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04/06/2026
3 min

Estudo do Fed Boston diz que choque do petróleo hoje pesa mais na inflação do que no emprego

Estudo do Fed Boston diz que choque do petróleo hoje pesa mais na inflação do que no emprego

Um novo estudo do Federal Reserve Bank de Boston, no qual O Globo teve acesso, indica que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) pode dar mais atenção aos efeitos da inflação do que ao impacto sobre o emprego ao lidar com choques no preço do petróleo, como os provocados por conflitos no Oriente Médio.

Segundo o relatório divulgado nesta quinta-feira, 4, a economia americana mudou “fundamentalmente” desde a década de 1970. Hoje, os Estados Unidos são mais eficientes no uso de energia e também produzem mais petróleo internamente, o que reduz parte dos efeitos de choques externos.

Os economistas, segundo O Globo, escrevem que “a vulnerabilidade da economia dos EUA aos choques do petróleo mudou fundamentalmente — ela não foi eliminada, mas sim reconfigurada”.

Na prática, isso significa que quando o preço do petróleo sobe, o impacto na economia americana é menor do que era no passado. A inflação ainda pode subir, mas o efeito sobre o emprego tende a ser mais limitado.

Nos anos 1970, choques no petróleo — como o embargo da Opep e a crise no Irã — provocavam forte desaceleração econômica e aumento do desemprego. Esse movimento ajudava a conter a inflação, ainda que a um custo alto para o mercado de trabalho.

Hoje, segundo o estudo citado pelo jornal, esse mecanismo é mais fraco. Como o impacto sobre o emprego é menor, também diminui o efeito de “freio” na inflação que existia antes.

Por isso, os pesquisadores defendem que a política monetária deve se concentrar mais na inflação gerada por choques no petróleo do que nas perdas de emprego.

O estudo também destaca que o choque atual, ligado às tensões geopolíticas, ainda é relevante, mas menor do que episódios históricos como o embargo de 1973-1974 ou a Revolução Iraniana de 1978-1980.

O relatório foi divulgado em um momento em que o Fed tenta definir os próximos passos da política de juros. O banco central se reúne nos dias 16 e 17 de junho, com expectativa de manutenção da taxa entre 3,50% e 3,75%.

As autoridades avaliam os impactos da alta do petróleo em meio às tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Até aqui, a leitura predominante é de cautela, com juros mantidos enquanto se observa como o conflito pode afetar a inflação.

Quanto mais tempo essas tensões persistirem, maior o risco de a inflação continuar acima da meta de 2% do Fed por mais tempo.

AutorRebecca Crepaldi
FonteExame
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