EUA abrem investigação sobre 1 milhão de carros da Tesla
Falha pode deixar veículo impossível de dirigir e exigir reboque, segundo agência dos EUA

A Tesla voltou ao radar dos reguladores automotivos dos Estados Unidos. A National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA) abriu nesta sexta-feira, 31, uma investigação preliminar sobre cerca de 1,2 milhão de veículos da montadora após identificar um padrão de falhas no braço lateral inferior dianteiro da suspensão.
A agência disse que o componente pode se desprender durante o uso, comprometendo a direção e aumentando o risco de acidentes, de acordo com informações divulgadas pela Reuters.
A nova investigação ganha relevância porque resgata um tema antigo envolvendo a fabricante. Em 2023, a Reuters revelou que a Tesla monitorava internamente, havia anos, falhas recorrentes em componentes da suspensão e da direção.
Ao mesmo tempo, a empresa costumava atribuir os danos ao mau uso dos veículos por parte dos proprietários em conversas com clientes e reguladores. Agora, a apuração da NHTSA reacende dúvidas sobre a extensão desses problemas e sobre a forma como a companhia lidou com eles.
O que levou à investigação
De acordo com o Escritório de Investigação de Defeitos da NHTSA, a abertura do processo foi motivada por 156 reclamações formais de consumidores.
Os relatos envolvem unidades do Model 3 fabricadas entre 2018 e 2020 e do Model Y produzidas entre 2021 e 2023. A maioria dos proprietários afirmou que a falha ocorreu sem qualquer aviso prévio. Alguns, porém, relataram ruídos incomuns vindos da suspensão pouco antes do desprendimento da peça.
O problema pode comprometer o controle da direção e até deixar o veículo impossibilitado de rodar, exigindo reboque.
Até o momento, a NHTSA afirma não ter identificado registros de acidentes, feridos ou mortes relacionados ao defeito. Procurada, a Tesla não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da Reuters.
Problema já motivou recalls
Essa não é a primeira vez que a montadora enfrenta problemas envolvendo o mesmo componente. Em 2021, a Tesla convocou cerca de 2.800 unidades do Model 3 para recall por uma falha de fabricação no braço lateral inferior dianteiro.
Dois anos depois, outro recall atingiu 422 veículos do mesmo modelo por um problema semelhante. Para a NHTSA, porém, os casos analisados agora extrapolam o alcance daqueles recalls e, até o momento, não parecem estar relacionados ao defeito de fabricação anteriormente identificado.
Isso indica que a investigação pode envolver uma causa diferente e potencialmente mais abrangente, na avaliação de fontes consultadas pela Reuters.
Próximos passos da Tesla
A investigação preliminar representa a primeira etapa do processo conduzido pela agência americana. Caso os técnicos concluam que existe um defeito capaz de comprometer a segurança dos veículos, a NHTSA poderá ampliar a apuração e, eventualmente, determinar um novo recall.
Se isso ocorrer, a convocação poderá envolver até 1,2 milhão de automóveis.
A investigação ocorre em um momento delicado para a Tesla. Um levantamento da BizzyCar, empresa especializada em gestão de recalls, mostrou que a montadora ocupou a sétima posição entre as fabricantes com mais convocações nos EUA no segundo trimestre deste ano.
Ao todo, já foram três recalls que afetaram, aproximadamente, 234 mil veículos.
