ETFs moveram o bitcoin mais do que economia em 2026, revela consultoria
Principal correlação do preço da criptomoeda foi com os fluxos nos fundos negociados em bolsa do ativo

Um estudo da consultoria Vault Capital revelou que as entradas e saídas de capital nos fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin nas bolsas dos Estados Unidos tiveram mais impacto no preço da criptomoeda do que fatores macroeconômicos.
Segundo a Vault, 48% do sobe e desce semanal do bitcoin acompanhou as compras e vendas semanais dos ETFs, enquanto 40% do movimento foi explicado por fatores próprios do mercado cripto e só 12% da volatilidade refletiu fatores macroeconômicos. Vale lembrar que a janela de análise é semanal, de modo que o peso dos grandes picos de oscilação depois da divulgação de algum dado macro, como inflação dos EUA, acaba sendo diluído.
A Vault diz que os dados permitem concluir que, em média, cada mil bitcoins comprados pelos ETFs coincidiram com uma alta de cerca de 0,3% no preço do BTC naquela semana.
O relatório destaca que os meses em que houve mais compras do que vendas nos ETFs foram também aqueles em que a moeda digital subiu. Quando as vendas superaram as compras nos fundos, por sua vez, o ativo caiu.
Bitcoin sobe mesmo com juros maiores
"Em 2026, o termômetro mais fiel do bitcoin foi o fluxo dos ETFs, não a agenda econômica. Os fundos não anteciparam o preço, mas mostraram, dia após dia, se o dinheiro estava entrando ou saindo do mercado", afirmou no relatório Felipe Mendes, head de Research da Vault.
Um sinal de que o ambiente macro está pesando menos no bitcoin é que a alta dos juros que o Federal Reserve (Fed) promoveu nos EUA no mês passado, a primeira desde 2023, não foi o suficiente para interromper a trajetória de valorização do BTC. Entre 30 de junho e 30 de setembro, o rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA com vencimento em dez anos cresceu 0,85 ponto percentual e, mesmo assim, o bitcoin disparou 42,8%.
Para o quarto trimestre, que se iniciou agora em outubro, a Vault considera que o maior risco é a combinação de juros em alta com possível saída de capital dos ETFs. "Para quem acompanha o ativo, entender quem está comprando e quem está vendendo diz mais sobre o momento do mercado do que tentar antecipar a próxima decisão do Fed", afirma Marco Aurélio de Camargos, CIO da consultoria.
O estudo analisou 186 pregões e 38 semanas de 5 de janeiro a 30 de setembro deste ano.
