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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
14/07/2026
6 min

Esta empresa transformou a foto de treino em um negócio de R$ 400 milhões — e agora mira o bilhão

Esta empresa transformou a foto de treino em um negócio de R$ 400 milhões — e agora mira o bilhão

Por décadas, ganhar dinheiro com fotografia dependeu de agenda cheia: casamento, ensaio, evento corporativo. Fora dessa lógica, o atleta amador que quisesse uma foto correndo, pedalando ou surfando não tinha a quem recorrer.

A brasileira Banlek construiu um negócio exatamente sobre essa lacuna.

Em vez de vender horas, o fotógrafo vai a treinos, corridas e estádios, registra quem está ali e sobe tudo para a plataforma. Do outro lado, o cliente envia uma selfie e o reconhecimento facial devolve todas as imagens em que ele aparece, à venda a partir de 20 reais.

São mais de 8 milhões de clientes conectados por mês a mais de 90 mil fotógrafos.

A empresa vive sua fase mais agitada. Em 2025, vendeu mais de R$ 400 milhões em fotos e vídeos, o dobro do ano anterior. No mesmo período, iniciou a operação europeia, que rendeu mais de 300 mil euros nos primeiros 60 dias, e começou a trocar processos internos por agentes de inteligência artificial.

A projeção é cruzar 1 bilhão de reais em vendas até o início de 2027.

"A nossa corrida sempre foi em fazer um fotógrafo parceiro entender que a gente é a melhor opção não necessariamente só em tecnologia", diz Jonathas Guerra, CEO e sócio-fundador da Banlek com a Maria Eduarda Guerra. "Eu sou aquele cara que é obcecado pelo cliente."

O plano para os próximos anos é acelerar a presença internacional, ampliando a operação na Europa e iniciando a expansão na América do Norte, onde a empresajá fez a cobertura de dois amistosos da seleção americana antes da Copa do Mundo. A meta financeira para 2026 é chegar a R$ 50 milhões de receita, com a possibilidade, segundo a empresa, de dobrar esse número, dependendo do desempenho no segundo semestre.

Como funciona a Banlek

O modelo tem dois lados. De um, o fotógrafo vai a eventos, treinos ou locais movimentados — praias, estádios, pistas de corrida — e fotografa quem está praticando esporte. Depois, sobe as imagens para a plataforma, que usa inteligência artificial para reconhecimento facial.

Do outro, o cliente entra no site, envia uma selfie e encontra todas as fotos em que aparece. A compra é feita na hora, e as imagens vão para o celular ou, se impressas, para a casa do cliente.

A maior parte das vendas vem da fotografia esportiva amadora: corrida, surf, bike, futebol, beach tennis, crossfit. O preço médio de uma foto digital gira em torno de 20 reais. A Banlek fica com uma comissão de até 10% sobre as vendas digitais e de cerca de 50% no caso das fotos impressas, produzidas e enviadas por parceiros de logística.

Segundo a empresa, há fotógrafos que faturam mais de R$ 75 mil por mês na plataforma.

Fundada em 2020, a Banlek reduziu a comissão média cobrada do fotógrafo de cerca de 30% para perto de 9%, segundo Guerra.

"Provamos que é possível crescer pelo volume, pela confiança e pela recorrência, e não pela exploração do profissional", afirma.

O modelo combina comissão sobre vendas com uma assinatura premium e a venda de produtos físicos, como impressões e quadros, que ampliam o ticket médio.

Como foi a virada com inteligência artificial

Nos últimos doze meses, a Banlek reorganizou a operação em torno da inteligência artificial.

A tecnologia assumiu áreas que antes dependiam de equipes inteiras, como a análise de risco das vendas e o atendimento ao cliente. Segundo Guerra, os agentes autônomos, sistemas de IA que executam tarefas sem intervenção humana, absorveram de 70% a 80% do trabalho de verificação de risco e reduziram em 70% o volume de atendimento.

O movimento levou a empresa a repensar o próprio negócio. Guerra conta que passou os últimos seis meses refazendo o modelo de operação, mudou a sede de Petrópolis, no Rio de Janeiro, para São Paulo, e trouxe a equipe de volta ao trabalho presencial para acelerar o desenvolvimento de novos produtos.

O desafio, diz o CEO, é menos técnico e mais de gestão.

"Eu sei que eu consigo fazer essa receita dobrar até o final do ano, mas eu preciso convencer todos os meus funcionários que esse é o novo caminho e que todo mundo vai ter que mudar radicalmente", afirma.

A comparação que ele usa é a de uma empresa que já estava em pleno funcionamento antes da onda de IA e precisa trocar peças sem parar de crescer — como um foguete já lançado.

A entrada na Europa

A expansão internacional começou de forma cautelosa, em 2024, e ganhou ritmo no último ano.

Em seis meses, a empresa afirma ter vendido mais de 1 milhão de reais na Europa, com operação em países como Portugal, Espanha, Finlândia, França e Irlanda. A estratégia repete a fórmula brasileira: começar por eventos esportivos e locais de grande circulação, como partidas de futebol, vôlei, futsal, crossfit e corridas de rua.

A base tecnológica veio de aquisições. A Banlek comprou a Epics, empresa com mais de 15 anos de mercado que já operava na Europa, por 9,5 milhões de reais, e a SurfMappers, voltada aos segmentos esportivo e outdoor. A expectativa da empresa é ultrapassar 5 milhões de euros em receita no continente até o final de 2026.

Nos Estados Unidos, a Banlek começou a testar o modelo antes da Copa do Mundo, cobrindo a torcida em dois amistosos da seleção americana, nos mesmos moldes do que faz no Maracanã. Durante o torneio, a empresa também lançou uma função em que o usuário tira uma selfie e gera uma figurinha personalizada, vendida como imã de geladeira ou adesivo — uma experiência que, segundo Guerra, abriu uma nova frente de receita voltada ao consumidor final.

A concorrência e o desafio de manter a liderança

Com cerca de 70% do mercado, segundo a empresa, a Banlek virou alvo.

"Fica muito mais fácil as outras plataformas assediarem o nosso fotógrafo fazendo ofertas", diz Guerra.

Ele reconhece que a disputa pelo profissional ficou mais dura nos últimos doze meses e que a empresa sofreu com o assédio de concorrentes, mas afirma ter conseguido reverter boa parte das perdas. No Brasil, a principal rival é a FotoTop.

A resposta da Banlek tem sido lançar funções que dificultam a cópia e prendem o fotógrafo à plataforma.

Uma delas permite ao profissional repassar a taxa de serviço ao cliente final, nos moldes do que fazem iFood e Uber — mudança que, segundo a empresa, deve gerar 2 milhões de reais adicionais de receita ao ano. Outra protege as imagens contra prints: ao tentar capturar a tela, o cliente tem a visualização bloqueada, um recurso pensado para impedir que a IA remova marcas d'água de fotos de pontos turísticos como o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar.

A empresa também passou a investir em outras startups. Guerra afirma que a Banlek tem como meta aplicar ao menos 1 milhão de reais por ano no ecossistema, e já fez aportes fora de seu setor de origem, incluindo uma rodada de 700 mil reais em uma startup de correspondente bancário e imobiliário.

A tese, diz o CEO, é levar a experiência acumulada na fotografia para negócios que enfrentam problemas parecidos.

AutorDaniel Giussani
FonteExame
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