Esta empresa faturou milhões conectando médicos e pacientes. Agora quer conquistar PMEs

Os custos dos planos de saúde seguem pressionando empresas de todos os tamanhos. Para muitas pequenas e médias companhias, oferecer o benefício se tornou inviável. É justamente nesse espaço que a Dr. Online vê sua próxima avenida de crescimento.
A healthtech, que atua com telemedicina e serviços de saúde digital, encerrou 2025 com receita superior a R$ 45 milhões, dobrou sua base de contratos e alcançou 12 milhões de vidas cobertas.
Agora, a empresa quer ampliar sua presença entre negócios que buscam alternativas mais acessíveis ao modelo tradicional de assistência médica.
A aposta acontece em um momento de amadurecimento do mercado de saúde digital. Depois do boom provocado pela pandemia, muitas empresas do setor precisaram provar que conseguiam transformar crescimento em operações sustentáveis. Na Dr. Online, o discurso é de eficiência.
No primeiro trimestre deste ano, a companhia registrou crescimento de 42% sobre igual período de 2025, mantendo EBITDA e fluxo de caixa positivos. Para 2026, a expectativa é ultrapassar R$ 60 milhões em faturamento.
“Existe uma parcela enorme das empresas brasileiras que gostaria de oferecer algum benefício de saúde aos colaboradores, mas não consegue arcar com os custos de um plano completo”, afirma Dennis Pedroso, executivo-geral da companhia.
Da pandemia para um negócio de escala
Criada em 2022 pelo Grupo FAPES, a Dr. Online nasceu em meio à explosão da telemedicina durante a pandemia. O objetivo inicial era ampliar o acesso a consultas médicas por meio de uma plataforma digital.
O que começou com pronto atendimento virtual evoluiu para uma operação mais ampla. Hoje, a empresa oferece consultas em 34 especialidades, além de serviços ligados à saúde mental, uma das áreas que mais cresceram nos últimos anos.
Ao longo de 2025, a companhia ultrapassou a marca de 1 milhão de atendimentos realizados e consolidou parcerias com mais de 60 operadoras e instituições de saúde.
Entre os clientes estão organizações como Cemil, Unimed BH, Unimed Odonto e SulAmérica.
O que diferencia a operação
Em um mercado repleto de marketplaces de saúde, a Dr. Online decidiu seguir por outro caminho.
Em vez de simplesmente conectar pacientes e médicos, a empresa trabalha com um corpo clínico próprio, formado por mais de 540 profissionais entre médicos, psicólogos, fonoaudiólogos e especialistas de diferentes áreas.
Os profissionais passam por processos seletivos, treinamento e avaliação contínua antes de integrar a operação.
Segundo Pedroso, a estratégia busca resolver um dos principais desafios da telemedicina: manter a qualidade do atendimento à medida que a escala aumenta.
“Acesso é importante, mas acesso sem qualidade não resolve o problema”, afirma.
A empresa diz registrar turnover inferior a 7% entre os profissionais credenciados e taxa de resolutividade superior a 90% nas consultas.
Crescer sem perder eficiência
A chegada de Pedroso à liderança da operação, há cerca de um ano, faz parte desse movimento.
Antes da Dr. Online, o executivo acumulou mais de uma década de experiência no setor de saúde, incluindo uma passagem pela diretoria da Unimed Ribeirão Preto.
Segundo ele, o desafio atual da saúde digital é diferente daquele vivido durante a pandemia.
Se antes a prioridade era ampliar o acesso, agora o mercado exige previsibilidade financeira, qualidade assistencial e capacidade de retenção dos usuários.
Hoje, cerca de 30% dos pacientes voltam a utilizar a plataforma em até um ano após o primeiro atendimento.
Para a empresa, esse indicador é mais importante do que o crescimento acelerado da base de usuários.
“O NPS pesa mais para nós do que simplesmente aumentar o número de vidas cobertas. Saúde não é um mercado em que você pode crescer a qualquer custo”, diz.
A próxima aposta da Dr. Online
O próximo ciclo de expansão deve vir do mercado corporativo.
A companhia começou a desenvolver soluções voltadas para empresas que não oferecem plano de saúde aos colaboradores, mas buscam disponibilizar algum tipo de atendimento médico, psicológico ou preventivo.
A demanda ganhou força especialmente após o aumento da preocupação das empresas com saúde mental e bem-estar no ambiente de trabalho.
A expectativa da companhia é que essa frente represente cerca de 10% da receita nos próximos anos.
Para Pedroso, a oportunidade está menos em competir com operadoras e mais em complementar a oferta existente.
“Não enxergamos as operadoras como concorrentes. Na maior parte dos casos, atuamos como parceiros, ampliando o acesso e oferecendo novos serviços aos beneficiários.”
Depois de um período em que a telemedicina precisou provar sua relevância, a disputa agora é outra: mostrar que o modelo consegue combinar escala, qualidade e rentabilidade. É nessa equação que a Dr. Online aposta para sustentar sua próxima fase de crescimento.
