Esse empresário goiano fatura milhões com moda e agora aposta em nova ‘Vila Country’
Depois de criar a "Disneylândia do agro", Rubens Inácio também investe em projeto imobiliário e centro equestre em Goiás

Conhecida pela ligação com o universo sertanejo e agro, a TXC quer avançar para além das lojas country. A estratégia da marca goiana para os próximos anos passa por ocupar mais espaço nas multimarcas de moda, elevar o tíquete médio e usar inteligência artificial para melhorar uma das áreas que considera mais importantes para o varejo: as compras.
A companhia participou do Negócios em Expansão 2026, ranking da EXAME que reconhece empresas brasileiras em crescimento. Em 2025, a TXC alcançou R$ 98,45 milhões em receita operacional líquida, crescimento de 13,5% em relação ao ano anterior. O desempenho colocou a empresa na 115ª posição na categoria de companhias com receita entre R$ 30 milhões e R$ 150 milhões no Neex 2026.
Para este ano, a companhia pretende acelerar esse ritmo. A TXC projeta crescer cerca de 30% e dobrar sua margem em relação ao ano anterior, segundo Rubens Inácio, fundador e CEO da Texas Center e da TXC. O movimento acontece depois de um período em que a empresa optou por desacelerar a expansão do faturamento para reposicionar a marca e priorizar rentabilidade.
“Não adianta eu crescer faturamento e perder margem, muito menos vender para qualquer um”, afirma Inácio. Segundo o empresário, a companhia chegou a considerar aceitável encerrar um período sem crescimento de receita caso conseguisse avançar no posicionamento e na valorização dos produtos.
Agora, a ambição voltou a crescer. O objetivo é dobrar de tamanho em três anos, apoiado principalmente na expansão para um mercado em que a TXC ainda tem baixa penetração: as lojas multimarcas de moda.
De marca country a marca de moda
A mudança de posicionamento é uma das principais apostas da TXC. Segundo Inácio, 48% dos produtos da companhia já são vendidos em multimarcas de moda, e não em lojas exclusivamente country.
A diferença de penetração entre os dois mercados ajuda a explicar onde a empresa enxerga sua próxima avenida de crescimento. De acordo com o executivo, a TXC está presente em oito de cada dez lojas country consideradas pelo grupo, enquanto chega a apenas 1,8 de cada dez multimarcas de moda.
“Olha o tamanho do mercado que dá para crescer agora no multimarca, sendo uma marca de moda e não só uma marca tradicional country. É aí que a gente mira dobrar em três anos”, diz.
Atualmente, a empresa está presente em 2.200 pontos de venda e possui mais de 70 franquias. Aproximadamente metade das multimarcas em que aparece está ligada à moda e a outra metade ao segmento country.
Para chegar a novos consumidores, a estratégia passa também pelo produto. O executivo afirma que a TXC busca construir uma oferta masculina mais clássica e menos dependente das tendências do universo sertanejo, permitindo que a marca divida espaço com outras companhias tradicionais do vestuário.
Esse reposicionamento já teve impacto nas contas. Inácio atribui boa parte do crescimento recente à elevação do tíquete médio, e não simplesmente ao aumento da distribuição. A companhia investiu em tecnologia, novas categorias e produtos mais premium para elevar o valor percebido da marca.
IA entra nas compras e reduz falta de produtos
Outro pilar da expansão está na inteligência artificial. Mas, ao contrário de empresas que concentram seus projetos de IA em marketing, atendimento ou vendas, a TXC decidiu colocar boa parte dos esforços na área de compras.
A companhia criou uma comissão dedicada à tecnologia para desenvolver agentes de IA, reestruturar processos e eliminar etapas consideradas desnecessárias. O objetivo central é prever melhor a demanda e reduzir a ruptura — quando um produto procurado pelo consumidor falta na prateleira.
“Para nós, o que vai mudar o ponteiro do varejo chama-se compras. É encurtar o espaço de ruptura”, afirma Inácio. “O jogo do varejo não é vender, é comprar.”
A lógica é especialmente relevante porque, segundo o executivo, seis de cada dez produtos vendidos são itens básicos, que precisam estar disponíveis continuamente. Quanto mais cedo a empresa conseguir prever que determinado produto ficará em falta, maior a possibilidade de antecipar a reposição.
A Texas Center tem sido utilizada como uma espécie de laboratório para essas tecnologias antes de sua aplicação em outras operações. Segundo Inácio, uma das empresas registrou crescimento de 66%, e a companhia associa cerca de metade desse avanço ao uso de IA para reduzir rupturas e aumentar a eficiência das compras.
A intenção agora é também oferecer essa tecnologia às lojas multimarcas parceiras.
TXC quer triplicar participação dos importados
A busca por margem também está levando a companhia a rever uma característica histórica de sua cadeia de fornecedores.
Hoje, aproximadamente 10% dos produtos são importados, principalmente da Ásia. A meta é elevar essa participação para 30% no próximo ano. Desse total projetado, cerca de 25 pontos percentuais devem vir da Ásia e aproximadamente 5 pontos de outros mercados, entre eles o Peru.
A mudança representa uma inflexão para uma companhia que historicamente privilegiou a produção nacional. Atualmente, segundo Inácio, cerca de metade da produção brasileira da empresa está concentrada em Goiás, enquanto aproximadamente 30% fica no Rio Grande do Sul e os demais 20% se dividem entre Paraná e São Paulo.
O CEO afirma que a decisão de ampliar as importações está ligada principalmente à competitividade e à estrutura tributária.
“A gente sempre gostou muito, como propósito, de ser uma empresa empregadora, gerar emprego aqui”, diz. “Mas a gente tem que olhar para margem. Para ser competitivo, tem que ter parte lá fora.”
Do varejo ao mercado imobiliário
A expansão dos negócios de Inácio também chegou ao mercado imobiliário. O empresário entrou como sócio de um projeto em Goiás que reúne a Fazenda Village, um condomínio residencial, e a Texas Center Ranch, um centro equestre que deverá contar com mall, igreja e espaços para eventos e convenções.
Segundo Inácio, foram disponibilizados mais de 600 lotes, e 92% do empreendimento já havia sido vendido nos primeiros 90 dias do lançamento.
O projeto tem VGV inicial de aproximadamente R$ 250 milhões e horizonte até 2030. Inácio afirma que sua parte no investimento está projetada em cerca de R$ 32 milhões.
Após o desempenho inicial em Goiás, a intenção é levar o conceito para outras regiões do Brasil.
Mais margem e caixa para sustentar a expansão
Por trás das diferentes frentes, Inácio diz que a prioridade deixou de ser simplesmente aumentar o faturamento. A palavra de ordem agora é caixa.
Para a TXC, a projeção indicada pelo executivo é de aproximadamente 30% de crescimento neste ano, acompanhado da meta de dobrar a margem. Em outra operação do grupo, a Texas Center, a expectativa mencionada por Inácio chega a 60% de crescimento.
Ao mesmo tempo, o grupo trabalha para profissionalizar a governança. A meta é chegar a julho de 2027 com uma estrutura mais formalizada e um conselho constituído — hoje, segundo o fundador, as empresas já trabalham em formato semelhante ao de um conselho, mas sem a formalização.
Para Inácio, o crescimento daqui para frente dependerá menos de simplesmente vender mais peças e mais da capacidade de combinar posicionamento, tecnologia, tributação e eficiência nas compras.
“Podem falar o que quiser, tem que ter caixa para empreender e se manter no Brasil”, afirma. “Nosso foco é gerar caixa.”
O que é o ranking Negócios em Expansão
O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.
Em 2026, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2025.
São 491 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.
