Estados dos EUA preparam ofensiva contra fusão de US$ 110 bilhões entre Paramount e Warner Bros

A fusão de US$ 110 bilhões entre Paramount e Warner Bros, anunciada como uma das maiores operações da história de Hollywood, enfrenta um novo obstáculo regulatório nos Estados Unidos.
Segundo informações da Reuters, Califórnia, Nova York e outros estados americanos preparam uma ação judicial para tentar bloquear a aquisição da Warner Bros pela Paramount. O processo deve ser protocolado nas próximas semanas e pode representar um dos movimentos mais agressivos já feitos por governos estaduais no campo antitruste.
A iniciativa ocorre em um momento em que autoridades estaduais buscam ampliar sua atuação na fiscalização da concorrência, especialmente diante da percepção de que o governo federal tem adotado uma postura menos rigorosa em grandes operações corporativas.
O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, tem liderado a oposição ao negócio desde que a Paramount anunciou a compra da Warner Bros, após superar uma proposta apresentada pela gigante do streaming Netflix. Na quinta-feira, Bonta criticou o que chamou de "abdicação" das agências federais responsáveis pela defesa da concorrência.
Nesta sexta-feira, 5, um porta-voz do gabinete do procurador confirmou à Reuters que a investigação sobre a operação continua em andamento, mas não comentou a possibilidade de uma ação judicial.
A notícia teve impacto imediato no mercado financeiro. As ações da Warner Bros Discovery chegaram a cair após a divulgação da reportagem da Reuters e encerraram a tarde com baixa de 3,6%. Os papéis da Paramount aprofundaram perdas e recuaram 6,7%.
O que está em jogo
A transação uniria dois dos quatro grandes estúdios de Hollywood, combinando franquias como Harry Potter, Superman, Missão Impossível e Top Gun sob o mesmo grupo.
Embora ações judiciais para barrar fusões nem sempre terminem com a derrota das empresas envolvidas, especialistas apontam que elas costumam atrasar significativamente o fechamento dos negócios. Caso um juiz determine a suspensão temporária da operação enquanto o processo tramita, a conclusão da fusão pode ser adiada por meses.
O atraso teria impacto financeiro direto para a Paramount. A companhia concordou em pagar aos acionistas uma taxa compensatória caso a aquisição não seja concluída a partir de outubro. Segundo informações divulgadas pela empresa, o custo acumulado pode chegar a cerca de 6,9 milhões de dólares por dia.
Aprovação federal ainda é aguardada
Apesar da resistência dos estados, analistas acreditam que a Paramount pode enfrentar um caminho menos turbulento nas instâncias federais.
De acordo com uma fonte ouvida pela Reuters, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ, na sigla em inglês) deve tomar uma decisão sobre a operação em breve.
O órgão enviou intimações às empresas em março para obter informações sobre os impactos da fusão na produção de filmes, nos direitos de conteúdo, na competição entre plataformas de streaming e no mercado exibidor.
Observadores do setor avaliam que fatores políticos podem favorecer a aprovação. David Ellison, CEO da Paramount, é filho do bilionário Larry Ellison, fundador da Oracle e figura conhecida por sua proximidade com o presidente Donald Trump.
Paramount diz que fusão fortalece competição contra Netflix
A Paramount argumenta que a união dos estúdios é necessária para competir com gigantes do streaming, especialmente a Netflix.
Em nota enviada à Reuters, a empresa afirmou que bloquear a operação significaria favorecer empresas já consolidadas no mercado.
"Se opor a este acordo significa dar a incumbentes estabelecidos como a Netflix uma vantagem que eles não merecem", disse um porta-voz da companhia.
A empresa também afirmou que continuará defendendo uma operação que, segundo ela, beneficia consumidores, criadores de conteúdo e a indústria do entretenimento.
Como parte dos compromissos assumidos para obter aprovação regulatória, a Paramount prometeu manter os dois estúdios operando de forma independente e produzir pelo menos 30 filmes para os cinemas por ano após a conclusão da aquisição.
Resistência em Hollywood
A fusão também enfrenta críticas dentro da própria indústria do entretenimento.
Atores, roteiristas e outros profissionais de Hollywood têm manifestado preocupação com possíveis cortes de empregos decorrentes da integração das operações.
Donos de redes de cinema também se opõem ao negócio. O argumento é que a união entre Warner Bros e Paramount reduziria o número de grandes fornecedores de filmes para as salas de exibição, diminuindo a concorrência e limitando as opções disponíveis para os cinemas.
(*Com informações da Reuters)
