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NegóciosMPOL
01/10/2026
5 min

Esta empresa dobra de tamanho todos os anos ajudando restaurantes a ouvir seus clientes

Criada por quatro amigos da Universidade Federal de Juiz de Fora, empresa saiu de R$ 200 mil de receita em 2022 para projeção de R$ 4 milhões em 2026

Esta empresa dobra de tamanho todos os anos ajudando restaurantes a ouvir seus clientes

Criada por quatro amigos da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a startupFalaê nasceu de uma percepção simples: restaurantes recebiam reclamações e elogios diariamente, mas poucos conseguiam transformar essas informações em decisões para melhorar a operação.

Hoje, a empresa atende 2.200 bares e restaurantesem todo o país, processa entre 300 mil e 400 mil feedbacks por mês e projeta alcançar R$ 4 milhões de faturamento em 2026. A trajetória chama atenção pelo ritmo de crescimento: a receita saiu de R$ 200 mil em 2022 para R$ 500 mil no ano seguinte, chegou a R$ 1 milhão em 2024 e dobrou novamente em 2025, quando alcançou R$ 2 milhões.

“O que nos fez crescer ano a ano dessa forma é a proximidade com o cliente. Ter uma marca forte, estar presente nos grandes momentos do mercado de food service e construir solução junto com o cliente”, afirma Bernardo Netto, CEO e cofundador da Falaê.

Recentemente, a empresa captou R$ 1,5 milhão no primeiro semestre. O recurso será usado principalmente para ampliar a distribuição e acelerar o desenvolvimento do produto. 

Como uma consultoria virou uma plataforma de experiência do cliente

Antes de ser uma empresa de tecnologia, a Falaê começou como uma consultoria de experiência do cliente. Bernardo Netto, Enzo Conforte, Igor Paiva e Josué Henrique se conheceram na UFJF, onde participaram de iniciativas dentro da universidade e da empresa júnior.

Depois da graduação, os quatro criaram uma consultoria chamada B2S, com projetos para diferentes setores, incluindo hospitais, laboratórios e restaurantes. Foi justamente no setor de alimentação que eles encontraram uma oportunidade mais clara.

Durante a pandemia, os sócios perceberam que restaurantes precisavam entender melhor o comportamento dos consumidores em um momento de mudança acelerada nos hábitos de compra.
“A gente sempre teve essa sede, sempre viu no setor uma dificuldade muito grande de centralidade do cliente”, afirma Bernardo.

Segundo ele, os restaurantes passaram a demandar informações mais rápidas sobre a experiência dos consumidores. Em vez de relatórios mensais, queriam dados que ajudassem a corrigir problemas diariamente.

“A gente fazia pesquisa in loco nos restaurantes sexta-feira, 21h da noite, formulário online, formulário de papel, compilava dados, captava dados de tudo até chegar numa plataforma que hoje tem mais de 2.200 restaurantes”, diz Bernardo.

O que a plataforma entrega aos restaurantes

O modelo de negócioda Falaê funciona por assinatura mensal. Os restaurantes contratam a plataforma para coletar, organizar e analisar informações dos clientes.

A ferramenta permite pesquisas por QR Code, WhatsApp, e-mail ou tablets, capturando informações sobre satisfação, comportamento e percepção dos consumidores. Os dados também podem gerar alertas em tempo real para gestores.

Um exemplo citado pelos sócios é o de um cliente que recebe uma experiência ruim em um restaurante. Caso uma pizza chegue fria ou exista algum problema no atendimento, o gestor pode receber um alerta antes que a reclamação vire uma avaliação negativa pública.

“Ele pode receber um alerta na hora no WhatsApp, podendo tratar a insatisfação do consumidor até mesmo antes de ele sair da mesa”, afirma Bernardo.

No outro lado, consumidores satisfeitos podem ser direcionados para avaliações públicas, ajudando a melhorar a reputação digital dos estabelecimentos.

“A gente também te encaminha para avaliar no Google, aumentando assim as notas e a quantidade de avaliações do restaurante”, explica Enzo Conforte, COO e cofundador.

Além dos feedbacks, a plataforma reúne informações sobre avaliações em diferentes canais, como Google, iFood, TripAdvisor, Reclame Aqui e redes sociais.

Por que a empresa decidiu focar em restaurantes

Apesar de a tecnologiapoder ser aplicada em diferentes setores, os sócios decidiram concentrar esforços em gastronomia. Hoje, 95% da base da empresa está no segmento.

“A gente chegou em um certo momento que optou realmente por se especializar no ramo da gastronomia, por entender que a nível de marketing, produto e comercial a gente conseguiria entregar o melhor resultado”, afirma Enzo.

A estratégia ajudou a empresa a desenvolver uma solução mais específica para os desafios dos restaurantes, em vez de atuar como uma plataforma genérica de pesquisas.

Entre os clientes estão redes maiores e também estabelecimentos independentes considerados referências locais. Os sócios citam negócios como Grupo Fábrica de Bares, além de restaurantes e bares regionais.

“A gente atende desde os grandes aos local heroes. São aqueles locais icônicos, que podem ter uma loja ou podem ter dez lojas”, afirma Bernardo.

Qual é a estratégia para continuar dobrando de tamanho

Para manter o ritmo de crescimento, a Falaê aposta em uma combinação de aquisição digital, presença física e relacionamento próximo com o mercado.

Segundo Bernardo, a empresa mantém uma estratégia híbrida: usa canais digitais para captar clientes, mas também participa de eventos e mantém presença próxima dos operadores do setor.

“A gente tem uma parte digital muito forte, com conteúdo, anúncio, muita captação de cliente online, mas tangibiliza muito isso com participação em feiras e presença física com cliente”, afirma.

A empresa também aposta em parceiros como consultores e agências de marketing. Atualmente, possui integração com mais de 40 sistemas e uma base de mais de 100 consultores que indicam a solução para restaurantes.

O próximo passo é ampliar a distribuição. A meta é chegar a 5 mil restaurantes atendidos até o fim de 2027.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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