EUA aplicam nova tarifa ao Brasil, de 12,5%, por acusação de trabalhos forçados

Os Estados Unidos impuseram uma nova tarifa ao Brasil, de 12,5%, nesta quinta-feira, 23, pela acusação de que as exportações feitas pelo país se beneficiam de trabalhos forçados.
A nova taxa será aplicada também a 60 economias que foram alvo da mesma acusação. Inicialmente, 60 países foram incluídos na investigação.
"Por quase 100 anos, a lei dos EUA proibiu a importação de bens extraídos, produzidos ou fabricados total ou parcialmente com trabalho forçado. Essa proibição reconhece não apenas as preocupações humanitárias associadas a permitir que terceiros lucrem com o sofrimento de outros, mas também as preocupações de política externa e segurança nacional decorrentes da exploração de trabalhadores", disse o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), ao anunciar a abertura do processo.
"Tal exploração ameaça os produtores nacionais que precisam competir com bens estrangeiros produzidos com uma vantagem de custo artificial e pode prejudicar os trabalhadores e cidadãos dos EUA ao distorcer a concorrência e a compra de bens produzidos em condições exploratórias", diz o USTR.
Para os EUA, o trabalho forçado é definido como "trabalho ou serviço extraído de uma pessoa sob a ameaça de qualquer penalidade por sua não execução e para o qual o trabalhador não se oferece voluntariamente."
A resposta do Brasil
Este processo, também realizado por meio da Seção 301, foi iniciado em março e teve audiências públicas no início de julho. Em uma carta enviada ao processo, o governo do Brasil rejeitou as acusações americanas.
"O Brasil reitera que há ampla evidência nos autos da investigação, apresentada pelo Governo do Brasil, que demonstra que o Brasil instituiu e aplica ativamente medidas para combater o trabalho forçado e impedir que bens produzidos com trabalho forçado façam parte das cadeias de suprimentos brasileiras", disse o chanceler Mauro Vieira, em carta enviada ao USTR.
Na semana passada, o ministro Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), disse esperar que o Brasil fosse taxado.
"A expectativa é de que a tarifa de trabalho forçado venha para todos (os países incluídos na investigação)", disse o ministro, em 16 de julho.
A outra tarifa de 25%
Em 15 de julho, os EUA aplicaram outra tarifa de importação de 25% a produtos brasileiros. Os EUA deram isenções a 699 produtos, que somam US$ 22,8 bilhões do total exportado em 2025, segundo dados da ApexBrasil.
A nova cobrança passará a ser feita em 22 de julho, com exceções para itens que estiverem em trânsito. A cobrança se soma a outras taxas já pagas pelos produtos.
A tarifa foi adotada após uma investigação feita contra o Brasil, por meio da Seção 301, iniciada em julho de 2025. No começo de junho, o USTR, um órgão do governo americano, concluiu que o Brasil age de forma não razoável no comércio bilateral, por práticas como o uso do Pix, a taxação do etanol americano e a falta de combate à corrupção e ao desmatamento.
O USTR avalia que essas práticas dão vantagens indevidas ao Brasil no comércio, e propôs uma nova tarifa para tentar reduzir a competitividade dos produtos brasileiros nos EUA. A decisão foi chancelada pelo presidente Donald Trump.
Essa cobrança de 25% impacta 2.375 produtos, que representaram US$ 7,2 bilhões em exportações em 2025, segundo dados da ApexBrasil. O valor representa 19,2% das exportações brasileiras no período.
