Esse banco caiu demais — e agora pode disparar 70%, calcula XP

O PicPay (PICS), apesar de ter levantado uma bolada em sua oferta de ações, acumula queda de 44% desde chegou na bolsa. Algo que, na visão da XP, cria uma oportunidade de entrada em um papel com potencial relevante.
Os analistas iniciaram a cobertura com preço-alvo de US$ 18, o que representa upside de 70% em relação aos preços atuais.
Na visão da XP, o PicPay já parte de uma posição privilegiada, com uma carteira digital escalável e altamente engajada, que conta com cerca de 44 milhões de usuários ativos. Isso ajuda a reduzir riscos e gera dados proprietários valiosos para a oferta de produtos financeiros.
“Essa base permite uma rápida expansão do crédito (CAGR da carteira de 40% entre 2025 e 2028), impulsionando o crescimento da margem financeira (NII, na sigla em inglês) e das margens de juros líquidas“.
O resultado é um forte crescimento do lucro líquido e do ROE (retorno sobre o patrimônio líquido), que deve alcançar 26% em 2027.
No primeiro trimestre, o PicPay teve lucro líquido ajustado de R$169 milhões no primeiro trimestre do ano, alta de 92%. A rentabilidade sobre o patrimônio (ROE) ajustada ficou em 15,5%, de 24,4% no quarto trimestre do ano passado.
Além disso, a XP vê a ação como barata. Segundo a corretora, o papel é negociado com um desconto relevante, com um múltiplo preço/lucro (P/L) de apenas 7 vezes, ante 15 vezes do Nubank.
“O mercado subestima a capacidade da companhia de escalar sua operação de crédito com rentabilidade, criando uma tese atrativa de alto risco e alto retorno, na qual a execução da estratégia de crédito, os riscos regulatórios e o cenário macroeconômico são as principais variáveis a serem monitoradas.”
Carteira de crédito ainda está no começo
Segundo a XP, o principal diferencial do PicPay está na rápida expansão da carteira de crédito, que deve crescer de R$ 24 bilhões em 2025 para R$ 64 bilhões em 2028, o equivalente a um CAGR de 40%. Nesse período, o crédito passaria a representar 70% das receitas da companhia.
“Isso impulsiona fortemente o NII, sustentado por NIMs elevados (acima de 15%) e por um mix de yields mais alto, enquanto o aumento da alavancagem do balanço melhora os retornos.”
Ao mesmo tempo, destaca a XP, a alavancagem operacional é significativa, resultando em forte crescimento do lucro e levando o ROE de volta para perto de 30%.
Apesar do potencial, os analistas apontam alguns riscos no radar:
- execução da estratégia de crédito;
- regulação mais restritiva; e
- deterioração do cenário macroeconômico.
