Estrangeiros voltam à B3 e investem R$ 2,56 bilhões em julho
Aportes de investidores estrangeiros alcançou R$ 41,04 bilhões entre janeiro e julho, contra R$ 26,87 bilhões em todo o ano de 2025

O mercado secundário segue desacelerando em julho, mas agora o fluxo voltou ao campo positivo, com entrada líquida de R$ 2,56 bilhões no mês. Com isso, no acumulado do ano, a entrada de recursos estrangeiros na B3 já supera todo o resultado de 2025. Em julho, o investidor internacional voltou a ampliar sua exposição às ações brasileiras, depois de dois meses consecutivos de saídas líquidas, enquanto as ofertas de ações também ganharam força.
Levantamento da Elos Ayta, com base em dados da B3, mostra que a entrada líquida de investidores estrangeiros alcançou R$ 41,04 bilhões entre janeiro e julho, considerando os recursos destinados a IPOs e Follow Ons, contra R$ 26,87 bilhões em todo o ano de 2025. Sem contabilizar as ofertas públicas, o saldo também é superior ao do ano passado: foram R$ 36,41 bilhões até julho de 2026, ante R$ 25,47 bilhões em 2025.
Para Einar Rivero, da Elos Ayta, o movimento indica uma mudança no comportamento do capital internacional. "De um lado, o volume financeiro negociado no mercado secundário recuou pelo quarto mês consecutivo, retornando a patamares próximos aos observados no segundo semestre de 2025. De outro, os fluxos líquidos voltaram a crescer e o mercado primário passou a apresentar sinais mais claros de recuperação", diz.
Segundo ele, essa combinação sugere que a desaceleração do volume negociado não está associada a uma retirada estrutural de recursos, mas sim a um ambiente de menor rotatividade das carteiras. "Ao mesmo tempo, o aumento dos investimentos em IPOs e Follow Ons e a reversão do fluxo líquido para o campo positivo indicam que o capital internacional continua encontrando oportunidades na renda variável brasileira e mantém uma visão favorável para o mercado."
Giro dos estrangeiros recua pelo quarto mês seguido
Apesar da melhora do fluxo líquido, o volume financeiro movimentado pelos investidores estrangeiros continuou em trajetória de desaceleração em julho. As compras somaram R$ 310,8 bilhões, enquanto as vendas chegaram a R$ 308,3 bilhões.
Foi o quarto mês consecutivo de queda no volume negociado. O movimento levou a atividade para níveis semelhantes aos registrados em outubro de 2025. A desaceleração ocorre depois do pico observado em março de 2026, quando as compras alcançaram R$ 512,8 bilhões e as vendas, R$ 501,1 bilhões.
A redução do giro, porém, não veio acompanhada de uma retirada de recursos da Bolsa. Pelo contrário: mesmo movimentando menos dinheiro, os estrangeiros voltaram a registrar saldo positivo em julho (R$ 2,56 bilhões), sinalizando que a menor atividade está mais relacionada à rotatividade das carteiras do que a uma perda de interesse pelas ações brasileiras.
Em maio, houve saídas líquidas de R$ 14,91 bilhões e de R$ 7,79 bilhões em junho.IPOs e Follow Ons ganham força
Ao mesmo tempo em que o mercado secundário apresenta menor giro, o mercado primário começa a mostrar uma recuperação mais consistente.
Os recursos estrangeiros destinados a IPOs e Follow Ons passaram a crescer ao longo do segundo trimestre. Em maio, foram R$ 1,635 bilhão. Em junho, outros R$ 738 milhões. Já em julho, o volume chegou a R$ 1,753 bilhão — o maior aporte mensal registrado em 2026.
Com isso, os investimentos estrangeiros em ofertas públicas somaram R$ 4,636 bilhões entre janeiro e julho, mais de três vezes os R$ 1,397 bilhão registrados durante todo o ano de 2025.
Embora o mercado de capitais ainda esteja distante dos volumes de emissões observados entre 2019 e 2022, quando houve uma forte onda de IPOs e Follow Ons, os números recentes apontam para uma retomada gradual das captações e para uma participação maior do capital internacional nas novas ofertas.
Para Rivero, caso essa tendência seja mantida ao longo do segundo semestre, 2026 poderá consolidar um dos melhores desempenhos de ingresso de capital internacional dos últimos anos, criando um ambiente mais favorável tanto para o mercado secundário quanto para novas captações realizadas pelas companhias abertas.
