EUA afirmam que retorno de María Corina à Venezuela pode 'atrapalhar' ajuda às vítimas de terremoto

O governo dos Estados Unidos declarou que a prioridade, neste momento, é a resposta à crise humanitária provocada pelos terremotos na Venezuela e avaliou que a inclusão de temas políticos pode prejudicar esse trabalho.
A declaração foi feita após a líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, manifestar o desejo de retornar ao país.
Em vídeo publicado nas redes sociais nesta semana, Machado informou que está no Panamá e disse que pretende voltar à Venezuela. Segundo ela, o governo venezuelano impediu seu retorno ao fechar o espaço aéreo.
"Quero voltar à Venezuela para estar ao lado de vocês nestas horas tão dolorosas", afirmou a opositora na gravação.
Questionado pela agência AFP sobre a possibilidade de apoiar o retorno de Machado, um porta-voz do Departamento de Estado declarou, por e-mail, que a administração do presidente Donald Trump concentra seus esforços na assistência às vítimas dos terremotos.
"O governo Trump está exclusivamente concentrado em continuar impulsionando nossos esforços de resposta aos devastadores terremotos na Venezuela", afirmou o representante.
Ao comentar a situação política envolvendo a líder da oposição, o porta-voz acrescentou que a inclusão de "questões políticas sensíveis" no contexto atual seria "contraproducente" para as ações de resposta à tragédia.
María Corina Machado deixou a Venezuela no fim de 2025 após uma operação organizada pelos Estados Unidos que permitiu sua viagem a Oslo para receber o Prêmio Nobel da Paz. Posteriormente, ela entregou o prêmio, emoldurado, ao presidente Donald Trump.
No vídeo divulgado nesta semana, Machado afirmou que integrantes do governo venezuelano estariam intimidando pessoas que poderiam colaborar com seu retorno ao país.
"Eles ameaçaram aqueles que querem facilitar meu retorno", disse.
A imprensa dos Estados Unidos e analistas sediados em Washington informaram que a Casa Branca demonstrou insatisfação com a intenção da opositora de retornar à Venezuela.
Na mesma mensagem, Machado declarou que está disposta a buscar interlocução para viabilizar sua volta ao país.
"Neste momento, estou disposta a fazer o que for necessário, falar com quem for preciso para poder voltar a pisar em solo venezuelano", afirmou.
Tragédia na Venezuela
O número de mortos pelos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala Richter ocorridos na Venezuela há uma semana subiu para 2.295, e o de feridos para 11.267, informou nesta quarta-feira, 1º, o presidente do Parlamento do país, Jorge Rodríguez.
Ele também declarou que 6.461 pessoas foram resgatadas por mais de 4 mil brigadistas.
"A esperança se mantém intacta", afirmou ele em um balanço transmitido pela canal de televisão estatal VTV.
Rodríguez detalhou que, desde o duplo terremoto, foram registradas 782 réplicas, embora tenha esclarecido que, durante os últimos dois dias, a frequência e a intensidade diminuíram. "A ameaça parece estar diminuindo, mas não desapareceu", destacou.
O governo também disponibilizou 25 acampamentos provisórios para as pessoas atingidas, sendo 13 deles em La Guaira, a região mais afetada; oito em Caracas, dois em Miranda, um em Carabobo e um em Yaracuy.
*Com informações das agências AFP e EFE.
