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Sacre Investimentos
Economia
26/09/2026
4 min

“Essa taxa se torna insustentável”: os juros que enchem o bolso do investidor podem estar virando problema para o Brasil

Renda fixa continua atraente, mas especialistas alertam para o custo de manter a Selic elevada e apontam onde está a possível virada

“Essa taxa se torna insustentável”: os juros que enchem o bolso do investidor podem estar virando problema para o Brasil

“Essa taxa se torna insustentável.” A frase da economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, resume uma das principais contradições que o Brasil levará para 2027: a mesma taxa de juros que mantém a renda fixa especialmente atraente para o investidor também encarece o crédito, pesa sobre as famílias e empresas e limita o crescimento da economia. 

O problema é que o país não chega ao próximo ciclo apenas com juros elevados. Há também endividamento, pressão sobre as contas públicas e uma inflação que ainda precisa dar espaço para o Banco Central cortar a Selic de forma consistente. 

Ao mesmo tempo, o Brasil pode ter uma carta na manga. Em um mundo mais fragmentado, no qual países e empresas buscam cadeias de produção menos dependentes de grandes potências, petróleo, alimentos, minerais e energia podem ganhar valor. 

É desse choque entre uma economia que precisa de juros menores e um mundo que pode aumentar o valor dos ativos brasileiros que passa boa parte da discussão sobre investimentos para 2027. 

Os juros que ajudam o investidor — mas cobram seu preço

Para quem está na renda fixa, o cenário atual ainda é confortável. Com a Selic em patamar elevado, aplicações atreladas ao CDI e títulos públicos oferecem remuneração robusta. 

Mas Vitória faz uma ressalva: trata-se de uma oportunidade que não deve ser vista como uma realidade permanente. 

“A remuneração da renda fixa que segue a taxa básica e os títulos do Tesouro é bastante atrativa. [...] Mas aproveitem, pois isso muda”, afirmou. 

Na outra ponta, o juro alto encarece o crédito, aumenta o custo das dívidas e dificulta os investimentos das empresas. Segundo a economista, os efeitos já aparecem em reestruturações de dívidas e no fechamento de companhias. 

A expectativa é de uma economia mais forte em 2027, mas, para isso, será preciso abrir espaço para uma trajetória de juros mais baixos. E aí a conta fiscal entra no centro da discussão. 

Fiscal: a conta que o Brasil precisa fechar em 2027 

Para Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group, controlar os gastos públicos é uma das condições para que o Banco Central consiga reduzir os juros de maneira mais firme. 

“Se você controla o gasto, a inflação cai e o Banco Central pode reduzir os juros de forma mais firme”, afirmou. 

O desafio é que boa parte do orçamento está comprometida com despesas obrigatórias, enquanto o envelhecimento da população tende a aumentar a pressão sobre previdência e saúde. 

Por isso, a questão para 2027 não será apenas até onde a Selic pode cair, mas o que será feito para permitir que ela permaneça em um nível mais baixo sem reacender a inflação. 

Vitória ressalta que o ajuste fiscal precisa ser conciliado com políticas sociais. A carga tributária já representa cerca de 34% do PIB, enquanto programas de transferência de renda têm papel relevante. 

“O caminho técnico para o ajuste é conhecido por todas as correntes políticas; o que exige decisão é a vontade política para reverter a trajetória de gastos que gera inflação e juros elevados”, afirmou. 

O mundo pode jogar a favor do Brasil 

Se o fiscal é o problema doméstico, o cenário internacional pode ser parte da oportunidade. 

Na avaliação de Garman, conflitos no Oriente Médio, a disputa entre Estados Unidos e China e a fragmentação do comércio devem manter um ambiente global mais volátil, com inflação e juros mais altos por mais tempo. 

Mas há um efeito colateral potencialmente favorável ao Brasil: quanto mais países e empresas buscam cadeias de produção resilientes e menos dependentes de grandes fornecedores, mais relevantes podem se tornar os recursos brasileiros. 

“Se estamos num mundo de mais conflitos geopolíticos, onde países e o setor privado estão focados na resiliência de suas cadeias produtivas para ficar menos dependentes da China e dos Estados Unidos, os ativos que o Brasil possui vão crescer em valor”, afirmou. 

Isso porque o país reúne produção agrícola em larga escala, petróleo, reservas minerais e uma matriz energética com forte participação de fontes renováveis.  

Para Garman, a corrida tecnológica pode reforçar essa demanda, já que a expansão da inteligência artificial e de outros setores exige justamente energia e matérias-primas. 

AutorCamille Lima
FonteSeu Dinheiro
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