Essa empresa subiu mais de 1.000% na bolsa — e criou um novo bilionário

A corrida global para abastecer data centers de inteligência artificial transformou a fabricante de células de combustível Bloom Energy Corp. em um ativo de destaque em Wall Street, com suas ações acumulando alta superior a 1.300% no último ano. No acumulado de 2026, os papéis da companhia já sobem cerca de 290%.
Essa disparada elevou o patrimônio líquido de seu cofundador e CEO, KR Sridhar, de 65 anos, para US$ 1,7 bilhão. Sua fortuna foi calculada e integrada pela primeira vez ao Bloomberg Billionaires Index na última quarta-feira, 24. O executivo detém uma participação de 1,7% na empresa sediada em San Jose, na Califórnia.
Agilidade atrai gigantes da tecnologia
Fundada em 2001, a Bloom Energy fabrica células de combustível de óxido sólido — as "Bloom Boxes" — que geram eletricidade a partir de uma reação química utilizando gás natural, emitindo menos carbono do que usinas térmicas convencionais. Diante do consumo massivo de energia das infraestruturas de IA, o grande diferencial comercial da empresa é a velocidade de entrega: a Bloom afirma conseguir instalar seus sistemas em até seis meses, enquanto projetos nucleares ou turbinas a gás tradicionais enfrentam longos anos de espera e licenciamento.
"O que eu previ não foi a IA", afirmou Sridhar em entrevista recente à Bloomberg. "O que eu previ foi uma transformação digital (...) e que a eletricidade, em vez do calor, se tornaria a energia dominante que precisamos."
Contratos que consolidaram a virada
A onda de contratos recentes consolidou a virada financeira da companhia:
Oracle: Firmou acordo em abril para utilizar 2,8 gigawatts de componentes da Bloom em seus data centers, após a empresa instalar um sistema em apenas 55 dias — um mês antes do prazo previsto.
Nebius Group: Anunciou parceria em maio para utilizar as células de combustível no desenvolvimento de sua infraestrutura de IA nos EUA.
Brookfield Asset Management: Comprometeu-se a destinar até US$ 5 bilhões para implantar os dispositivos da Bloom, marcando o primeiro aporte de seu fundo focado em IA.
Os reflexos comerciais impactaram o balanço financeiro do primeiro trimestre, período em que a Bloom superou as expectativas do mercado ao reportar receita de US$ 751,1 milhões e reverter o prejuízo do ano anterior com um lucro líquido de US$ 70,7 milhões. "Elas não estão sendo negociadas realmente como uma empresa de energia", avaliou Alessio Mastrandrea, analista da Bloomberg Intelligence. "Estão sendo negociadas como uma empresa de IA."
Da NASA ao mercado bilionário
A tecnologia da Bloom tem origem nas pesquisas espaciais de Sridhar. Doutor em engenharia mecânica, ele liderou o Laboratório de Tecnologias Espaciais da Universidade do Arizona, contratado pela NASA para investigar a sustentabilidade da vida humana em Marte. Lá, desenvolveu um dispositivo que usava energia solar para decompor água em hidrogênio e oxigênio, percebendo mais tarde que poderia reverter o processo para gerar eletricidade em larga escala no planeta Terra.
A Bloom captou mais de US$ 1 bilhão em capital de risco, mas operou sem lucros por quase duas décadas, dependendo fortemente de subsídios estatais. Em 2020, dois anos após seu IPO, as ações acumulavam queda de 32% em relação ao preço de estreia — cenário completamente revertido pelo atual rali da inteligência artificial, que impulsionou toda a cadeia de infraestrutura de IA em Wall Street.
O patrimônio de Sridhar poderá crescer ainda mais, já que ele recebeu recentemente um lote de 300.000 ações restritas baseadas em metas operacionais de receita e permanência no cargo. "Não me preocupo com o preço das ações", disse o CEO à Bloomberg. "Temos que continuar executando. É o mercado que decide onde nos encaixamos."
