Este parque aquático fatura R$ 750 milhões e ergue um império de cinco resorts no interior de SP
Receita do grupo saiu de R$ 450 milhões em 2023 e deu um salto para R$ 680 milhões no ano seguinte

Em Olímpia, no interior de São Paulo, a água quente sai de poços com mais de 1.000 metros de profundidade.
Na superfície, ela abastece piscinas, brinquedos e atrações que ajudam a sustentar uma indústria de lazer a quase 500 quilômetros da capital paulista. Em volta do parque, os hotéis transformaram uma visita de algumas horas em uma viagem de fim de semana.
É nesse mercado que o Hot Beach Parques & Resorts tenta ganhar escala. O grupo reúne hoje um parque aquático e quatro resorts em Olímpia e projeta faturar 750 milhões de reais em 2026. Em 2025, a receita chegou a 680 milhões de reais.
O próximo passo é abrir um quinto resort e ampliar a capacidade de hospedagem do complexo.
A empresa chega a essa nova fase depois de acelerar o crescimento nos últimos anos.
A receita do grupo saiu de 450 milhões de reais em 2023 para 500 milhões de reais em 2024 e deu um salto para 680 milhões de reais no ano seguinte.
No primeiro semestre de 2026, a operação ligada a lazer e hospitalidade cresceu 13% na comparação ajustada com o mesmo período do ano anterior.
“Quando a gente coloca todo o grupo, saímos de 450 milhões em 2023 para 500 milhões em 2024. E aí vêm os grandes saltos: 680 milhões em 2025 e, em 2026, a expectativa é chegar a 750 milhões”, afirma Rodrigo Vaz, diretor comercial do Hot Beach Parques & Resorts.
Agora, o grupo quer fazer o crescimento aparecer também no tamanho do complexo.
A primeira fase do quinto resort deve começar a operar no início de 2027, com cerca de 330 apartamentos. Quando as três etapas estiverem prontas, o novo empreendimento terá mais de 800 unidades. Somado aos hotéis atuais, o plano é levar oHot Beach para mais de 2.000 apartamentos em Olímpia.
Qual é a história do Hot Beach
Há cerca de 40 anos, os fundadores criaram uma construtora em Olímpia.
A empresa atuava principalmente com obras de infraestrutura e projetos públicos. O turismo ainda tinha outro peso na economia da cidade.
Isso começou a mudar com o crescimento de Olímpia como destino de águas termais. A exploração da água quente na região remonta a perfurações feitas décadas atrás em busca de petróleo. O petróleo não apareceu, mas os poços encontraram água termal do Aquífero Guarani.
Mais tarde, a cidade passou a transformar esse recurso em atração turística. O Thermas dos Laranjais foi um dos primeiros negócios a ganhar escala nesse mercado.
Para os sócios da então construtora, o crescimento do turismo abriu uma nova frente. O primeiro passo foi construir um hotel para atender quem já visitava Olímpia.
O empreendimento permanece em operação e hoje leva o nome Hot Beach Raízes. Depois veio um segundo hotel. Naquele momento, os dois ainda operavam de forma separada, sem a estrutura de complexo que existe hoje.
A mudança ganhou força em 2017 e 2018, com a inauguração do parque Hot Beach e do Hot Beach Resort, construído ao lado da atração. O hotel tem 484 apartamentos e acesso direto ao parque.
Em seguida, o grupo adicionou outros empreendimentos à operação. O movimento deslocou de vez o centro do negócio da construção civil para turismo, hospitalidade e entretenimento.
“A gente se tornou um grupo de quatro resorts e o parque aquático e, definitivamente, os sócios migraram para o segmento de turismo, entretenimento e hospitalidade, deixando o segmento de construção civil”, afirma Vaz.
Como estão os números da empresa
O desafio agora é menos provar queOlímpia consegue atrair turistas e mais disputar uma fatia maior dos visitantes que chegam à cidade.
Segundo Vaz, um levantamento setorial usado pelo grupo indicou crescimento de 5,4% do mercado de hotelaria de Olímpia no primeiro semestre de 2026. No mesmo intervalo, o Hot Beach registrou avanço ajustado de 13% na operação de lazer e hospitalidade.
A empresa faz uma ressalva nesse cálculo. Na comparação direta com 2025, o crescimento foi de cerca de 7%. O número ajustado retira da base um grande evento corporativo realizado em abril do ano passado, que inflou a receita daquele mês.
Parte do avanço veio do aumento do número de reservas e hóspedes. Outra parte veio da diária média maior.
Julho ajudou a manter o ritmo. O mês gerou 27,5 milhões de reais em receita, 7% acima de julho de 2025 e o maior resultado para um mês de julho na história da companhia, segundo o executivo.
A ocupação chegou a cerca de 90% em alguns dos empreendimentos do grupo. Nos hotéis maiores, ficou próxima de 80%.
Quais são as oportunidades
O desempenho interessa ao Hot Beach porque a hotelaria funciona como porta de entrada para outros negócios do grupo. Quem dorme no complexo tende a consumir alimentos e bebidas, visitar o parque e também entra no público potencial da multipropriedade, modelo no qual diferentes compradores adquirem o direito de usar um imóvel por determinados períodos do ano.
“A hospitalidade acaba alavancando os outros negócios. Alavanca multipropriedade, alimentos e bebidas e resultado de parque também”, afirma Vaz.
Colocar mais quartos no mercado resolve apenas parte da equação. O grupo também precisa convencer mais pessoas a viajar para Olímpia e, principalmente, associar o destino ao Hot Beach.
Foi daí que saiu uma das apostas comerciais da empresa em 2026: o live commerce, transmissão ao vivo usada para apresentar produtos e estimular compras em tempo real.
O formato se popularizou no varejo, mas o Hot Beach decidiu adaptá-lo para turismo.
Nas transmissões, a empresa passa cerca de uma hora mostrando hotéis, parque, programação e atrações do complexo. Ao mesmo tempo, oferece condições comerciais para reservas feitas pelo canal direto.
“O live commerce para a gente foi um divisor de águas porque conseguimos colocar, em uma hora de comunicação intensa com o cliente, todos os benefícios e fazer com que ele praticamente estivesse dentro do parque para entender o que a gente estava vendendo”, afirma Marcela Lacerda, gerente de marketing do Hot Beach.
O resultado levou o formato para o calendário permanente da empresa. A previsão é realizar uma iniciativa desse tipo pelo menos a cada dois meses.
“Eu já não considero anos sem ter pelo menos, a cada dois meses, uma iniciativa como essa”, afirma Marcela.
E o desafio da recorrência
Parques e resorts dependem de recorrência. Construir uma atração pode trazer uma família pela primeira vez. Fazer essa mesma família voltar exige renovar a experiência sem reformar todo o complexo a cada temporada.
O Hot Beach tenta resolver esse problema com um calendário temático.
Férias de verão, Carnaval, festas juninas, Halloween, Natal e Réveillon mudam a programação do complexo. A empresa altera gastronomia, música e entretenimento para crianças e adultos.
A lógica é fazer com que um hóspede encontre experiências diferentes mesmo retornando ao mesmo hotel e ao mesmo parque.
“Se ele vier para as férias, vai viver o Hot Beach de uma maneira. Se vier no Carnaval, é outra coisa. Se vem na festa junina, é outra. Se vem no Halloween, é outra”, afirma Vaz.
O executivo cita pelo menos oito momentos do ano que podem receber programações específicas.
É uma saída mais rápida e menos intensiva em capital do que construir novos brinquedos continuamente. Ainda assim, a empresa sabe que tematização não substitui investimentos físicos.
“Entretenimento e lazer vivem um pouco disso também. Você tem que estar renovando o tempo todo”, afirma Vaz.
Complexo planeja 5º resort
A maior mudança física já em andamento é o quinto resort do complexo.
A primeira fase deve ser concluída no fim de 2026 e começar a operar no início de 2027. O projeto terá cerca de 330 apartamentos nessa etapa inicial.
As fases seguintes já estão previstas e em construção, segundo Vaz. Quando todas forem concluídas, o novo empreendimento deve adicionar mais de 800 apartamentos ao Hot Beach.
Hoje, o grupo tem pouco mais de 1.200 unidades de hospedagem. A expansão levaria o complexo para acima de 2.000.
O aumento cria uma oportunidade, mas também eleva a pressão por demanda. Mais quartos significam mais hóspedes necessários para sustentar taxas de ocupação, consumo dentro do complexo e rentabilidade da operação.
E o quinto hotel é apenas parte do plano.
Entre 2027 e 2031, o grupo estima investir cerca de 450 milhões de reais. Desse total, aproximadamente 100 milhões de reais devem ir para o parque, 280 milhões de reais para multipropriedade, incluindo etapas futuras do novo resort, e mais de 65 milhões de reais estão reservados no planejamento para novos negócios.
A expansão acontece em um momento em que famílias brasileiras ainda convivem com crédito caro e orçamento pressionado.
O Hot Beach tenta capturar uma mudança no comportamento de parte desse público: trocar uma grande viagem por escapadas menores ao longo do ano.
A localização ajuda nessa estratégia. Olímpia fica a cerca de 480 quilômetros da cidade de São Paulo e também recebe visitantes de outras regiões do estado, além de mercados como Mato Grosso do Sul e Goiás.
Para Marcela, viagens curtas em família vêm ocupando espaço que antes poderia estar concentrado em férias mais longas.
“As férias sempre foram momentos muito importantes para a família. A gente está falando de movimentos menores, talvez mais constantes para algumas famílias e menos para outras”, afirma.
