Este ex-garimpeiro criou um império de supermercados de R$ 35,6 bilhões no nordeste do Brasil
Novo ranking do Instituto Retail Think Tank coloca o Grupo Mateus como a sexta maior varejista do país; veja ranking

O Maranhão tem duas empresas entre as 300 maiores varejistas do Brasil. E uma delas, sozinha, fatura 35,6 bilhões de reais.
Trata-se do Grupo Mateus, que responde sozinho por 98% do varejo maranhense presente no ranking TOP 300 do Varejo Brasileiro, do Instituto Retail Think Tank (IRTT), levantamento anual que ordena as maiores redes do país por faturamento.
Fundado por um ex-garimpeiro em 1986, a empresa tem hoje mais de 300 unidades espalhadas pelo nordeste e norte brasileiro.
As varejistas do Maranhão no TOP 300
- Grupo Mateus: 35,6 bilhões de reais
- Magazine Liliani: 670 milhões de reais
Qual é o tamanho do Grupo Mateus
O Grupo Mateus é asexta maior varejista do Brasil e a maior do Norte-Nordeste.
Fechou 2025 com 35,6 bilhões de reais no critério do IRTT, alta de 18% — mais que o dobro do crescimento médio das TOP 300. Em receita bruta reportada ao mercado, que inclui a operação de atacado, o número do ano foi ainda maior, de 43,5 bilhões de reais.
A rede encerrou 2025 com 302 lojas em nove estados: Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Pernambuco, Bahia, Sergipe, Alagoas e Paraíba. É uma concentração incomum na lista.
Enquanto as grandes nacionais espalham centenas de pontos pelas 27 unidades da federação, o Mateus cresce por profundidade dentro de um bloco regional.
O grupo atua em atacarejo, supermercados, hipermercados, conveniência e eletrodomésticos, com capital aberto na B3 desde outubro de 2020.
Qual é a história do Grupo Mateus
Ilson Mateus Rodrigues chegou ao garimpo de Serra Pelada, no Pará, aos 21 anos, como milhares de homens que esperavam enriquecer. Não bamburrou (expressão do garimpo para quem achava uma pepita e ficava rico da noite para o dia).
Ele carrega até hoje no bolso a carteirinha de garimpeiro, com validade expirada em 1985.
Em 1986, de volta ao Maranhão, abriu uma mercearia de 50 metros quadrados em Balsas, no sul do estado, a 833 quilômetros de São Luís. Vendia pinga no balcão e, ao mesmo tempo, fazia frete. Comprava mercadoria em Imperatriz e levava para revender em Balsas.
A cidade vivia a chegada do agronegócio e recebia migrantes de todo o país. A demanda por comida crescia. Em dois anos, a mercearia virou um supermercado de médio porte.
Depois veio o Armazém Mateus, braço de atacado que atende pequenos comerciantes da região.
A expansão para outras cidades do Maranhão começou em 2000. São Luís só recebeu a primeira loja em 2003. O atacarejo, formato que hoje domina a operação, nasceu em 2007 com o Mix Atacarejo.
Em 2022, Ilson Mateus deixou o cargo de CEO e assumiu a presidência do conselho de administração. Passou o comando para Jesuíno Martins e trouxe Tulio de Queiroz, ex-Guararapes, para a área financeira. Segue como acionista majoritário.
Em 2025, a receita líquida do ano subiu 19,8%, para 38,4 bilhões de reais, e o lucro líquido ajustado avançou 21,2%, para 1,56 bilhão. Mas o quarto trimestre inverteu o sinal: a receita líquida cresceu 20,9%, o lucro subiu apenas 2,2% e o Ebitda — lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — recuou 3,1%.
O motivo foi a despesa.
As despesas com vendas, gerais e administrativas subiram 34,2% no trimestre, para 1,7 bilhão de reais, enquanto a receita avançou 20%. A relação entre despesa operacional e receita líquida passou de 14,6% no fim de 2024 para 16,3% no fim de 2025.
A integração do Novo Atacarejo, rede pernambucana em que o grupo comprou 51% por 378,5 milhões de reais e consolidou a partir de julho, entrou trazendo receita e custo ao mesmo tempo — e as lojas mais antigas do negócio integrado venderam abaixo do esperado.
O ajuste veio rápido. Entre o fim de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, o grupo encerrou 28 lojas, quase todas do segmento de eletrodomésticos, distribuídas por Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia. A companhia eliminou 6.673 postos de trabalho, redução de mais de 13% do quadro, que caiu de 47,9 mil para 41,2 mil funcionários.
O investimento também recuou. No segundo trimestre de 2026, o capex — sigla em inglês para gastos com bens de capital, como lojas e terrenos — somou cerca de 162 milhões de reais, queda de 36,5% em um ano.
Os recursos destinados a novas lojas caíram 54,4%, e a compra de terrenos, 87,7%. Mas o grupo continuou abrindo unidades, 11 no primeiro semestre de 2026.
O desafio também é setorial.
O varejo alimentar brasileiro enfrenta em 2026 crédito mais apertado, juros altos e custo logístico elevado. A concorrência no atacarejo se intensificou. No Ranking ABRAS 2026, que usa critério diferente do IRTT, o Grupo Mateus aparece em terceiro entre os supermercados, atrás de Carrefour e Assaí.
