Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
NegóciosMPOLACS
28/09/2026
5 min

Este gaúcho quer 'vender tempo' aos seus clientes — e a aposta é um complexo de R$ 720 milhões

Com mais de 90% de comercialização, novo empreendimento da Melnick é a vitrine de uma nova fase da construtora

Este gaúcho quer 'vender tempo' aos seus clientes — e a aposta é um complexo de R$ 720 milhões
RESUMO +

A construtora gaúcha Melnick entrega o Nilo Square, complexo de uso misto na Avenida Nilo Peçanha, em Porto Alegre, com apartamentos, escritórios, hotel, unidades para estadias prolongadas e lojas. O empreendimento soma VGV residencial de R$ 720 milhões e mais de 90% de comercialização, segundo a incorporadora. A proposta é concentrar moradia, serviços e lazer para reduzir deslocamentos cotidianos.

Na Avenida Nilo Peçanha, uma das mais movimentadas de Porto Alegre (RS), a construtora Melnickestá entregando um complexo que tenta transformar conveniência cotidiana em argumento de venda: gastar menos tempo nos deslocamentos.

O Nilo Square reúne apartamentos, salas comerciais, hotel, unidades para estadias prolongadas e lojas abertas para a calçada. Segundo a ficha técnica fornecida pela incorporadora, o empreendimento tem valor geral de vendas (VGV) de R$ 720 milhões nas unidades residenciais e mais de 90% de comercialização.

Para Leandro Melnick, CEO da companhia, o comprador de alto padrão passou a olhar além da metragem. “O cara tá querendo comprar tempo”, afirma.

A aposta aparece na escala do projeto: são 120 apartamentos nas duas torres residenciais, cerca de 9 mil metros quadrados de lazer e, em outra torre, 66 salas comerciais, 209 unidades de "multistay" (studios e apartamentos de um quarto) e um hotel com 65 quartos.

Como o Nilo Square pretende poupar o tempo do cliente

Nas torres "City" e "Park Residence", os apartamentos têm opções de 176 e 216 metros quadrados, além de unidades rooftop.

A área de lazer inclui piscinas, academia, spa e quadras de tênis, beach tennis e outros esportes. São equipamentos que, reitera Melnick, permitem encaixar atividades na rotina sem uma viagem de carro para cada uma delas.

O exemplo que ele dá é o de uma criança que pode ter aula de natação no condomínio. Para a família, isso dispensaria parte do trajeto de ida e volta a um clube. A proximidade de escolas é outro componente da proposta.

“Não adianta eu ter dinheiro se eu não tenho tempo”, diz Melnick.

Na frente voltada à avenida, o projeto terá um "open mall" com 10 lojas confirmadas, entre elas livraria, café, confeitaria e salão de beleza.

O complexo também prevê o restauranteA.MA, dos chefs Raphael Dittrich e Sabrina Spier. Para quem mora ali, comércio e serviços passam a fazer parte do caminho de casa. Para a incorporadora, ajudam a dar uso ao térreo e a inserir o empreendimento na vida da avenida.

A promessa de ganhar tempo, porém, é uma proposta comercial, não uma economia medida em horas. Ela depende de quais serviços cada morador de fato usa e de como organiza a própria rotina. O que a Melnick pode oferecer é a possibilidade de resolver mais atividades no mesmo endereço ou nas proximidades.

Moradia e serviços: o Nilo Square reúne duas torres residenciais, hotel, salas comerciais e lojas na Avenida Nilo Peçanha. (Melnick/Divulgação)

Por que juntar hotel, escritórios e moradia

A combinação de usos também responde a uma conta imobiliária. Melnick afirma que Porto Alegre dificilmente sustentaria, apenas com as diárias de um hotel de alto padrão, toda a estrutura que a empresa queria construir naquele terreno. A solução foi dividir áreas comuns da torre multiuso entre três públicos: hóspedes, ocupantes das unidades de multistay e usuários das salas comerciais.

O hotel será operado pela v3rso, marca do Grupo Emiliano. Terá 65 quartos. As salas do Multi Office vão de 28 a 67 metros quadrados, com possibilidade de formar uma laje corporativa de aproximadamente 410 metros quadrados.

Segundo Melnick, um profissional instalado ali poderá usar serviços da torre para receber clientes ou fazer uma pausa durante o expediente. Esse compartilhamento diz respeito à torre multiuso; as duas torres residenciais têm sua própria estrutura de lazer.

Há uma segunda aposta nessa composição. Em vez de depender apenas da venda de apartamentos grandes, a empresa levou ao terreno produtos com funções e compradores distintos. Segundo a empresa, mais de 100 pessoas devem trabalhar no complexo quando ele estiver operando.

Um novo endereço na avenida: as duas torres residenciais têm 120 apartamentos e cerca de 9 mil metros quadrados de lazer. (Melnick/Divulgação)

Qual é a origem da Melnick

A história da empresa começa com a atuação de Milton Melnick na incorporação imobiliária, em 1970. A Melnick surgiu em 1992, com a entrada dos filhos Leandro e Juliano na gestão. Em 2008, firmou uma parceria com a incorporadora paulista Even. A companhia abriu capital na bolsa em 2020 e manteve Porto Alegre como seu principal mercado.

Hoje, a Melnick possui mais de 35% de market share no mercado imobiliário de Porto Alegre, tornando-a, inclusive, a maior construtora gaúcha. Na visão do CEO, o espaço para crescer na cidade se estreitou; a expansão para Santa Catarina e São Paulo passou, então, a ocorrer por meio de parcerias em projetos de maior porte e alto padrão.

Os resultados recentes mostram por que a companhia precisa olhar para além de um empreendimento bem vendido. No primeiro semestre de 2026, a Melnick registrou receita líquida de R$ 591,6 milhões, alta de 5% sobre igual período do ano anterior, e lucro líquido de R$ 59,1 milhões.

No segundo trimestre isolado, as vendas líquidas somaram R$ 107,7 milhões na participação da empresa. São indicadores de toda a operação, e não receitas produzidas pelo Nilo Square.

Onde mais a Melnick quer vender conveniência

O Nilo Square não é uma experiência isolada no portfólio. Em frente à Praça da Encol, o Cidade Nilo, desenvolvido com o Grupo Zaffari, combina apartamentos de alto padrão, lojas, uma praça interna e um supermercado. A lógica descrita por Melnick é a de permitir que o morador resolva uma compra cotidiana descendo de elevador.

Na Avenida Ipiranga, o Square Garden segue outra escala de apartamentos e serviços. O projeto divulgado pela incorporadora prevê 507 unidades em três torres e um espaço gastronômico de quase 5 mil metros quadrados aberto ao público, o Square Embarcadero. Seu VGV anunciado é de R$ 450 milhões.

Leandro Melnick também cita o Shopping Pontal como exemplo dessa estratégia de aproximar moradia, comércio e lazer.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
Distribuído por