Estas são as IAs chinesas que estão desafiando o domínio de OpenAI e Google no mercado
Novos modelos chineses combinam código, raciocínio, multimodalidade e contexto longo e começam a disputar tarefas antes concentradas em empresas americanas

A disputa pelo mercado de inteligência artificial ganhou novos concorrentes nos últimos anos. Além da DeepSeek, empresas chinesas como Alibaba, Moonshot AI, Zhipu AI e MiniMax passaram a desenvolver modelos capazes de executar tarefas complexas de texto, código, análise e automação.
O movimento chama atenção porque essas companhias não estão apenas reproduzindo modelos de chatbot. Algumas apostam em agentes de IA, sistemas capazes de utilizar ferramentas e executar sequências de tarefas com menor intervenção humana.
DeepSeek ganhou notoriedade, mas não está sozinha
A DeepSeek foi uma das empresas que mais alteraram a percepção sobre a competição em IA. Em 2025, o lançamento do DeepSeek-R1 chamou atenção por combinar capacidade de raciocínio e custos relativamente baixos, pressionando empresas americanas e chinesas a reverem suas estratégias.
Em 2026, a empresa avançou para a família DeepSeek-V4. O V4-Pro e o V4-Flash têm contexto de até 1 milhão de tokens, enquanto a versão Pro foi atualizada para tarefas com agentes, programação e uso de ferramentas.
Na prática, isso permite trabalhar com grandes volumes de informação em uma mesma interação, como documentos extensos, bases de código e conjuntos de dados.
Qwen, da Alibaba, aposta em escala
A Alibaba também transformou o Qwen em uma das principais famílias de modelos chineses. Em agosto de 2026, a companhia apresentou o Qwen3.8-Max, com 2,4 trilhões de parâmetros e janela de contexto de até 1 milhão de tokens. O modelo é multimodal e foi desenvolvido para tarefas como programação, pesquisa e atividades de longo prazo.
A empresa também vem incorporando IA a produtos voltados ao trabalho. Seu relatório anual cita o Wukong, uma plataforma empresarial que coordena agentes para executar fluxos de trabalho complexos.
Para quem trabalha com IA, o avanço do Qwen interessa especialmente pela combinação entre modelos, ferramentas e aplicações empresariais.
Kimi e GLM avançam em tarefas mais complexas
A Moonshot AI, responsável pelo Kimi, também ganhou espaço. O Kimi K3, lançado em julho de 2026, possui 2,8 trilhões de parâmetros e contexto de 1 milhão de tokens. A empresa posiciona o modelo para programação de longo prazo, trabalho com conhecimento e raciocínio complexo.
Outra concorrente é a Zhipu AI, conhecida pela família GLM. Seus modelos combinam raciocínio, programação e capacidades de agente. O GLM-4.5, por exemplo, foi desenvolvido para executar tarefas que envolvem ferramentas, navegação na web e desenvolvimento de software.
A companhia também vem ampliando sua presença comercial. No primeiro semestre de 2026, a receita da Zhipu cresceu 400% na comparação anual, embora a empresa ainda tenha registrado prejuízo.
O que muda para quem usa IA no trabalho
A expansão dos modelos chineses aumenta o número de alternativas disponíveis para profissionais e empresas. As diferenças entre eles não estão apenas na capacidade de responder perguntas, mas também em custo, contexto, código, multimodalidade e automação.
Entre os usos possíveis estão:
- analisar documentos extensos;
- revisar ou escrever código;
- organizar informações de diferentes fontes;
- criar relatórios e apresentações;
- executar tarefas por meio de agentes;
- trabalhar com texto, imagem e vídeo.
Isso não significa que todos os modelos sejam equivalentes ou adequados para qualquer empresa. Questões como privacidade, localização dos dados, integração e governança também precisam entrar na escolha de uma ferramenta.
A competição chinesa, portanto, amplia o mercado de inteligência artificial e reduz a dependência de um único grupo de fornecedores. Para o profissional, conhecer diferentes modelos passa a ser uma forma de entender quais ferramentas são mais adequadas para cada tipo de tarefa.
