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Mundo
24/08/2026
4 min

EUA anuncia ‘Dia D econômico’ contra Irã: entenda o que significa

Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, promete ofensiva financeira sem precedentes contra Teerã e ameaça países que mantêm relações comerciais com o Irã

EUA anuncia ‘Dia D econômico’ contra Irã: entenda o que significa

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou uma nova ofensiva econômica contra o Irã, que chamou de “Dia D econômico”. Em artigo publicado no Financial Times, Bessent afirmou que Washington pretende lançar a maior ofensiva financeira já realizada contra um adversário e pressionar países que mantêm relações comerciais e financeiras com Teerã.

As medidas, que serão detalhadas nesta segunda-feira, 24, devem atingir empresas, instituições financeiras e países que ajudam a manter os fluxos de petróleo, dinheiro e comércio do Irã. O presidente Donald Trump já havia advertido que haverá consequências econômicas para países que ofereçam qualquer tipo de apoio ao governo iraniano.

O que Bessent disse

Na publicação, Bessent compara a nova estratégia americana ao desembarque aliado na Normandia durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo ele, os Estados Unidos já enfraqueceram significativamente as capacidades militares e o programa nuclear iraniano e agora pretendem avançar sobre as fontes de financiamento do regime.

O secretário afirmou que a ofensiva terá como alvo países que compram e transportam petróleo iraniano, facilitam transações financeiras,mantêm relações comerciais com Teerã ou permitem operações destinadas a contornar as sanções americanas.

Bessent também afirmou que o objetivo é levar o Irã ao isolamento econômico completo. Na avaliação dele, países que continuarem apoiando a economia iraniana poderão enfrentar consequências e perder acesso a mercados e capitais ligados aos Estados Unidos.

Por que importa

A ofensiva ocorre em um momento de forte pressão sobre o mercado global de energia. O Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo antes do início do conflito, está praticamente paralisado, segundo a Reuters. A redução do tráfego aumenta o risco de novas interrupções no fornecimento e mantém os preços de energia sob pressão.

A China é especialmente relevante para a estratégia americana. O país é o principal comprador do petróleo iraniano e responde por mais de 80% das exportações marítimas de petróleo do Irã, segundo dados da Kpler. Pequim afirmou que sanções e pressão econômica não ajudam a resolver o conflito e que protegerá seus interesses.

Irã ameaça interromper exportações de petróleo

Teerã reagiu à ameaça americana prometendo uma resposta econômica e militar. Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, afirmou que, se a “guerra econômica” continuar, o país poderá interromper todas as exportações de petróleo pelo Golfo Pérsico.

O Irã também endureceu as regras para a navegação no Estreito de Ormuz e ameaçou embarcações que, segundo o governo, desrespeitaram seus protocolos de trânsito. O tráfego pelo canal estratégico caiu drasticamente nas últimas semanas.

Como afeta

Uma escalada das sanções pode restringir ainda mais a oferta de petróleo iraniano e aumentar os custos de transporte e seguro no Oriente Médio. Para consumidores e empresas, uma nova alta dos combustíveis pode pressionar a inflação e elevar custos de produção e logística.

O impacto também pode chegar aos mercados financeiros. Investidores já acompanham a possibilidade de novas sanções enquanto avaliam os efeitos do conflito sobre petróleo, inflação e crescimento global. Nesta segunda-feira, 24, os preços do petróleo recuaram, mas permanecem próximos das máximas recentes.

Mediação do Paquistão

Enquanto Washington prepara as novas medidas, o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, chegou a Teerã nesta segunda-feira em uma missão de mediação. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, ele deve se reunir com pessoas próximas à liderança iraniana em uma tentativa de retomar as negociações.

A visita ocorre após um contato entre Munir e Trump na semana passada. O objetivo, segundo fontes paquistanesas, é tentar levar o Irã de volta à mesa de negociações e reduzir o risco de uma nova escalada militar.

O Irã enfrenta a nova pressão após meses de guerra e de sanções. A moeda iraniana atingiu nesta segunda-feira um novo recorde de baixa, cerca de 25% abaixo do nível registrado em janeiro, enquanto o país lida com inflação elevada, escassez de energia, interrupções no comércio e danos à infraestrutura.

AutorEstela Marconi
FonteExame
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