Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Mundo
14/07/2026
3 min

EUA atacam Irã e Trump diz que acordo ainda é possível

EUA atacam Irã e Trump diz que acordo ainda é possível

Os Estados Unidos lançaram novos ataques contra o Irã na madrugada desta terça-feira, 14, ampliando a escalada militar no Oriente Médio poucos dias após o colapso do cessar-fogo firmado entre os dois países. Apesar da ofensiva, o presidente Donald Trump afirmou que um acordo com Teerã ainda é "possível".

Em comunicado, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), responsável pelas operações militares na região, informou que esta foi a terceira noite consecutiva de bombardeios contra alvos iranianos. Antes do início da ofensiva, Trump havia declarado que os ataques continuariam. "Vamos atingi-los com força esta noite, e vamos atingi-los com força amanhã", disse ao radialista Hugh Hewitt.

Segundo a agência estatal iraniana Irna, quatro explosões foram registradas nas proximidades de Bandar Abbas, cidade portuária localizada às margens do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.

  • Por que o Estreito de Ormuz deverá perder importância nos próximos anos

Ataques ampliam tensão no Estreito de Ormuz

Os Emirados Árabes Unidos informaram que dois petroleiros do país foram atingidos por ataques iranianos na região do Estreito de Ormuz. Um tripulante morreu e outras oito pessoas ficaram feridas.

Ao mesmo tempo, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter realizado uma operação no Bahrein, incluindo um ataque contra um edifício residencial utilizado por militares americanos na base de Juffair.

A nova escalada ocorre após Trump anunciar que os Estados Unidos retomariam o bloqueio aos portos iranianos e passariam a controlar a segurança da navegação em Ormuz. A medida entra em vigor nesta terça-feira, às 17h (horário de Brasília), segundo o Exército americano.

O presidente americano também voltou a defender a cobrança de uma taxa equivalente a 20% sobre o valor das cargas transportadas pelo estreito, proposta que foi ironizada pelo governo iraniano.

Irã reage e mantém negociações

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, respondeu que o país continuará sendo o "guardião" do Estreito de Ormuz e afirmou que, embora a ideia de cobrança não seja totalmente descabida, o percentual proposto por Trump é excessivo.

Já o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, declarou que o memorando de entendimento assinado em junho, que havia interrompido temporariamente as hostilidades, está "em crise". Segundo ele, Teerã poderá deixar de cumprir suas obrigações caso Washington faça o mesmo.

Apesar da retomada dos confrontos, Baqaei afirmou que o Irã continua negociando, com mediação de Catar, Paquistão e Omã, para evitar uma escalada ainda maior.

Conflito pressiona mercado de petróleo

A intensificação dos ataques aumenta a preocupação do mercado com possíveis interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Na segunda-feira, o barril do Brent, referência internacional, avançou 9,59%, encerrando o dia cotado a US$ 83,30.

Segundo informações divulgadas pela AFP, ao menos 25 pessoas morreram no Irã desde a retomada das hostilidades na semana passada. O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou "profunda preocupação" com a escalada do conflito.

A crise também se espalha para outras frentes da região. Os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, atacaram a Arábia Saudita após acusarem o reino de bombardear o aeroporto de Sanaa. O governo iemenita, respaldado por Riad, afirmou que a ação tinha como objetivo impedir o pouso de uma aeronave iraniana.

AutorEstela Marconi
FonteExame
Distribuído por