradas estratégicas.

O epicentro do apagão: São Paulo lidera ranking de escassez

A dificuldade para encontrar mão de obra qualificada também varia entre as regiões do país. Conforme o levantamento, São Paulo registra o maior percentual de empresas com dificuldades de contratação, alcançando 88% dos empregadores.

Na sequência aparecem Minas Gerais, com 85%, Rio de Janeiro, com 80%, e Paraná, com 74%. Segundo a pesquisa, essas diferenças refletem características regionais, como a concentração de determinados setores econômicos e a disponibilidade de profissionais especializados.

Falta de profissionais pressiona empresas e amplia demanda por qualificação Custos de retenção disparam com a falta de profissionais

A escassez de talentos produz efeitos que vão além das contratações e expõe um descompasso entre as competências procuradas pelas empresas e as disponíveis no mercado.

Segundo a pesquisa do ManpowerGroup, a dificuldade para preencher vagas intensifica a disputa por profissionais qualificados, pressiona salários em alguns segmentos, pode adiar investimentos e amplia a necessidade de programas de capacitação.

O estudo também identifica as competências técnicas mais escassas no país.

As empresas relatam maior dificuldade para encontrar profissionais com conhecimento em desenvolvimento de modelos e aplicações de inteligência artificial (IA), letramento em IA, tecnologia da informação e análise de dados, front office e atendimento ao cliente, além de marketing e vendas.

Além das competências técnicas, os empregadores afirmam que as chamadas soft skills ganharam peso nos processos seletivos.

As mais valorizadas são profissionalismo e ética no trabalho, comunicação e trabalho em equipe, adaptabilidade e disposição para aprender, pensamento crítico e resolução de problemas e letramento digital.

Para os trabalhadores, o cenário amplia as oportunidades em ocupações com maior demanda, desde que possuam a qualificação exigida pelas empresas.

Já para empregadores e formuladores de políticas públicas, os resultados reforçam a necessidade de investir em formação profissional e reduzir o descompasso entre as habilidades disponíveis e as exigidas pelo mercado.

Pesquisa aponta desafio estrutural para o mercado de trabalho

Mesmo com a pequena redução registrada em relação ao ano anterior, a Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026, do ManpowerGroup, indica que a falta de mão de obra qualificada continua sendo um desafio estrutural para o mercado de trabalho brasileiro.

A manutenção do índice próximo de 80% há quatro anos consecutivos mostra que o problema deve continuar influenciando as estratégias de contratação, qualificação profissional e crescimento das empresas nos próximos anos.

#Sob supervisão Renan Dantas

AutorAmanda Cristina de Souza
FonteMoney Times
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