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InvestMercadosCPTO
31/05/2026
4 min

ETFs de OVNIs e bitcoin “noturno” mostram nova febre dos fundos exóticos

ETFs de OVNIs e bitcoin “noturno” mostram nova febre dos fundos exóticos

Os ETFs, tradicionalmente vistos como instrumentos baratos e eficientes de diversificação, estão entrando em uma nova fase nos Estados Unidos: mais cara, mais arriscada e, em alguns casos, bastante incomum.

O mercado norte-americano vive uma explosão de fundos altamente específicos, voltados para apostas concentradas em criptomoedas, commodities e até opções sobre tecnologias extraterrestres. O movimento vem levantando alertas entre especialistas sobre o aumento da especulação e da complexidade desses produtos.

Segundo dados da Morningstar, citados pelo Wall Street Journal, 466 ETFs foram lançados até meados de maio deste ano, acumulando US$ 62,3 bilhões em ativos. A taxa média anual cobrada pelos novos fundos é de 0,69% — mais de 20 vezes superior ao custo de muitos fundos de índice tradicionais.

A nova geração de ETFs também se distancia da lógica clássica de diversificação. Apenas 16% dos fundos lançados recentemente são ETFs de índice tradicionais. Em mais de um quarto dos casos, o desempenho depende diretamente de um único ativo, ação ou commodity.

ETF aposta em tecnologias ligadas a OVNIs

Entre os exemplos mais incomuns está o Tuttle Capital UFO Disclosure ETF, lançado em fevereiro. O fundo busca investir em empresas que possam se beneficiar de eventual "divulgação, confirmação ou exploração de tecnologias avançadas" relacionadas a "inteligência não humana" por governos, de acordo com o WSJ.

O ETF cobra taxa anual de 0,99% e acumula cerca de US$ 2 milhões em ativos. O gestor Matthew Tuttle contou ao jornal que a ideia surgiu após vídeos que supostamente mostrariam objetos voadores não identificados realizando movimentos considerados anômalos.

A tese se apoia na crença de que governos deteriam tecnologias muito mais avançadas do que as atualmente conhecidas pelo mercado. "Se essa tecnologia existir e se tornar pública, será uma virada de jogo ainda maior do que a internet ou a IA", afirmou Tuttle. "Não preciso que alienígenas sejam reais para que minha tese funcione, mas é muito mais divertido se forem."

Fundo opera bitcoin apenas fora do horário da bolsa

Outro exemplo de estratégia pouco convencional é o Nicholas Bitcoin and Treasuries AfterDark ETF, lançado em abril. O fundo mantém exposição ao bitcoin apenas fora do horário regular do mercado acionário norte-americano. Durante o pregão, a carteira migra para caixa ou títulos do Tesouro dos EUA.

Com US$ 30 milhões em ativos, o fundo cobra 0,97% ao ano. A estratégia foi construída a partir de dados que indicam desempenho mais forte do bitcoin fora do horário tradicional das bolsas.

Segundo a Bespoke Investment Group, citada pelo WSJ, o bitcoin teria acumulado retorno de 65,2% desde janeiro de 2024 até esta semana para investidores posicionados continuamente. Já quem teria mantido exposição apenas durante o período noturno teria obtido retorno de 213,8% no mesmo intervalo. Os dois casos desconsideram impostos e custos operacionais.

Apesar disso, nas seis semanas após o lançamento, o ETF apresentou desempenho quase 11 pontos percentuais inferior ao de uma estratégia simples de compra e manutenção do ETF de bitcoin da iShares — o que indica que taxas e custos operacionais corroem parte do ganho teórico da estratégia noturna.

Mercado mais caro e menos eficiente

A expansão desses produtos também reacendeu discussões sobre risco e eficiência tributária. Muitos dos novos ETFs utilizam derivativos, opções e rebalanceamentos frequentes — estruturas que podem gerar maior volatilidade e custos fiscais mais elevados para os investidores.

Além disso, parte significativa dos novos fundos cobra taxas próximas ou superiores a 1% ao ano — patamar muito acima dos ETFs tradicionais de índice, que frequentemente custam apenas alguns dólares anuais para aplicações equivalentes.

Entre os lançamentos recentes há ainda ETFs ligados ao mercado espacial, fundos alavancados em paládio e produtos que utilizam opções para tentar gerar renda elevada sobre carteiras concentradas em ações específicas.

Para especialistas ouvidos pelo WSJ, o crescimento desses ETFs mostra que investidores passaram a buscar cada vez mais estratégias temáticas e apostas de curto prazo.

Segundo Dave Mazza, CEO da gestora Roundhill Investments, o avanço desses produtos exige mais cautela. "À medida que a proliferação de produtos avança nas áreas mais radicais do mercado, cabe aos investidores fazer mais lição de casa", afirmou ao jornal.

Mesmo com a onda de ETFs exóticos, os fundos tradicionais de baixo custo ainda concentram grande parte das carteiras dos investidores norte-americanos. Conforme Elisabeth Kashner, diretora de pesquisa de ETFs da FactSet, os ETFs amplos e diversificados continuam funcionando como núcleo do mercado, apesar da crescente popularidade das estratégias alternativas.

AutorDa redação, com agências
FonteExame
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