Estrangeiro tira quase R$ 3 bi da bolsa no primeiro pregão após vitória de Lula
Saída de R$ 5,8 bi em dois pregões devolve parte do aporte pós-primeiro turno

- Investidor estrangeiro retirou R$ 2,85 bilhões da B3 na segunda-feira, 26, primeiro pregão após o segundo turno
- Com a saída de R$ 2,94 bilhões na sexta-feira, 23, a retirada em dois pregões soma R$ 5,79 bilhões
- Depois do primeiro turno, o gringo aportou R$ 10,06 bilhões em um único dia, o maior ingresso do ano
- Em 2026, o saldo estrangeiro segue positivo em R$ 40,73 bilhões, enquanto os institucionais retiraram R$ 48,12 bilhões
O investidor estrangeiro retirou R$ 2,85 bilhões da bolsa brasileira na segunda-feira, 26, primeiro pregão após a vitória de Lula no segundo turno da eleição presidencial, segundo dados da B3. Foi a terceira maior saída diária de capital externo em 2026.
A retirada ganhou intensidade desde a sexta-feira, 23, último pregão antes da votação. Naquele dia, os estrangeiros sacaram R$ 2,94 bilhões, a segunda maior saída do ano, atrás apenas dos R$ 4,72 bilhões de 11 de agosto. Somados, os dois pregões acumulam R$ 5,79 bilhões em vendas líquidas. Se incluída a quinta-feira, 22, quando saíram R$ 1,03 bilhão, o total chega a R$ 6,82 bilhões em três sessões.
Quem absorveu as vendas na segunda-feira foi a pessoa física, que comprou R$ 6,19 bilhões em ações, o maior volume diário da categoria em 2026. Os investidores institucionais venderam R$ 3,34 bilhões, e as instituições financeiras, R$ 439 milhões. O grupo classificado como outros comprou R$ 437 milhões.
Aporte recorde depois do primeiro turno
A saída recente contrasta com o movimento observado no início do mês. No primeiro pregão após o primeiro turno, em 5 de outubro, o estrangeiro colocou R$ 10,06 bilhões na B3, o maior aporte diário do ano. O valor superou com folga os R$ 8,40 bilhões de 9 de abril, até então a maior entrada de 2026.
Naquele pregão, a pessoa física ficou na ponta vendedora, com saída de R$ 5,30 bilhões, a maior venda diária da categoria no ano. Os institucionais venderam R$ 3,96 bilhões.
Como o fluxo se comportou entre os turnos
Entre 5 e 23 de outubro, período de 14 pregões entre as duas votações, o saldo estrangeiro ficou positivo em R$ 13,63 bilhões. A trajetória, porém, teve duas fases bem distintas.
Nas duas primeiras semanas, de 5 a 16 de outubro, entraram R$ 18,44 bilhões em nove pregões, com destaque para os aportes de R$ 2,08 bilhões no dia 13 e de R$ 2,24 bilhões no dia 16. Na semana que antecedeu o segundo turno, de 19 a 23 de outubro, o sinal se inverteu, e o saldo ficou negativo em R$ 4,81 bilhões, com saídas em três dos cinco pregões.
O investidor local fez o caminho oposto. A pessoa física vendeu R$ 5,72 bilhões entre 5 e 16 de outubro e voltou às compras na semana seguinte, com R$ 3,98 bilhões. Os institucionais, que haviam vendido R$ 10,62 bilhões na primeira fase, compraram R$ 1,42 bilhão na última semana antes da eleição. O padrão repete o que se viu durante o rali eleitoral, sustentado pelo gringo enquanto o investidor local vendia.
Considerando outubro até o dia 26, o estrangeiro ainda acumula entrada líquida de R$ 13,34 bilhões no mês.
O balanço de 2026
Mesmo com a retirada recente, o estrangeiro segue comprador no ano. Em 204 pregões até 26 de outubro, o saldo é positivo em R$ 40,73 bilhões. O acumulado já foi maior. Em 14 de abril, chegou a R$ 69,07 bilhões, ponto máximo do ano, e encolheu ao longo do segundo semestre, com destaque para agosto, quando saíram R$ 18,12 bilhões. Às vésperas do primeiro turno, em 2 de outubro, o saldo do ano estava em R$ 29,95 bilhões.
Entre os locais, os investidores institucionais são os grandes vendedores de 2026, com saída líquida de R$ 48,12 bilhões. A pessoa física acumula compras de R$ 9,39 bilhões, e cerca de dois terços desse saldo vieram apenas do pregão de 26 de outubro. As instituições financeiras têm saldo negativo de R$ 1,47 bilhão, e o grupo outros, de R$ 542 milhões.
