Estados Unidos atacam 90 alvos militares no Irã; Teerã anuncia retaliação

Os Estados Unidos realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã na noite de quarta-feira, 8, atingindo cerca de 90 alvos militares, segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM).
A operação ocorreu um dia após outra ofensiva americana que, de acordo com Washington, atingiu aproximadamente 80 alvos militares iranianos, incluindo mais de 60 embarcações rápidas da Guarda Revolucionária.
Segundo o CENTCOM, os novos bombardeios tiveram como alvo sistemas de defesa aérea, ativos de vigilância costeira, depósitos de mísseis e drones, capacidades navais e infraestrutura logística militar ao longo do litoral iraniano.
Os Estados Unidos afirmam que as ações buscam reduzir a capacidade do Irã de ameaçar o transporte marítimo comercial e os civis que navegam pelo Estreito de Ormuz, após o ataque iraniano a três navios mercantes na terça-feira.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os bombardeios foram uma retaliação aos ataques contra as embarcações e advertiu que uma nova ofensiva iraniana provocará uma resposta "muito pior".
Irã acusa EUA de violar cessar-fogo
O Irã, por sua vez, afirmou que a ofensiva americana representa uma "violação clara" do acordo de cessar-fogo firmado entre os dois países em 17 de junho e classificou os ataques como um "crime de guerra". O Ministério da Saúde iraniano informou que os bombardeios deixaram 14 mortos e 78 feridos desde quarta-feira.
Teerã também acusou os Estados Unidos de atacar infraestrutura civil. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que províncias costeiras do sul do país e duas pontes de acesso à cidade de Mashhad foram atingidas.
Segundo a televisão estatal, os ataques interromperam a circulação ferroviária entre Teerã e Mashhad. A Guarda Revolucionária acusou Washington de tentar "ofuscar" o funeral do ex-líder supremo Ali Khamenei.
Em resposta, a Guarda Revolucionária informou ter realizado 85 ataques contra bases americanas em países do Golfo Pérsico com o uso de mísseis e drones. Já o Exército iraniano reivindicou ataques contra alvos no Kuwait, Catar e Bahrein. Segundo a imprensa estatal, as ações atingiram um sistema Patriot de interceptação de mísseis no Kuwait, um sistema de alerta antecipado no Catar e tanques de combustível no Bahrein. As autoridades kuwaitianas informaram que uma pessoa ficou ferida.
O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o Estreito de Ormuz só será plenamente aberto sob "disposições iranianas". Segundo a AFP, o Irã passou a defender a cobrança de pedágios de embarcações que transitam pela rota marítima, uma das principais vias para o transporte global de petróleo e gás natural liquefeito.
Apesar da escalada militar, os preços do petróleo permaneceram próximos aos níveis registrados antes do início do conflito. Nesta quinta-feira, o barril do Brent recuava 1,2%, para US$ 77,07, enquanto o WTI avançava 1,1%, para US$ 72,69.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, voltou a pedir medidas para reduzir a tensão e a retomada do diálogo entre as partes. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e o primeiro-ministro do Catar, Mohamed bin Abdulrahman al Thani, também defenderam, em conversa telefônica, o uso de meios diplomáticos para conter a crise.
Segundo a Organização Marítima Internacional, quase 6 mil marinheiros continuam bloqueados na região do Estreito de Ormuz, apesar da retomada parcial do tráfego marítimo após o acordo de cessar-fogo firmado em junho.
