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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
31/08/2026
5 min

Este catarinense fez sua empresa crescer 525% ao ajudar companhias a evitar multas

Criada em 2023, a Agnes cruza dados do eSocial com exigências da legislação para identificar irregularidades antes que elas se transformem em problemas para as empresas

Este catarinense fez sua empresa crescer 525% ao ajudar companhias a evitar multas

Hoje um órgão público consegue descobrir em segundos, e sem ação humana, quais empresas de um estado descumprem uma regra de contratação. Basta cruzar os dados que elas mesmas enviam ao eSocial. Não é mais preciso esperar um fiscal bater à porta.

"Um órgão governamental consegue fazer um corte muito rápido de todas as empresas que não estão cumprindo uma cota, e isso é feito de forma automatizada", diz o catarinense Arnaldo Glavam Jr., fundador do Grupo AG, de Florianópolis.

A Agnes existe para chegar antes. Criada em 2023, é a mais nova das três empresas do grupo — e a que mais cresceu. Em 2025, a receita operacional líquida saltou de 3,3 milhões para 20,5 milhões de reais, alta de 525%.

O desempenho garantiu à companhia o primeiro lugar na categoria de 5 milhões a 30 milhões de reais do ranking EXAME Negócios em Expansão 2026, com 200 empresas classificadas.

Como funciona a tecnologia da Agnes

Agnes no NEEX: Arnaldo Glavam Jr., fundador do Grupo AG,recebendo o prêmio Negócios em Expansão 2026 (Eduardo Frazão/Exame)

A tecnologia da Agnes se conecta aos sistemas do governo por meio dos acessos que o próprio cliente concede. A partir daí, compara em tempo real o que a empresa transmite ao eSocial com o que a legislação exige dela.

Na prática, isso significa verificar se as cotas de menor aprendiz, raciais e de pessoas com deficiência estão sendo cumpridas, ou se quem trabalha exposto a agentes nocivos — em petroquímicas, por exemplo — está recebendo o que deveria.

De um lado do sistema fica a base da legislação, atualizada continuamente. Do outro, os dados do cliente. O software aponta onde os dois não batem.

Só que sistema, sozinho, não resolve. "A grande maioria dos clientes procura os serviços justamente para tirar um pouco desse peso de levar um assunto tão dramático para dentro das empresas", diz Glavam Jr. Por isso a Agnes vende software e serviço no mesmo pacote, em vez de operar como um SaaS puro.

Quem são os clientes da Agnes

A base da Agnes é pequena e concentrada: cerca de 12 clientes, com forte presença no setor público. O governo de São Paulo é o maior deles.

O crescimento de 2025 veio de duas frentes. A empresa ganhou clientes novos e, ao mesmo tempo, aprendeu a chegar em cada um de um jeito diferente.

"Eles estão em estágios diferentes. Tem gente que estava transmitindo dados errados, tem gente que ainda não estava nem conseguindo transmitir os dados", afirma o fundador. "Essa flexibilidade de entender o ponto de cada cliente, e aí sim aplicar tecnologia e serviços, foi um dos carros-chefes do crescimento."

A maior barreira de entrada, diz ele, é a desorganização dos dados do próprio cliente, somada ao fato de que muitas empresas ainda não sentiram na pele o custo de descumprir a regra.

"As urgências vão se apresentando e alguns assuntos importantes vão ficando para trás, até que cai a ficha", diz o CEO.

A Agnes tem 100 funcionários e sede em São Paulo. O Grupo AG, que completou 16 anos em agosto, soma 500 pessoas e cerca de 30 escritórios pelo país.

O próximo passo da Agnes

No setor público, o próximo passo são as 100 maiores prefeituras do Brasil, medidas pelo número de servidores. No privado, o alvo são empresas com mais de 5.000 funcionários.

A inteligência artificial entra aí como ferramenta de previsão, não só de checagem. Com a base de pessoal de um governo, é possível estimar quantas servidoras entrarão em licença-maternidade nos próximos anos, quantas pessoas vão se aposentar e quantos afastamentos por doença devem ocorrer.

A reforma tributária deve ampliar o mercado. Para Glavam Jr., o país caminha para o modelo já adotado no Reino Unido, onde os sistemas de gestão de algumas empresas estão conectados diretamente aos do governo.

"Cada empresa, cada gestor tem que estar focado naquilo que sabe fazer bem: produzir automóvel, extrair óleo e gás ou fazer um bom hambúrguer numa lanchonete", diz. "O ambiente regulatório é um pouco hostil, e a tecnologia vai ser a grande saída para que todos possam ter mais tempo para cuidar dos negócios."

Para 2026, a expectativa da Agnes é repetir o ritmo de crescimento de 2025.

O que é o ranking Negócios em Expansão

O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.

Em 2026, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2025.

São 491 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.

Conheça o hub do projeto, com os resultados completos do ranking e, também, a cobertura total do evento de lançamento da edição 2026.

AutorIsabela Rovaroto
FonteExame
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