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Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
02/07/2026
4 min

Essas três ações dobraram de preço em um ano; veja o que impulsionou a alta

Essas três ações dobraram de preço em um ano; veja o que impulsionou a alta

O Ibovespa acumula alta de mais de 20% nos últimos 12 meses. O período foi de volatilidade, com o índice chegando aos 200 mil pontos antes de recuar para a casa dos 170 mil. Mesmo assim, algumas ações do índice conseguiram entregar retornos muito acima da média — e até dobraram de preço.

Copasa (CSMG3), Usiminas (USIM5) e Eneva (ENEV3) subiram, respectivamente,  +122,08%, +105,10% e +95,75%.

Na avaliação de analistas, embora cada empresa tenha seus próprios catalisadores, todas compartilham uma característica: a valorização foi sustentada por eventos concretos que mudaram a percepção do mercado sobre seus fundamentos.

1º Copasa: privatização destravou valor

A Copasa valorizou Para João Debom, sócio da Alude Capital, a Copasa foi o caso mais emblemático entre as ações que dispararam.

"A privatização, aprovada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais no fim de 2025 e concluída em 2026 com a entrada da Equatorial no controle, transformou estruturalmente a tese da empresa. O mercado demorou a acreditar que o processo sairia do papel — quem antecipou colheu mais de 120% de valorização."

O Vitor Sousa, analista da Genial Investimentos, concorda que a privatização foi o principal gatilho para a alta, mas destaca que o mercado também passou a precificar um potencial de crescimento superior ao de outras empresas do setor.

"Para fins de comparação, as ações da Sabesp já mais do que dobraram desde a materialização da privatização. No caso da Copasa, acreditamos que a performance e o respectivo prêmio da empresa em relação à Sabesp se devem à maior taxa de remuneração dos investimentos realizados (9,42% CSMG3 versus 7,86% SBSP3)”, diz.

Ele continua: “Além disso, o crescimento esperado da base de remuneração regulatória é maior, já que os investimentos previstos para a Copasa são proporcionalmente superiores. Ou seja, a companhia teria um potencial de crescimento maior."

2º Usiminas: recuperação operacional e proteção ao aço nacional

Na Usiminas, a valorização veio da combinação entre melhora dos resultados da companhia e mudanças no ambiente competitivo.

"O primeiro vetor foi interno: a empresa reverteu prejuízo em lucro e entregou resultados acima do esperado. O segundo foi externo: as medidas antidumping contra o aço importado reequilibraram o mercado doméstico e agiram como multiplicador de resultado para a siderúrgica", afirma Debom.

Sousa avalia que a tese vai além da recuperação operacional.

"Essa valorização não se apoia em apenas um fator isolado, mas na convergência simultânea de múltiplos catalisadores que raramente se alinham desta forma. O mais estrutural deles é o antidumping. O governo federal vem implementando, de forma sequencial, um conjunto de medidas de defesa comercial que está gradualmente transformando a dinâmica competitiva do aço plano no Brasil."

O analista também cita outros fatores ainda pouco precificados pelo mercado, como a possibilidade de recuperação de juros sobre capital próprio (JCP) retroativos e um programa bilionário de investimentos em eficiência operacional.

Apesar do cenário favorável, Sousa recomenda cautela no curto prazo.

"Reconhecemos que o próximo trimestre funcionará como um teste importante para um possível re-rating da companhia", afirma. Entre os pontos que acompanhará estão o resultado do segundo trimestre, a decisão sobre o antidumping e eventuais definições do conselho sobre o JCP retroativo. A recomendação é manter a ação.

3º Eneva: receita garantida por uma década

No caso da Eneva, o principal gatilho veio do Leilão de Reserva de Capacidade realizado neste ano.
"Foi onde a companhia contratou novos projetos que adicionaram bilhões em receita fixa de longo prazo — visibilidade de caixa para os próximos dez anos", diz Debom.

Sousa destaca a dimensão do contrato conquistado pela empresa.

"A empresa teve uma performance muito positiva desde o leilão de reserva de capacidade. A companhia contratou cerca de 5 GW de potência, com aproximadamente R$ 18 bilhões de investimentos esperados. Para fins de comparação, a Eneva tem atualmente cerca de 7 GW de capacidade instalada."

Na visão de Debom, apesar de atuarem em setores completamente diferentes, as três companhias seguiram um padrão semelhante.

"Teses identificáveis, com gatilhos concretos. O que faltava era convicção para manter a posição até o evento se materializar."

AutorRebecca Crepaldi
FonteExame
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