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Inteligência ArtificialBDR
25/09/2026
5 min

Estas são as tarefas do trabalho com maior potencial de automação pela inteligência artificial

Estudos da OIT, Anthropic e Microsoft mostram quais atividades profissionais estão mais expostas à automação e quais ainda dependem de julgamento humano

Estas são as tarefas do trabalho com maior potencial de automação pela inteligência artificial

A possibilidade de automação pela inteligência artificial não está distribuída igualmente entre as profissões. Pesquisas recentes mostram que determinadas tarefas são mais suscetíveis à tecnologia do que outras, especialmente quando envolvem informações digitais, padrões repetitivos e produção de conteúdo estruturado.

Um estudo publicado em 2025 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em parceria com o instituto polonês NASK, analisou quase 30 mil tarefas profissionais para estimar a exposição à IA generativa. O levantamento concluiu que um em cada quatro trabalhadores está em uma ocupação com algum grau de exposição à tecnologia.

A pesquisa, porém, faz uma distinção importante: exposição não significa necessariamente substituição. Na maior parte dos casos, a expectativa é de transformação das atividades, com a IA assumindo algumas tarefas e o profissional mantendo outras.

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Quais tarefas têm maior potencial de automação

Segundo a OIT, as ocupações administrativas continuam entre as mais expostas à IA generativa. Isso ocorre porque uma parcela significativa de suas atividades envolve informações digitais que podem ser processadas por sistemas de linguagem.

Entre as tarefas com maior potencial estão:

  • Entrada e organização de dados
  • Transcrição e formatação de documentos
  • Produção de textos padronizados
  • Resumo de informações
  • Classificação de documentos
  • Elaboração de relatórios simples
  • Pesquisa e consolidação de informações

O levantamento também identifica exposição crescente em funções profissionais e técnicas. Entre elas estão analistas financeiros, desenvolvedores web e multimídia, programadores e consultores de investimento.

Isso acontece porque os modelos de IA passaram a executar atividades mais especializadas, como escrever código, analisar documentos e trabalhar com grandes volumes de informação.

Tarefas digitais são mais expostas

Um dos padrões identificados pelas pesquisas é a relação entre digitalização e potencial de automação.

Quanto mais uma atividade depende de informações que já estão disponíveis em formato digital, maior tende a ser a possibilidade de uma ferramenta de IA participar da execução.

Um profissional de marketing, por exemplo, pode continuar responsável pela estratégia de uma campanha, enquanto utiliza IA para gerar versões de textos, resumir pesquisas, organizar dados ou adaptar conteúdos para diferentes públicos.

O mesmo princípio aparece na área financeira. A tecnologia pode auxiliar na consolidação de dados, comparação de documentos e elaboração de análises preliminares, enquanto decisões que envolvem risco, contexto e responsabilidade continuam dependendo do profissional.

A Anthropic chegou a uma conclusão semelhante ao analisar milhões de interações com o Claude. No levantamento inicial do Anthropic Economic Index, 57% do uso observado estava associado à colaboração ou ampliação do trabalho humano, enquanto 43% envolvia tarefas realizadas diretamente pela IA.

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E-mails, textos e pesquisas também entram na lista

Outro grupo de atividades com potencial de automação envolve a comunicação profissional.

Escrever um primeiro rascunho de e-mail, resumir uma reunião, transformar anotações em um documento, revisar um texto ou reunir informações para uma apresentação são exemplos de tarefas que podem ser parcialmente executadas por sistemas generativos.

A Microsoft também identificou mudanças nesse tipo de trabalho. Em seu Work Trend Index de 2025, baseado em uma pesquisa com 31 mil trabalhadores do conhecimento em 31 mercados, a empresa apontou a expansão do uso de agentes de IA para pesquisa, análise de dados e execução de processos.

A diferença está entre automatizar uma tarefa e automatizar uma profissão.

Uma profissão normalmente reúne dezenas de atividades diferentes. Mesmo quando uma parte considerável delas pode ser realizada por IA, outras podem exigir comunicação, julgamento, responsabilidade, criatividade ou interação física.

O que ainda depende mais do profissional

A automação tende a encontrar mais obstáculos quando uma atividade exige julgamento contextual, interação humana complexa ou responsabilidade sobre decisões.

Isso não significa que essas tarefas estejam protegidas da IA. Ferramentas podem ajudar na preparação, análise e execução de partes dessas atividades, mas a participação humana continua relevante.

A própria OIT aponta que, mesmo entre as ocupações mais expostas, a substituição completa é menos provável do que a transformação do trabalho.

Para quem trabalha, uma forma prática de acompanhar essa mudança é dividir a própria rotina em três grupos:

  1. Tarefas repetitivas, que podem ser automatizadas;
  2. Tarefas assistidas por IA, nas quais a tecnologia acelera parte da execução;
  3. Tarefas de decisão, que exigem avaliação, contexto e responsabilidade.

Essa divisão ajuda a identificar onde aprender a usar ferramentas de IA pode gerar impacto direto na rotina profissional.

Entender como a inteligência artificial pode assumir tarefas específicas é uma das formas de identificar quais habilidades profissionais precisam ser desenvolvidas nos próximos anos.

O que isso significa para quem trabalha

Os estudos não apontam para uma lista fixa de profissões que desaparecerão. O que aparece com mais clareza é uma mudança na composição das tarefas dentro dos empregos.

Um contador pode usar IA para organizar documentos e identificar inconsistências. Um jornalista pode utilizá-la para estruturar informações e transcrever entrevistas. Um programador pode delegar partes da escrita e revisão de código. Um profissional de recursos humanos pode automatizar etapas de triagem e produção de documentos.

Em todos esses casos, a tecnologia atua sobre atividades específicas.

Para o trabalhador, portanto, conhecer as ferramentas é apenas uma parte da adaptação. Também passa a ser importante saber o que delegar à IA, como verificar suas respostas e quais decisões devem continuar sob responsabilidade humana.

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AutorBianca Bezerra Pinto
FonteExame
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