Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
InvestMercadosFIN
12/07/2026
3 min

ETFs ganham espaço e devem aumentar participação na indústria, diz Anbima

ETFs ganham espaço e devem aumentar participação na indústria, diz Anbima

Os Exchange Traded Funds (ETFs) seguem ganhando espaço entre os investidores brasileiros e aceleram uma transformação na indústria de fundos. Apenas no primeiro semestre de 2026, os ETFs receberam R$ 32,5 bilhões em aportes. Só os ETFs de renda fixa registraram entradas de R$ 27,1 bilhões no período — o equivalente a 83,6% de toda a captação da categoria.

Em um ano, o patrimônio desses produtos mais do que dobraram, saindo de R$ 55,5 bilhões em julho de 2025 para R$ 116,6 bilhões em junho de 2026, enquanto o número de ETFs negociados na bolsa cresceu cerca de 47% em 12 meses, de 137 em julho de 2025 para 202 em junho de 2026. O número de contas também cresceu, saltando de 1,17 milhão para 1,65 milhão.

Para especialistas, o movimento está longe de ser pontual. A avaliação é que o Brasil ainda tem um mercado de ETFs pequeno quando comparado ao de países desenvolvidos, o que abre espaço para uma expansão contínua nos próximos anos.

"O crescimento dos ETFs é um movimento estrutural. Em mercados mais desenvolvidos, essa classe representa uma parcela muito maior da indústria. Eles reúnem características bastante atrativas, como custos mais baixos, transparência e facilidade de negociação", afirma o executivo.

  • 'Crédito privado tem risco e captação deve perder força', diz diretor da Anbima

ETFs ganham atratividade

Segundo ele, o modelo também facilita o acesso do investidor. Como as cotas são negociadas em bolsa, basta ter conta em uma corretora para comprar ou vender um ETF, sem a necessidade de investir por meio de uma gestora específica. A ausência do come-cotas e a divulgação diária das carteiras também ajudam a aumentar o interesse pelo produto.

Além das vantagens para o investidor, o especialista destaca que a expansão da oferta pelas gestoras e a mudança no modelo de remuneração dos assessores de investimentos contribuíram para impulsionar a distribuição dos ETFs. Antes, esses produtos praticamente não geravam receita para os distribuidores. Com a remuneração baseada no patrimônio do cliente, passaram a integrar com mais frequência as recomendações.

  • Fundos voltados à economia real somam R$ 62,7 bi em captação e atraem estrangeiros

Outro fator que pode acelerar esse crescimento é a agenda regulatória da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que prevê a discussão sobre ETFs ativos. A expectativa é que a flexibilização das regras amplie ainda mais a atratividade dessa classe de investimentos.

Pressão maior sobre os fundos conservadores

Apesar do avanço dos ETFs, o especialista afirma que eles não representam uma ameaça para toda a indústria de fundos.

"Os multimercados não concorrem diretamente com os ETFs. Onde existe uma pressão maior sobre custos é nos fundos conservadores de renda fixa, que disputam o mesmo espaço com produtos de menor custo."

Na avaliação dele, os desafios enfrentados pelos multimercados e pelos fundos de ações têm outra origem. Esses segmentos acumulam entre três e quatro anos de redução do patrimônio líquido, reflexo do ambiente de juros elevados, que aumentou a atratividade da renda fixa e reduziu o apetite dos investidores por estratégias mais arriscadas.

AutorRebecca Crepaldi
FonteExame
Distribuído por