Estrangeiro despeja R$ 10 bi na bolsa após 1º turno, maior aporte diário do ano
Fluxo do dia 5 supera setembro inteiro e equivale a um quarto de tudo o que gringo trouxe à bolsa no ano

- Investidores estrangeiros compraram R$ 10,06 bilhões em ações a mais do que venderam em 5 de outubro, o maior saldo diário de 2026
- O valor supera em cerca de 20% o recorde anterior, de abril, e é maior do que todo o fluxo de setembro
- Com o pregão, o saldo estrangeiro no ano passou de R$ 29,95 bilhões para R$ 40,01 bilhões
- Do outro lado, pessoas físicas venderam R$ 5,30 bilhões, a maior venda líquida do grupo no ano
O primeiro pregão depois do primeiro turno da eleição presidencial trouxe para a bolsa brasileira o maior volume de dinheiro estrangeiro de 2026. Na segunda-feira, 5 de outubro, investidores de fora do país compraram R$ 10,06 bilhões em ações a mais do que venderam. Nenhum outro dia do ano chegou perto.
O resultado das urnas, com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Lula (PT) por 47,03% a 45,16% dos votos válidos, surpreendeu quem esperava uma disputa mais apertada. O Ibovespa fechou em alta de 7,70%, aos 206.911 pontos naquele pregão, renovando as máximas históricas, e teve a maior alta diária em mais de seis anos. O giro na bolsa somou R$ 79,3 bilhões, cerca de três vezes a média.
Recorde de abril ficou para trás
Até então, o maior saldo estrangeiro diário do ano havia sido registrado em 9 de abril, de R$ 8,40 bilhões. A entrada de segunda-feira foi cerca de 20% maior. O terceiro colocado da lista, 18 de setembro, teve saldo de R$ 3,63 bilhões, menos de um terço do valor registrado agora.
A comparação com as saídas reforça a dimensão do movimento. O pior dia do ano para o fluxo estrangeiro foi 11 de agosto, com retirada de R$ 4,72 bilhões. O aporte de 5 de outubro é mais que o dobro disso.
Um pregão que vale quase um mês
Com a entrada, o saldo estrangeiro acumulado em 2026 passou de R$ 29,95 bilhões para R$ 40,01 bilhões, alta de 33,6%. Um único pregão responde por cerca de um quarto de todo o dinheiro estrangeiro que entrou na bolsa no ano.
O ano teve seis meses fechados com saldo positivo, com média de R$ 11,37 bilhões cada. O dia 5 equivale a quase 90% de um mês médio de compras. Superou setembro inteiro (R$ 9,11 bilhões) e a soma de abril e julho (R$ 5,74 bilhões), e ficou perto de março (R$ 11,66 bilhões).
Somado aos pregões de 1º e 2 de outubro, o mês já acumula R$ 12,61 bilhões em apenas três sessões, o terceiro melhor resultado mensal de 2026.

Volta depois de meses de saídas
O aporte marca o retorno do investidor estrangeiro depois de um período de retirada. Maio, junho e agosto terminaram no vermelho, e agosto, sozinho, teve saída de R$ 18,12 bilhões, o pior mês do ano. A entrada de segunda-feira cobre 55% dessa perda. Desde o início de setembro, os estrangeiros já colocaram R$ 21,72 bilhões na bolsa.
Pessoa física aproveitou para vender
Do outro lado do balcão, o investidor pessoa física vendeu R$ 5,30 bilhões em ações a mais do que comprou. É a maior venda líquida do grupo em 2026 e mais que o dobro do recorde anterior, de R$ 2,51 bilhões em 20 de fevereiro. Os institucionais, como fundos e previdência, tiveram saldo negativo de R$ 3,96 bilhões, a segunda maior venda do ano, atrás apenas de 9 de abril.
Bancos e B3 puxaram o rali
Segundo levantamento do Itaú BBA, cinco empresas concentraram 46% dos pontos ganhos pelo Ibovespa no dia 5. A lista tem Itaú Unibanco, B3, Petrobras, BTG Pactual e Bradesco, papéis de grande liquidez e tradicionalmente usados pelo estrangeiro para ganhar exposição ao Brasil.
O mesmo relatório indica que ainda há espaço para mais compras. Se estrangeiros e fundos locais voltassem aos níveis históricos de alocação, cerca de R$ 270,2 bilhões poderiam entrar na bolsa brasileira. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
