Espanha confirma 72 mortos em tentativa de entrada em Ceuta pelo Marrocos
Cidade espanhola enfrenta fluxo migratório sem precedentes; Marrocos diz ter registrado 11 mortes e abriu investigação sobre o caso

Pelo menos 72 pessoas morreram ao tentar entrar em Ceuta a partir do Marrocos, informou a Espanha neste domingo, 2. A cidade espanhola vive uma onda migratória sem precedentes e permanece sob vigilância da polícia e do Exército.
Mais cedo, o governo informou quea maioria das cerca de 60 mil pessoas que entraram em Ceuta já retornou ao Marrocos.
"O último dado que temos é de 72", declarou aos jornalistas o delegado do governo espanhol em Ceuta, Miguel Ángel Pérez Triano, ao ser questionado sobre o número de mortos. O balanço anterior era de 67 vítimas fatais.Mais tarde, neste domingo, o Ministério do Interior de Marrocos divulgou seu primeiro balanço, contabilizando onze mortos, sendo dez deles por afogamento e um ao cair de uma área rochosa.
Resposta do governo marroquino
Em comunicado, o Ministério do Interior de Marrocos afirmou que o país "seguirá sendo, conforme prometido, um parceiro confiável e responsável, comprometido a fortalecer a cooperação e a coordenação internacionais".
A pasta atribuiu o fluxo migratório a uma série de fatores combinados: a exploração enviesada do espaço digital, a disseminação de informações enganosas, a atuação de quadrilhas de tráfico de pessoas e interpretações equivocadas de dados legais e administrativos. Esses fatores, segundo o ministério, alimentaram a ilusão de que seria possível acessar o espaço europeu com facilidade e sem consequências.
Medidas de segurança
As autoridades marroquinas adotaram uma abordagem descrita como "proativa e integral", que incluiu o aumento dos níveis de vigilância e mobilização, o reforço da preparação de diferentes órgãos de segurança e autoridades territoriais, e a intensificação do controle terrestre e marítimo, de acordo com o ministério.
A Procuradoria marroquina também abriu uma investigação judicial sobre os diversos atos e fatos associados aos episódios, com o objetivo de apurar responsabilidades e definir os efeitos jurídicos do caso, conforme informou o comunicado oficial.
(*) Com informações da AFP
